segunda-feira, 31 de maio de 2010

POSIÇÕES DIPLOMÁTICAS BRASILEIRAS – CONTRADITÓRIAS.

O acordo Brasil-Turquia-Irã pode se tornar um fiasco diplomático. Posicionamentos contraditórios da diplomacia brasileira em Cuba e em Honduras. Serra como “exterminador do futuro” da diplomacia brasileira e a cocaína boliviana. A "vingança" de Lula.

Passado aquele primeiro impacto do acordo Brasil-Turquia-Irã que rodou o mundo, no qual aquele último se comprometia a não beneficiar urânio sobreveio a realidade, como já comentamos no artigo anterior.

De sobejo, mesmo com o acordo, já se sabe que o Irã não se furtara em continuar beneficiando parte do material radiotivo que mantém a ponto de até obter, futuramente, elementos para a bomba atômica.

Aos poucos, aquele acordo vai sendo deixado fora de pauta, ensaiando constituir-se um enorme fiasco. E não se pretende aqui, denegrir o esforço brasileiro-turco.

Para que tal primeira impressão seja afastada transcrevo o sentimento de Ban Ki-moom, secretário-geral da ONU que considero imparcial:

“Eu vejo com bons olhos esse acordo, trata-se de um caminho pacífico para resolver a questão iraniana. Se ele tiver amplo apoio da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) e da comunidade internacional, poderá realmente se transformar num primeiro passo para uma solução negociada”.

Essa a linguagem diplomática, de agrado aos parceiros do acordo. E agora a ressalva que põe ou pode por o acordo a perder:

“Ao mesmo tempo é preciso reconhecer que os iranianos na foram capazes de provar e convencer a comunidade internacional de que seu programa nuclear é exclusivamente para fins pacíficos. O que faz crescer as preocupações é que após assinar o acordo, o Irã anunciou que continuaria a enriquecer urânio a 20%. Essa atitude mina a credibilidade dos iranianos.” (i)

Num primeiro momento cheguei até considerar as declarações do assessor internacional do Governo, Marcos Aurélio Garcia, de que se os Estados Unidos não cumprissem o acordo se “dariam mal”, ou algo com esse sentido. Não consigo levar a sério esse assessor por seguidas declarações “bombásticas” que se “celebrizou” pelo “top, top, top” em rede nacional de TV (“The top-top man”).

Nem quero exigir muito, mas como tal aspecto da decisão iraniana em continuar enriquecendo parte do seu urânio não foi considerada no acordo? Ou foi tudo no afogadilho mesmo?

O interesse de o Governo Lula aparecer no exterior ainda que com evidente desgaste, é notória e não mede as conseqüências:

1. Lula em Cuba na mesma época em que por aqui se discutia o Plano Nacional dos Direitos Humanos no qual era proposta a revisão da Lei da Anistia entre outros itens polêmicos e rejeitados pela sociedade brasileira – na Ilha, Lula se submetia aos irmãos Castro que não garantem nada ou muito pouco de direitos humanos, liberdade política e de expressão, incluindo informações sobre tortura de presos políticos. Preguiçosos, criticam os Estados Unidos pelo embargo e pela pobreza e não se movimentam para alterar a situação econômica do país, encontrar alternativas. Aqueles carros velhos americanos: a China e a Rússia fabricam carros...qual a dificuldade de adquirir esses veículos desses velhos aliados?

2. Entre Cuba e Honduras a insensatez: a guarida dada ao presidente deposto Manuel Zelaya por tentar, digamos, quase “na marra” impor um plebiscito popular de mudança constitucional – com a possibilidade de dele se beneficiar no sentido de se manter no poder tomando o mau exemplo de Hugo Chaves -, deposição confirmada pela própria Corte Suprema daquele pais. Houve eleições em novembro, o povo acorreu à urnas, elegeu novo presidente. E o Brasil não reconheceu até agora o novo Governo, porque defende a volta de Manuel Zelaya com seu chapelão e todas as suas prerrogativas políticas. Ora, depois de todo esse tumulto, é claro que essa pretensão, em médio prazo é inviável. Nessas relações há o possível – o que não for se adia. E o Brasil, ou Lula, não tem essa perspicácia. Só tem com os “queridos” irmãos Castro que detém o poder de irmão para irmão há mais de 50 anos...

Dou esses dois exemplos para puxar um terceiro, recente, protagonizado pelo pré-candidato José Serra do PSDB. Eis que, num dado momento Serra diria alto e bom som para quem quisesse ouvir que a maior parte da cocaína consumida pelos jovens brasileiros, viria da Bolívia, e que o governo boliviano fazia “vistas grossas” não coibindo no que lhe cabe, a entrada da droga no Brasil.

Reações:

Da pré-candidata Dilma Roussef: “Serra demoniza Bolívia”;

Do “inefável” e inevitável Marco Aurélio Garcia: “exterminador do futuro” da política externa brasileira” (ii).

Lula para “fazer inveja” a Serra, fez pose com Evo Morales, como se cocaína não fosse assunto boliviano e não fosse a Bolívia quem protagonizara um dos grandes confrontos com o Brasil e o vexame que impusera ao “hermano imperialista” ao desapropriar instalações e produção da Petrobras, com a tomada de posição de soldados do exército nos locais para tornar irreversível o ato. (iii)

É a questão da cocaína boliviana, provém mesmo daquele Pais que vive à sombra do Brasil? O Governo Boliviano não estaria mesmo fazendo “corpo mole” – uma forma de garantir “trabalho” aos seus rurícolas, cultivadores da coca?

Desde logo se afirme que há notícias, sim, de apreensão da droga em território boliviano. O que se pode indagar é se essas apreensões significam mesmo efetivo interesse em coibir a entrada da droga no Brasil.

No exato momento em que Lula era fotografado ao lado de Evo Morales para “fazer inveja”, era noticiado que a Polícia Federal havia apreendido quase meia tonelada de cocaína em Três Lagoas (MS) que proviriam da Bolívia. No inicio do mês, foram apreendidos 725 quilos da droga, vindos daquele país. (iv).

Em vez de expor o Governo Brasileiro seu posicionamento sobre as medidas tomadas na fronteira Brasil-Bolívia para desmentir José Serra, o que seria muito útil, politicamente, foi ele, Serra, acusado de “demonizar a Bolívia”, de “exterminador do futuro” e Evo Morales agraciado com fotos para “fazer inveja” ao pré-candidato.

E a cocaína boliviana? E as providências do Brasil para combater a entrada da droga? Ora, a cocaína...

O que interessa são as relações diplomáticas!.

Para encerrar este longo artigo, quero lembrar o contrabando via Paraguai, outro país que vive à sombra do “hermano imperialista”.

O que não passa naquela fronteira, na “ponte da amizade” ou nos seus canais!

Nunca vi cidade mais insuportável que “Ciudad Del Leste” onde brasileiros ávidos e sem freios tudo ali compram e dão um jeito de levar para casa mesmo que acima da quota permitida.

Chego um dia para um agente de turismo em Foz do Iguaçu e comento:

- Melhor seria que esses brasileiro fizessem compras na Santa Ifigênia em São Paulo, como ocorre na 25 de Março com roupas e afins!

- Mas, não! Como fica o turismo aqui em Foz?

Ah, os interesses, os interesses!..

Referências:

(i) “O Estado de São Paulo” de 30.05.2010

(ii) “O Estado de São Paulo” de 28.05.2010

(iii) Decreto 28.701 de 1°.05.2006 do Governo boliviano:

Art. 2°:

I. A partir del 1 de mayo del 2006, las empresas petroleras que actualmente realizan actividades de producción de gas y petróleo en el territorio nacional, están obligadas a entregar en propiedad a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos YPFB, toda la producción de hidrocarburos.

II. YPFB, a nombre y en representación del Estado, en ejercicio pleno de la propiedad de todos los hidrocarburos producidos en el país, asume su comercialización, definiendo las condiciones, volúmenes y precios tanto para el mercado interno, como para la exportación y la industrialización.

(iv) “O Estado de São Paulo” de 29.05.2010.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

BRASIL, IRÃ, TURQUIA E O ACORDO

O acordo de enriquecimento de urânio intermediado por Brasil e Turquia haveria que ser melhor ponderado pelas potências que o rejeitaram a priori. Falhas que podem ser apontadas na sua condução. Sempre a pergunta: o Irã é confiável em tema de tal gravidade?

Em 03.05.2010, escrevi o artigo Este “admirável” mundo louco demonstrando, entre temas fundamentais referentes aos desastres ecológicos, minha perplexidade pela indicação de Lula como uma das mais influentes personalidades políticas do mundo, nomeado entre outros pela revista Time, americana.

E o meu espanto fora ali revelado porque, a despeito da presença de Lula com o seu “aviãozão” - suportado por nós, contribuintes - por todo o mundo, não havia nada que pudesse, na minha concepção, justificar aquela honraria.

Eis que o recente acordo de controle do material radioativo do Irã, no qual houve a intermediação de Lula e do premier turco, Tayyip Erdogan, aceito pelo aiatolá Ali Khamenei autoridade máxima do pais iraniano e, claro pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad, com repercussão mundial, soou para mim como um bomba do ponto de vista da política interna brasileira. Seus efeitos, para mim, naquele momento afetariam a pré-campanha presidencial, pela intensa exposição de Lula na mídia internacional e nacional. Outros fatores podem ter influenciado, mas é sintomático que sua candidata na última pesquisa Datafolha aparecesse já empatada com Serra, da oposição.

Nunca neguei e tenho defendido expressamente que o Brasil precisa de mudanças. E qualquer mudança se dará com a saída do PT do governo. Assumo isso com todas as letras ainda que se constitua, afinal, numa tentativa.

Sob o efeito do primeiro impacto, pensando em dar a mão à palmatória pelo êxito de Lula no Oriente Médio, me contive, porém. Esperei para ver quais seriam as decorrências imediatas – que não tardariam.

Antes os antecedentes:

O presidente russo, na visita de Lula à Rússia revelara-se cético no tocante à obtenção de um acordo com a sua intermediação. Dera a Lula apenas 30% de possibilidade. Por sua vez, o presidente Barack Obama, dos Estados Unidos, para alimentar o ego do “esse é o cara”, remetera uma carta diplomática incentivando Lula para tentar o acordo.

Havia, na realidade, uma linha anterior de descrédito por tudo o que ocorreria depois do acordo obtido, porque afinal, se tratava do dom quixote lá do Brazil, ora.

Eis que o acordo “brasileiro, turco, iraniano” foi firmado anunciado com pompa e circunstância, em minha opinião provocando tremenda perplexidade e despeito aos Estados Unidos, Rússia, China, França, Inglaterra e Alemanha.

Diante disso, essas potências tentaram ignorar o acordo, sem saber rigorosamente quais eram suas disposições e proclamando num uníssono e imediatamente que retaliações ao Irã ocorreriam autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU.

Há que indagar:

O Irã merece confiança a ponto de ser aceito o acordo conduzido por dois países “emergentes”? Não teriam Brasil e Turquia feito tudo às pressas sem consultas cautelares às grandes potências? (O premier turco veio às pressas para fechar o acordo, numa reunião que durou apenas 18 horas). Para caso dessa magnitude, com o Irã desafiando sistematicamente o ocidente, em especial os Estados Unidos, não seria o caso de aumentar desde logo o bloco de negociadores num segunda rodada?

Essas indagações são legítimas, mas não poderia o acordo ser recebido com o desdém que foi, começando por Hillary Clinton (a despeito do “esforço sincero do Brasil”) que tem mostrado em muitas intervenções sensibilidade e senso. Deveriam, em lugar de rejeitá-lo a priori, ter ponderado sobre novas premissas com o objetivo de chancelá-lo proximamente se conseguidos os créditos.

Ademais, pelo Brasil, o Irã poderia olhar o Ocidente com menos reservas e, quem sabe, agir diplomaticamente de modo mais produtivo – e por aí controlando as bobagens que diz e faz Ahmadinejad tentando constranger o Ocidente.

Estava em meio a tais ponderações, aceitando as boas possibilidades do acordo, quando dias depois, uma notícia não devidamente explicada ou explorada dava conta de um anúncio que surpreendera o “governo brasileiro”: a despeito do acordo tão festejado, o Irã não abrirá mão de enriquecer urânio em até 20%. (1)

E o acordo? De 20% vai a quanto no futuro? A bomba atômica no fundo, não é uma real aspiração iraniana? O Irã abrirá as portas de suas usinas para que inspetores da ONU, sempre que entendam necessário possam fiscalizá-las já que continuará com o enriquecimento de urânio?

Há, pois, flancos abertos no conjunto todo da negociação havida pelo que haverá que se dar tempo para que essas indagações sejam respondidas. Há muito que esclarecer.

No calor de todo esse debate o premier turco Tayyip Erdogan diria:

“Este é o momento de discutir se acreditamos na supremacia da lei ou na lei dos supremos. Enquanto os EUA ainda têm armas nucleares, de onde tiram credibilidade para pedir a outros países que não as tenham”. (2)

Realmente os Estados Unidos desenvolveram a bomba por conta da ameaça alemã durante a Segunda Guerra que também perseguia sua fabricação.

Sim, a experiência atômica foi dos Estados Unidos no Japão.

Com o fim da guerra, sobreveio a “guerra fria”, o poderio russo, ostentado, ameaçador o que incentivou, infelizmente, outras potências a fabricarem também suas ogivas nucleares. Não é segredo que hoje alguns poucos países, sem serem “potências” também dispõem desse armamento tão devastador.

Acredito que essas armas tão letais estão sob controle nos países que as detém, mas eu respondo à indagação do premier turco com preocupação externada pelo investidor Warren Buffet que com Bill Gates dedica-se à caridade bilionária. Mais ou menos nestes termos:

“Temos que evitar a proliferação de armas nucleares porque tem muita gente má no mundo.”

Os que possuem a bomba nós já conhecemos; os que aspiram tê-las são uma incógnita até pensando na possibilidade de transferência de tecnologia clandestina.

É isso aí.

“Salve” o 11 de setembro.

Referências no texto:

(1) “O Estado de São Paulo” de 20.05.2010

(2) “O Estado de São Paulo” de 23.05.2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

BULLYING




A intensificação do “fenômeno” bullying. que não é novo. A necessidade premente de campanha maciça de natureza educativa para coibi-lo. O apoio da escola e dos professores e os cuidados dos pais. Memória.



O “bullying” não é uma prática nova. (1)

O seu significado simplificado por ser assim posto:

Bully, do inglês, significa brigão e como verbo, ameaçar, amedrontar. Então, seria ameaçando, amedrontando.

No passado que me lembre havia, sim, aqueles alunos mais inseguros ou considerados “delicados” que sofriam o assédio dos colegas, a ponto de infernizar suas vidas. Eram vítimas, também, simples alunos sem qualquer particularidade, “eleitos” por algum grupo de valentes apenas para infernizá-los gratuitamente.

O que se dá hoje é a intensificação dessa violência física ou moral, por conta de um quadro social repleto de disparidades, amplificando preconceitos e desajustes.

Como um derivativo desse tratamento de violência moral se dá hoje dentro dos muros da própria empresa. Algumas situações reais:

1. A adjetivação dada a um empregado que não cumpre metas;

2. O desacato verbal por dificuldades do empregado em cumprir determinadas tarefas;

3. A demoção, colocando o empregado em situação constrangedora, como por exemplo, deixá-lo sem função ou atribuindo-lhe tarefas humilhantes;

4. Deslocar o empregado para função subalterna, inferior à que exerce num período de crise como promessa de garantia do emprego e depois mantê-lo na função ou o demitir tão logo a crise seja superada;

5. O assédio sexual.

De um executivo vivendo uma crise incontornável com sua nova gerência, excluído abruptamente das atividades que exercia com eficiência, humilhado, dizia-me que se lembrava de sua competência diariamente lendo todas suas realizações descritas no seu próprio currículo.

Essas situações e outras tantas arruínam, dilaceram o amor próprio do empregado, daí porque essas práticas, o “assédio moral”, constitui-se demanda crescente no Judiciário do Trabalho. Nesse âmbito há, pois, essa instância para a devida correção, mesmo que de natureza financeira (indenizações).

No meio estudantil, as notícias se repetem na grande imprensa: os pais que incentivam os filhos à agressão, a ser valentes; sujeitos da agressão, o estudante negro desrespeitado com apelidos depreciativos, o bom aluno agredido porque é bom aluno, porque é gordinho ou gordinha, porque tem algum desvio de personalidade de natureza sexual, defeito físico, porque usa grossas lentes e por aí vai.

São atitudes que deprimem, enfraquecem a auto-estima do “eleito”, que perde a alegria própria da idade, fazendo do retorno às aulas um pesadelo, um inferno diário.

Num dado momento reage e se recusa a voltar para a escola porque a agressão se tornara insuportável.

Há notícias de casos extremos, como o suicídio das “vitimas” do bullying e, como se deu nos Estados Unidos, a reação desesperada de assediados desprezados ou humilhados no seu ambiente escolar.

Qual a causa próxima desses desvios, dessas agressões?

As respostas são até óbvias:

1. Pais ausentes, geralmente por conta do trabalho;

2. Excesso de “carinho”, mimo, pouca educação e muita tolerância às graças do garoto (a) – “próprias da idade”; incentivo à valentia;

3. Pais desagregados (2);

4. Banalização da violência; as notícias diárias informam de mortes violentas em crimes absurdos que chocam;

5. Pedofilia na infância - que pode gera um sentimento de vingança (3);

6. Agressão na infância, rejeição e abandono – o que dizer da ex-procuradora do Rio de Janeiro que partira para o massacre literal contra menininha de dois anos que pretendia adotar?

7. Falta de princípios morais e éticos que a religião pode oferecer, mas evitando o fanatismo dando ao jovem discernimento e escolhas dentro dessa perspectiva;

8. Jogos eletrônicos de extrema violência no qual vence o jogador que mais mata – aqui também a banalização da violência e da morte.

Essas são “causas próximas” até óbvias.

Mas, qual a solução imediata e urgente possível de conscientização no meio adolescente?

O “bullying” precisa deixar de ser uma tese acadêmica, de frequentar o noticiário indignando os expectadores ou até mesmo o noticiário policial - como se dá nos trotes violentos e sem sentido em algumas Universidades - para se tornar desde logo objeto de campanha nas salas de aula já nas primeiras séries do ensino.

Não com palestras sonolentas cheias de lugares comuns, mas campanha permanente de conscientização e instrução com material didático de fácil compreensão, como forma de alertar principalmente os virtuais ou contumazes agressores do mal que fazem às suas vítimas. Incentivar o respeito dentro de um conceito amplo de amizade, falando da paz e até mesmo da preservação ambiental que também aí se insere.

E nesse contexto, a atenção permanente da escola em coibir os abusos, reunir pais – que devem estar atentos - e alunos e dizer de modo categórico àqueles que a valentia dos seus filhos provém de distúrbios que precisam ser psicologicamente analisados e às vítimas do “bullying” todo o apoio da escola, dos professores e principalmente dos pais.

O trabalho é de base e deve começar agora, hoje, como uma reação a esse estágio obscuro que vivemos e, pior, no meio de tantas tragédias começamos a não mais nos indignar, a considerar eventos normais da vida.

Referências

(1) A crônica abaixo, publicada no blog http://martinsmilton.blogspot.com de 03.10.2009 retrata minha experiência pessoal com o “bullying”:

“Há tempo para tudo e tudo passa com o tempo. Essa frase de efeito me faz pensar em muitas coisas e até na palavra bullying que trata do fenômeno odioso da agressão gratuita que se dá no ambiente escolar. Pequenas gangs ou valentões “elegem” alguns colegas de classe ou da escola e passam a infernizar suas vidas. Diariamente.

Nos meus velhos tempos de ginasial me deparei com essas situações. Vivi essa experiência odiosa.

Em várias oportunidades fui vítima do hoje denominado bullying.

A que mais me lembro, refere-se a um sujeito sempre acompanhado de outros dois ou três, e fui eu o “eleito” para ser sua vítima. Era tapa na cabeça antes da entrada nas aulas e durante as aulas quando distraído o professor, rasteiras e por aí seguia. Por dias, semanas, meses.

Era um tormento minha chegada à escola. Tinha lá os meus medos do que poderia ocorrer se eu reagisse.

Até que um dia, no limite do insuportável, ao se aproximar para mais uma das suas à minha chegada, eu o empurrei violentamente. Ele caiu sentado, sob o olhar perplexo dos seus colegas, na verdade, uma ganguezinha. Todos riram.

- A seu fdp. Te pego na saída, disse ele raivoso e envergonhado.

Aquela manhã foi de pavor. Rezava para que ele fosse embora.

Na saída, do lado de fora do portão, lá estava ele me esperando. Toda a classe sabia do que viria. Um espetáculo de luta livre ao ar livre sob o sol ardente.

Eu naqueles tempos difíceis usava sapatos com solado de pneu, pesados, pois.

Fomos para um terreno próximo com farta assistência nos seguindo entusiasmada.

Descobri naquele dia que sabia brigar. Meu sapatão brilhou solto. Rolamos pelo chão de terra e poeira e por fim, meu bullyinista levou a pior. Abandonou a briga.

Claro que essa contenda teve repercussão na escola. Senti-me por uns dias o “Shane” de “Os Brutos Também Amam”, filme da década de 50 até hoje emblemático.

O sujeito no dia seguinte, hematoma num dos olhos, não conseguindo nem mesmo disfarçar as dores nas pernas, disse que ia para a revanche mas sossegou, nunca mais se aproximou de mim.

Peguei fama de bom de briga, nada a me orgulhar. Meu orgulho é nunca ter começado uma.

Quero deixar este depoimento pensando no que se passa hoje, perplexo com o mostrado há pouco na televisão, a mãe ignorante incentivando a filha a surrar uma colega. E outros casos desse naipe e graves.

Há que serem apoiados aqueles que são vítimas do bullying. Vigilância permanente nas escolas para coibir a agressão física ou moral. E a atenção dos pais. Para os “eleitos”, é infernal cada dia e um pesadelo o dia seguinte, o dia seguinte, o dia seguinte...

E nada de imitar Shane. A malvadeza hoje supera qualquer vilão.”
Há que pedir ajuda dos pais e da escola às primeiras ameaças.

(2) Meu artigo “Filhos abandonados” de 28.06.2009, neste portal

(3) Meu artigo “Pedofilia, crime vil e inominável”, de 24.05.2009, neste portal.

Figura: www.childsafetyaustralia.com.au

terça-feira, 11 de maio de 2010

GREVE DE 1978: O INÍCIO DE TUDO

Memória. Datas que se perdem no tempo. A greve dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo iniciada em 12 de maio de 1978. A ascensão de Lula na mídia nacional de internacional. A “liberdade na distensão”. O meu “desgaste” pessoal.

Naqueles idos de 1978, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo assumira uma posição agressiva, opondo-se em relação às negociações coletivas – se assim podem ser chamadas - que eram decididas na Justiça do Trabalho, nas reuniões de conciliação e julgamento.

A greve era regulada pela Lei n° 4330/64 que por série de obstáculos praticamente a inviabilizava para que fosse considerada “legal”.

Essas restrições e modos de resolver as reivindicações trabalhistas se arrastavam desse modo, resultando em justas expectativas reprimidas dos trabalhadores.

Esse estágio não poderia perdurar por muito tempo, até que em 12 de maio de 1978, na fábrica da Scania, em São Bernardo do Campo, contrariando a “lei de greve” seus operários paralisaram suas atividades, reivindicando aumento salarial.

Não levada a sério desde logo, com surpresa ela começou a perdurar.

Embora o movimento sindical já despontasse agressivo naquela cidade, irradiando-se por todo o ABC, a verdade é que aquela greve não tivera a intervenção do Sindicato. Nascera dentro da fábrica por iniciativa de seus empregados insatisfeitos com as perdas salariais e com a falta de liberdade de assembléia.

Por isso, esse movimento daria uma sacudidela na "abertura" palavra que começava a aparecer para identificar uma possível lenta e gradual volta à liberdade no país, presidido por Ernesto Geisel.

A greve avançava em São Bernardo e começava a dar sinais de que a qualquer momento alcançaria todo o ABC e, mais tarde por todo o Estado de São Paulo.

Perdidos os empresários porque há mais de uma década não assistiam uma greve e alguns sequer tinham convivido com tal movimento algum dia depois de 1964 propiciaram desgastes de toda ordem, muitas alternativas inúteis tentadas para fazer os trabalhadores voltarem, “pedidos de votos de confiança”, vazios, sem qualquer êxito. Via-se naqueles dias uma bem estruturada “greve dos braços cruzados”, inicialmente sem liderança.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, Luiz Inácio da Silva – o Lula, já se destacando como dirigente sindical -, por falta de qualquer outra opção até porque a greve avançava, foi chamado pelos empresários da indústria automobilística para negociar um acordo.

Esse acordo seria firmado entre o Sindicato e o SINFAVEA (Sindicato da Indústria Automotiva) no fim daquele mês de maio resultando na volta ao trabalho dos metalúrgicos. A FIESP com o objetivo de encerrar a paralisação no Estado aderiu ao acordo.

A partir daí, começaria um notável nível de bajulação sobre a “estrela” Lula, “o dirigente sindical autêntico” que anunciava a organização dos trabalhadores de sua cidade e Diadema – o que realmente ocorreu, não só pelos movimentos paredistas posteriores como pelo fortalecimento deles no recinto das fábricas.

Na imprensa, o dirigente sindical passou a ser um ícone para “resolver” todas as questões nacionais e internacionais, o que lhe deu projeção aqui e no exterior.

Ficou famosa sua entrevista na TV Cultura de São Paulo nos dias da greve 1978, quando afirmou que rejeitava a política:

“Não tenho pretensão política. Isso eu faço questão de deixar bem claro, eu quero dizer que a única coisa que aprendi a fazer na minha vida foi ser torneiro mecânico, e estou tentando aprender a ser um bom dirigente sindical. Não tenho pretensões políticas, não sou filiado a partido político e tenho certeza de que jamais participaria da vida política, porque eu não sirvo para político.” (1)

Certa feita um dirigente sindical dos idos anteriores ao regime militar de 1964 dissera com todas as letras que há um momento que o sindicato é maior que o dirigente e há um momento em que o dirigente se torna maior que o seu sindicato. Nesse momento o líder sindical envereda para a política.

Esse tipo de postura de um dirigente sindical foi um achado para Geisel e Golbery do Couto e Silva que articulavam lentamente a abertura política “gradual”.

Não havia e isso já demonstrei no meu artigo de 01.04.2009, qualquer animosidade de Geisel contra Lula. Sobre a greve dissera Geisel: “A liberdade na distensão”. (2).

E isso é tão sintomático que até mesmo o Cel. Erasmo Dias, Secretário de Segurança Pública de São Paulo entre março de 1974 e março de 1979 – o mesmo que invadiu a PUCSP em 1977, para coibir manifestações da UNE - nessa entrevista de Lula à TV Cultura, fez pergunta bastante amena ao dirigente sindical em franca projeção.

Depois disso, todos sabem, novas greves com intensa repercussão, e logo depois, em fevereiro de 1980, era fundado o PT em São Paulo, congregando representantes da igreja, intelectuais, militantes radicais. O PT deu no que deu. E Lula, deu no que deu. Sobre essas variáveis, tenho escrito aqui até com frequência neste portal.

MEU DESGASTE PESSOAL NA GREVE DE 1978: “O dia em que a boiada virou boiadeiro”

Esta crônica já não é nova, já publicada (3), rigorosamente verdadeira reflete meu desgaste pessoal nas greves de 1978. Aborrecido com a experiência “heróica” que não dera certo, andara por aqueles dias cabisbaixo na empresa multinacional do ramo automotivo que trabalhava.

Até que um colega de uma empresa concorrente num almoço se sai com esta:

- Sabe, aquela sua experiência do contato pessoal com a "peãozada" no meio da fábrica foi interessante, porque provou que a negociação não pode ser direta empresa-empregado, mas empresa-sindicato. Que descoberta!

Foi o que restou!

Já lá se vão 32 anos. Lembrem-se que a perplexidade empresarial era total. Improvisos e ridículos não faltaram. Quem viveu...

A greve avançava em São Bernardo e começava a dar sinais de que a qualquer momento chegaria a Santo André, cidade onde trabalhava. Havia, no ar, nessa expectativa, um incômodo nervosismo, do momento em que a fábrica pararia. Mas, pararia mesmo?

Claro que pararia!

Numa tarde quente, houve uma paralisação rápida. Toda a supervisão foi mais que depressa ao "chão" da fábrica. Foram reunidos os mais de mil empregados da produção, em pequenos grupos sendo convencidos a retornarem ao trabalho, prometendo-lhes uma resposta às reivindicações dois dias depois.

Houve certa emoção, um sabor de vitória, depois dessa primeira experiência porque as metalúrgicas estavam todas paralisadas então. Aquela massa de macacão, meio identificada com as máquinas, integrante delas, suja de graxa, tinha voz, tinha olhos, pensava.

Passaram-se os dois dias. Pelo generalizado estado de perplexidade então reinante com a forte greve, nada fora resolvido, as negociações não haviam evoluído. Na verdade não houvera negociação. Resultado: nada havia a oferecer, até porque os empresários mais jovens por nunca terem enfrentado uma greve, não sabiam como negociar.

Muitos foram conhecer o movimento sindical no exterior, mas a teoria era bem diferente da prática.

Próximo do horário marcado, todos nós estávamos tensos, a supervisão e os empregados.

No momento exato em que os ponteiros completaram a volta das 14 horas, a fábrica começou a parar. Aquele ruído cadenciado, às vezes ensurdecedor, silenciou.

Seguiram-se muitas tentativas desordenadas e inúteis de mudar o quadro, reuniões com todos os empregados mas o nervosismo imperava. Era generalizada a inexperiência de todos no enfrentamento de um movimento daquela magnitude, mais ainda porque não havia lideranças entre os grevistas declaradas ou conhecidas.

Dois dias depois, já vivendo um nível geral de desgaste reuni, como administrador de recursos humanos que era, então, um grande grupo de operários na área da fábrica, exatamente onde começara a greve. E ali tentara o diálogo franco, aberto. Um ato insensato de heroísmo barato.

Vi-me diante de uma "boiada" reunida, tentando que voltasse para seu "pasto" sem ração.

E o que dizer diante de seus olhos penetrantes, preocupados e tensos? O que fazer para que acreditassem na sinceridade de um estranho, engravatado, que vez por outra aparecia na fábrica com pose arrogante, sem qualquer proposta a oferecer, apenas (mais um) pedido de "voto de confiança"?

Essa "boiada" sequer admitira palavras fortes, palavrões de porta de botequim a esmo pronunciados por mim no auge da insensatez. Fora questionado no ato por tais palavras por um humilde peão:

- Como um alto dirigente poderia pronunciar tais palavras de baixo calão?

Alguns "sem rostos", gestos quase imperceptíveis, mas suficientemente convincentes, afastavam o ânimo daqueles que manifestavam alguma intenção de retomar o trabalho.

O esforço de nada valeu, restou apenas o desgaste pessoal.

A greve manteve-se firme, só encerrada mais tarde, depois de garantidas algumas reivindicações, já com as negociações iniciadas.

O aprendizado começara.

Pelos olhares daqueles peões, definira desgastado tudo aquilo que passara com uma frase que jamais abandonaria: “naquele dia em que a boiada virou boiadeiro”.


Com as negociações vitoriosas, a consagração do sindicalista Lula em pleno regime militar. Tudo muito conveniente. (*)

Referências:

(1) “Lula – Entrevistas e discursos” – ABC D – Sociedade Cultural / 1980.
(2) “Crônica Sindical (com Geisel & Lula)” de 01.04.2009 neste portal
Trecho: “Sempre houve rumores de que a ascensão de Lula fora um “achado”, para o general Golbery do Couto e Silva, o influente chefe da Casa Civil de Geisel, que não lia na cartilha da “linha dura” e articulava a denominada “abertura lenta e gradual”. Lula atuaria, então, no flanco sindical, “útil” nesse objetivo.
No seu livro de memória, Geisel se referira a Lula com condescendência, embora o qualificasse de “espantalho” para justificar seu voto em Collor. Quando inquirido sobre as greves lideradas por Lula, disse Geisel que o País vivia tranqüilo mas começava a ser perturbado por elas: “Eram fatos desagradáveis, mas que faziam parte da liberdade que a distensão procurava assegurar”. (“Ernesto Geisel”, org. por Maria Celina D‘ Araujo e Celso Castro –FGV. Ed./1997).
(3) “Sindicalismo e Relações Trabalhistas” de minha autoria.

(*) Temas correlatos: "Crônica Sindical (com Geisel & Lula)" e "O sentido do 1° de Maio" ambos de 02.04.2010

Foto: Folha Imagem (Google)

segunda-feira, 3 de maio de 2010

ESTE “ADMIRÁVEL” MUNDO LOUCO

Insanidades: imensas áreas do Cerrado devastadas, servindo sua vegetação para virar carvão para siderúrgicas. É possível admitir-se que a explosão da plataforma no Golfo do México não tivesse plano de emergência a desastres? Lula e a lista da revista "Times".

Já escrevi neste portal vários artigos sobre fenômenos “humanos” e fenômenos naturais que se assistem neste insensato mundo.

No que se refere aos fenômenos “humanos” acentuei de regra os descalabros que provocam sobre o meio político e sua degradação com os seguidos escândalos de corrupção ou de queda moral.

Sobre a questão ambiental, já escrevi há menos de um ano que a expansão em escala gigantesca do rebanho bovino e produção da carne resulta nos danos ambientais seguintes:

i - Devastação pelo fogo de imensas áreas de mata nativa para comportar pastagem, contribuindo para o efeito estufa;

ii - Grandes áreas de plantação de soja – que pode se dar nas áreas de pastagens deterioradas. A soja é, entre outros, um componente da ração bovina;

iii - A flatulência e as excreções dos animais produzem em larga escala gás metano que afeta negativamente a atmosfera e a camada de ozônio pelo efeito estufa;

iv - A devastação florestal que se dá para a produção de carvão vegetal – que produz também CO2 - para sustentar os churrascos e as churrascarias. (1)

Quanto a este último item desconfiava que o carvão não serviria apenas aqui e acolá para os imensos churrascos e mesmo pilhas de pizzas. Mas, por falta de informação precisa naquele momento, silenciei.

Eis que há pouco, a questão da produção do carvão vegetal foi expressamente suscitada pelo ex-ministro Carlos Minc, mas para sustentar fornos de grandes empresas siderúrgicas. Leia-se o que diz parte da notícia:

“Apesar de afirmar que o desmatamento no Cerrado “está beirando o descontrole”, o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc quer dar prazo até 2013 para que as grandes empresas siderúrgicas parem de usar carvão vegetal de áreas nativas.”

E o nível de devastação:

“Responsável por 5% da biodiversidade do planeta e uma das savanas mais ricas do mundo, o Cerrado é um dos biomas mais ameaçados do país. Entre 2002 e 2008 foram devastados 85 mil quilômetros quadrados de vegetação nativa” (2)

Quando leio algo assim, sem que essas grandes siderúrgicas reajam, como induz a notícia não se prestando nem mesmo ao replantio e recuperação das áreas devastadas, entro num processo de revolta profunda, para não dizer emocional.

Essa notícia anunciava a assinatura de decreto que exatamente impunha aquele ano (2013) para o fim da devastação naquela proporção e velocidade, para produzir carvão. Se até lá sobrasse alguma coisa. Mas, o decreto não veio.

De outra parte, neste país de ninguém, os meios de comunicação alardeiam até com frequência que “houve diminuição da devastação na Amazônia”. Mas, a notícia, truncada, incompleta, não estabelece termos de comparação e não informa o tamanho da devastação, mesmo com a propalada redução. O grave nisso é que a devastação prossegue, só que com menos motosserras em aplicação. Que consolo!

Neste mundo louco, tudo é possível quando se trata do interesse econômico. Países europeus auxiliam a Grécia falida com montanha de euros mas postergam indefinidamente medidas sérias para a preservação ambiental para reduzir a poluição atmosférica. Enquanto nas escolas de todo mundo as crianças são ensinadas a respeitar o ambiente, seus pais e avôs, desde que esteja em jogo o lucro das instituições nas quais têm interesse, valem-se dos recursos ambientais sem pensar duas vezes. Até para fazer carvão de florestas, já não bastassem os pastos a perder de vista no horizonte. Ou despejar toneladas de poluentes no ar, nas águas...

Este é o mundo louco, “racional”, repleto de objetividade, mas desprovido de senso.
O que dizer da mancha de óleo no Golfo do México? O desastre possível naquelas proporções, não teve por tudo o que se noticia, qualquer plano de correção, de minimização do desastre se ele ocorresse. Ele ocorreu e não há recurso até agora para estancar o vazamento no fundo do oceano. Todos, sem exceção, mesmo Barack Obama, fixaram-se nas janelas esperando divisar a mancha poluidora em suas praias

A reação foi de uma lentidão inaceitável.

Estamos condenados, além do imenso prejuízo ecológico, a assistir com emoção, mais uma vez, pássaros e animais marinhos semimortos encharcados desse óleo que vaza sem parar.

Que mundo é este?

Por último, dentro dessas inconsequências não posso deixar em branco a “eleição” de Lula, pela revista americana “Times”, como das personalidades mais influentes destes tempos.

Por qual motivo fora premiado?

Porque encara Barack Obama apoiando o Irã de Ahmadinejad que não tem sido convincente nas suas afirmações sobre o projeto nuclear do seu país, se pacífico, indo na contramão da comunidade internacional? Em apoiar os irmãos Castro de Cuba, ditadores, que haveriam que ser estudados como políticos jurássicos? Por dar apoio a Hugo Chaves, ditador que leva o seu país para trás, Evo Morales da Bolívia e outros?

Qual o seu grande feito para merecer tal menção? O que há por trás dessa e outras honrarias? Seria só o encantamento que transmite um metalúrgico presidindo o maior país da América Latina que mal se comunica na sua língua nativa? Ou porque faz a reforma agrária mas financia movimentos de supostos trabalhadores sem terra que exatamente contestam os resultados da mesma reforma agrária?

Isso tudo já cansou. Constituem-se um desserviço ao momento político do Brasil essas honrarias desfundamentadas.

Mundo louco é assim.

Referências:

(i) “Meio Ambiente: nada a comemorar”, de 07.06.2009. Outros artigos explanando temas ecológicos: “O rebanho bovino e a emissão do efeito estufa” de 15.12.2009 e “Copenhague adia vínculos para o México em 2010” de 21.12.2009

(ii) “O Estado de São Paulo” de 17.03.2010 (assinado por Ligia Formenti)

Foto: Mancha de óleo no Golfo do México - NASA / Google.