domingo, 26 de dezembro de 2010

DA EXPULSÃO DOS TRAFICANTES DOS MORROS CARIOCAS AO CRACK

A expulsão dos traficantes dos morros cariocas foi uma ação importante. Os antecedentes para explicar tantas armas e drogas. O combate ao tráfico. O crack e a devastação física e psíquica que provoca nos viciados. Falta de políticas de saúde.

A expulsão dos bandidos e traficantes do Complexo do Alemão no Rio de Janeiro continua sendo comemorada até pelo modo como se deu a sua fuga. Pelos esgotos e caminhos tal qual ratazanas assustadas em vias de serem abatidas.

Ação coordenada entre as forças do Exército e polícia foi espécie de “satisfação para o mundo” de que o Rio de Janeiro “limpava” os seus morros de tal modo a viabilizar sua parte na próxima Copa do Mundo e a organização das Olimpíadas de 2016. A certeza de que o tráfico não domina o Rio de Janeiro.

Foi, sim, uma ação vigorosa e alívio de se ver.

Mas, sempre um “mas”, faço perguntas que não me calam:

Como foi possível esses bandidos acumularem toneladas de drogas nos morros e, mais, a quantidade de armas de grosso calibre que do mesmo modo tinham à sua disposição? Como todo esse arsenal chegou até lá sem que houvesse interceptação? Não fossem os atos insanos de “guerrilha” desses bandidos em atacarem a cidade com a queima de ônibus e outros vandalismos toda essa droga e armas ainda lá estariam? A quem pode ser atribuída a responsabilidade pelo domínio conquistado pelos marginais a poder de armas e drogas nos morros?

Pergunto, mas não creio que os atores da bem sucedida operação de resgate respondam. Que se comemore e vitória e os louros merecidos! O resto é passado (?).

Valho-me, porque entendo perfeitamente aplicável no que se refere à organização (desmantelada) dos marginais nos morros do Rio de Janeiro, de resposta do futuro Ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, à indagação do seu modo de combater a corrupção e os crimes do colarinho branco:

“O crime organizado não vive sem corrupção de autoridades estatais, de todos os níveis, de todos os poderes, que muitas vezes guardam conexão com o crime do colarinho branco. Dificilmente um crime se organiza em larga dimensão se não houver a conivência de parte do aparelho do Estado. Então, o enfrentamento do crime organizado passa pelo enfrentamento da corrupção (...)” (1)

Claro, pois, que toda a droga encontrada no “Complexo do Alemão” e as armas de grosso calibre apreendidas são indícios fortes de corrupção porque tudo está indicando que passaram nas “barbas” das autoridades que deveriam apreendê-las num processo contínuo de fiscalização.

De outra parte, a quantidade de drogas apreendidas dá uma idéia tênue do que armazenam nas suas pocilgas os traficantes do Rio de Janeiro. No silêncio, os traficantes que sobreviveram no Rio de Janeiro e fugiram tendem a se reorganizar porque o lucro é fácil, o vício é grande e a corrupção sempre possível.

Mas, o problema não é só do Rio de Janeiro. É, também, de São Paulo e de outros grandes centros.

O combate à entrada das drogas no País, pois, está a exigir ações enérgicas e permanentes nas fronteiras com a Bolívia e Paraguai, sem tréguas. Pouco resolve cuidar das entradas principais e deixar as entradas secundárias livres com a desculpa de que não é possível controlá-las todas.

Há, sim, que se combater o consumo mas, primeiro, há que se combater o tráfico, a facilidade da obtenção das drogas.

Presentemente despertam as autoridades não só para os perigos da maconha – um largo atalho para o consumo da cocaína e do crack. Os malefícios desta última, que cria zumbis modernos, violentos ou não vivem em regiões promíscuas e imundas de São Paulo, tolerados e, pior, ignorados pelas autoridades.

O colunista do portal “VoteBrasil” Segadas Vianna no seu artigo “O Brasil (infelizmente) aprendeu a conviver com o crack”, diante desse “fenômeno”, afirmara:

“Outro dia fiquei chocado com a naturalidade que um repórter de televisão narrava uma notícia. ele dizia com a maior naturalidade: - 'Estamos nos aproximando da região da cracolândia (em SP). Ou seja, a cracolândia paulistana virou uma 'região' da cidade.

Hordas de mortos vivos se amontoam nas ruas da maior cidade do país e morrem e matam sob o olhar indiferente das autoridades e de boa parte da população. Pais vagam desesperados atrás de seus filhos fugidos para as cracolândias.”
(2)

O crack, é bom esclarecer, é um subproduto da pasta da cocaína diluída com solventes e misturada com bicarbonato de sódio ou amônia. As pedras, são fumadas em cachimbos improvisados. O nome provém do inglês “crack” que significa ‘quebra’, por conta dos estalos produzidos pelas pedras no processo de queima. Em poucos segundos a fumaça chega ao sistema nervoso central produzindo forte sensação de euforia – superior à da cocaína. Passado o efeito, o viciado entra num processo depressivo o que o obriga a novamente consumir a droga. (3)

Seu consumo se expande porque é mais barata que a cocaína.

Há pouco, em manchete, a imprensa noticiou que na rede particular de ensino, 55% dos alunos já usaram drogas; na rede pública, 40%. O levantamento feito pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) com quase 51 mil alunos em todas as capitais revelou que os estudantes, no porcentual acima seja escola particular, seja pública, já consumiram maconha, cocaína e crack pelo menos uma vez. (4)

A mesma notícia aponta a omissão oficial no que se refere à área da saúde. Segundo o Ministro José Gomes Temporão, seria “romântica” a ideia de basear o combate ao problema com ações na área da saúde”, acentuando que é preciso combater o tráfico.

É que fora gasto apenas 2% dos R$100 milhões previstos no “Mais Saúde”, dentro do “Programa de Enfrentamento de Crack e Outras Drogas” (5).

Como se observa, então, em termos de política de saúde, a omissão do Governo Brasileiro fora total e ainda com a desculpa, segundo o Ministro, que a “solução” está apenas no combate ao tráfico. E os viciados, os doentes do crack de hoje?

Ora, que fiquem vegetando nas cracolândias. Essa conclusão é o que se depreende da resposta do Ministro da Saúde que está saindo do Governo.

Estou me estendendo muito, mas procuro ressaltar a complexidade do tema: o tráfico livre até aqui, a corrupção em setores oficiais considerando o volume de drogas e armas em poder dos traficantes, a devastação física e psíquica que produz nas vítimas o crack, principalmente, e outras drogas e a falta de efetividade numa política de saúde do Governo Federal.

→ →(Coloco-me disponível para sugestões, críticas e principalmente correções às minhas opiniões e informações).

Referências no texto:

(1) Jornal “O Estado de São Paulo” de 12.09.2010

(2) “O Brasil (infelizmente) aprendeu a conviver com o crack” – VoteBrasil.com de 08.12.2010.

(3) Informações extraídas da Wikipédia.

Segadas Vianna sintetiza o que seja o crack deste modo: “O que é o crack ? O crack, também conhecido como ‘pedra’ é um subproduto do processamento da cocaína. A cocaína, durante seu processo de elaboração tem de ser lavada com éter ou acetona ou até mesmo querosene e desta ‘lavagem’ resulta a cocaína, que vai ser secada para a venda e os resíduos que ficam no tanque de lavagem. Este resíduo é o crack.” (“Saiba tudo sobre o crack – a droga da morte” – coluna VoteBrasil de 03.12.2009)

(4) Jornal “O Estado de São Paulo” de 17.12.2010.

(5) Jornal “O Estado de São Paulo” de 17.12.2010

Foto: Criança consumindo crack (Google)

domingo, 19 de dezembro de 2010

OVELHAS QUE NÃO BALEM

O golpe contra o povo brasileiro: aumento de 62% nos salários dos deputados e senadores em votação simbólica. A ausência de protestos do povo brasileiro nas ruas. "Somos todos ovelhas que não balem conduzidos ao sacrifício da imoralidade."

Nesta “coluna” já demonstrei minha indignação com o Congresso Nacional pelos seus desmandos ao nível do deboche contra o povo brasileiro, insurgi-me contra o número de deputados e senadores, em maior número do que o Congresso americano – proporcionalmente no que se refere aos senadores –, não resisti ao presidente Lula, o “homem com 80% de aprovação” de sua gestão, pelo ridículo de muito de seus discursos e ações, pela soberba que o assalta “como nunca antes neste país”, ao eleger sua candidata desconhecida no cenário político brasileiro, ao posicionar Sarney como personalidade acima do bem e do mal, retribuição pelos panos quentes de que teria se servido o senador nos tempos incertos do “mensalão”, e com o próprio parlamentar maranhense, eleito pelo Amapá, por manter seu estado, o Maranhão, o mais miserável do país – e por miserável lá mantém o seu domínio. Com o PMDB oportunista e mercenário na busca de cargos em troca de apoio ao poder dominante e minha irritação com o sorriso de giaconda de seu presidente, agora eleito como vice.

O quê mais?

Que busquem nas nove dezenas de colunas aqui publicadas.

Como se dá na grande imprensa não tenho me omitido naquilo tudo que me indigna e sob minha ótica faz esta país um campo de abusos, de impunidade, de corrupção em todos os escalões...

Mas, a imprensa de um modo geral é fugaz. De regra – há exceções – uma denúncia de hoje, um editorial bem formulado, são “arquivados” na edição de amanhã e assim sucessivamente. Mas, esse fato não pode gerar esmorecimentos.

Pois bem. No dia 15 último, o Congresso Nacional elevou seus vencimentos, de R$16.512,00 para R$26.723,00 significando elevação de 62%.

Este é um país pobre, com milhões de cidadãos passando fome. Esses salários, quinze ao ano, superam os vencimentos de congressistas de países do denominado 1° Mundo

Tiveram os congressistas como paradigma os vencimentos do Supremo Tribunal Federal. Mesmo não estando a mais alta Corte Judiciária num momento de superação, equipararam o humilde Tiririca, semialfabetizado a qualquer ministro do Supremo. E outros tantos em condições pouco melhores que se elegeram.

E claro que com ele, já “diplomado” como deputado, as coisas ficaram piores, em contraposição ao seu “slogan” tão repetido, “vote em Tiririca, pior não fica”!

Esse reajustamento imoral, por força de disposição constitucional, poderá gerar efeito cascata, autorizando reajustamentos na mesma proporção nas Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais, respectivamente, em todos os Estados e Municípios brasileiros. Não só imoral o ato unilateral legislando em causa própria, mas também irresponsável.

Tenho ouvido em todos esses dias comentários tão jocosos quanto descabidos de circunstantes, mas todos apontam o absurdo dos aumentos. Todos se conformam, dão de ombros, reclamam que de modo doloroso pagarão o imposto de renda em 2011 para sustentar as garras da rapina. Dinheiro jogado no esgoto!

A imprensa ainda insiste. O jornal o “Estado” de hoje publica charge do formato de Brasília, um avião e os “sinais particulares” tem como legenda, “ave de rapina”.

Mas, como disse, os jornais têm a fraqueza da fugacidade.

Claro que esses congressistas se aproveitaram das festas de fim de ano e a volúpia das compras de Natal que provocam, do “oba-oba” da posse próxima, da loquacidade de Lula e os seus 80% de aprovação, para incluir no pacote esse ataque contra a bolsa do povo brasileiro.

Mas, pelo jeito, nada mudará as disposições dos congressistas.

O povo brasileiro se conforma, se acomoda, não reage, faz ironias na hora do jantar, vê sua novela que o aliena e dá o dia, cada dia, como realizado.

Na verdade, para mudar esse e outros abusos, o povo teria que sair às ruas promovendo protestos veementes (nada com vias de fato), uma espécie de CCQ gigante que acue esses congressistas fazendo-os mudar seus atos insensatos, serem controlados pelo povo presente.

Esqueçam abaixo-assinados, lista de protestos na internet!

Sem protestos de rua, todos somos nada além do que ovelhas que não balem preparados para o sacrifício no altar da imoralidade.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

CLIMA: CANCÚN DEVAGAR MAS CAMINHOU

Cancún deu passos nos rumos de um acordo climático que se espera ocorra em 2011 na Conferência em Durban (COP 17). A necessidade de conter as emissões de gases do efeito estufa. É chegada a hora de destinar parte das riquezas obtidas da degradação ambiental nesse objetivo urgente.


Há um ano escrevi sobre a Conferência do Clima em Copenhague (COP 15) (*) acentuando que se dera, então, uma espécie de “estudo” entre os principais partícipes, Estados Unidos e China, os maiores poluidores, nenhum dos dois querendo mostrar o seu jogo e pensarem estar “entregando os pontos” no que se refere aos seus interesses.

E, nesse estado de aparente indiferença com o tema, deixaram rolar a Conferência, sem um resultado concreto, algo efetivo que pudesse ser comemorado.

Dissera, então, que Copenhague adiara decisões para a próxima Conferência que se deu neste mês de dezembro, em Cancun, México.

Mostrei-me, então, otimista pelo número de participantes, duas centenas de países, todos sabendo que algo haveria que ser feito, mas os contendores, preocupados com suas questões internas, não deram início ao verdadeiro jogo que significa combater o aquecimento global.

A COP – 16 em Cancún com cerca de 200 países participantes seguia num ambiente morno até que, por intervenção de Patrícia Espinosa – Presidenta da Conferência e Ministra das Relações Exteriores do México - houve um início de compromisso entre as nações que pode ser assim sintetizado:

. Diminuição de 9 milhões de toneladas de emissão de CO2 até 2020 como ponto de partida para impedir que a elevação da temperatura, até o final do século, ultrapasse o limite “suportável” de 2° C;

. Criação de um “fundo verde” pelo qual seriam destinados recursos para países em desenvolvimento diminuírem suas emissões poluentes – algo em torno de US$ 30 bilhões nos próximos dois anos, com aumento progressivo até 2020, embora não definido ainda o modo como tais dotações serão constituídas e repassadas pelos países industrializados. Na carta de intenções, foi atribuído ao Banco Mundial a administração desse fundo;

. Compensações financeiras por conta da redução do desmatamento de florestas, como se dá no Brasil, o denominado REED – Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal.

Curioso que o representante da Bolívia, se pusera contrário ao acordo de Cancun, alegando que faltara consenso nas decisões e que se estabelecia um “recuo” nos compromissos anteriores o que poderia significar elevação da temperatura em até 4°. E mais, que o financiamento da preservação florestal pelos países ricos significaria a “perenização do capitalismo”. Foi vaiado, mas ficou sua preocupação quanto aos limites do aquecimento global, entre o “suportável”, 2° C até o final do século e o “insuportável”, além desse limite. Que fique o seu protesto e a vaia.

O Greenpeace, sempre crítico da relutância das grandes potências em assumir compromissos ambientais sérios afirmaria sobre Cancún: "a primeira vez em anos, governos colocaram de lado algumas de suas grandes diferenças e se comprometeram a alcançar um acordo climático.”

A verdade é que nunca se falou tanto em preservação ambiental como nestes últimos anos, claro que pelos riscos que corre a humanidade se não criar a tempo juízo e começar a cuidar de sua “casa” destinando riquezas nesse objetivo, obtidas com sua degradação enlouquecida.

A próxima conferência, no ano que vem, será na África do Sul, Durban. Lá medidas mais concretas serão firmadas, porque os tempos assim exigem. Já se trabalha com atrasos no assunto.

Paralelamente ao que se discutia em Cancún, o Governo brasileiro pelo Decreto n° 7390 de 09.12.2010, regulamentou dispositivos da Lei n° 12.187 de 29.12.2009 que instituiu a Política Nacional do Clima – PNMC.

Esse decreto define itens importantes de política ambiental que, espero, não sejam meramente programáticos. Eis as metas espontâneas assumidas para diminuir a emissão de gases do efeito estufa até 2020 contribuição do Brasil (em negrito as que considero fundamentais):

I - redução de oitenta por cento dos índices anuais de desmatamento na Amazônia Legal em relação à média verificada entre os anos de 1996 a 2005;

II - redução de quarenta por cento dos índices anuais de desmatamento no Bioma Cerrado em relação à média verificada entre os anos de 1999 a 2008;

III - expansão da oferta hidroelétrica, da oferta de fontes alternativas renováveis, notadamente centrais eólicas, pequenas centrais hidroelétricas e bioeletricidade, da oferta de biocombustíveis, e incremento da eficiência energética;

IV - recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas;

V - ampliação do sistema de integração lavoura-pecuária-floresta em 4 milhões de hectares;

VI - expansão da prática de plantio direto na palha em 8 milhões de hectares;

VII - expansão da fixação biológica de nitrogênio em 5,5 milhões de hectares de áreas de cultivo, em substituição ao uso de fertilizantes nitrogenados;

VIII - expansão do plantio de florestas em 3 milhões de hectares;

IX - ampliação do uso de tecnologias para tratamento de 4,4 milhões de m3 de dejetos de animais ; e

X - incremento da utilização na siderurgia do carvão vegetal originário de florestas plantadas e melhoria na eficiência do processo de carbonização.

Na verdade acho que “redução de 80% no desmatamento da Amazônia e 40% no bioma do Cerrado são insuficientes – não haveria mais tolerância ao desmatamento - a menos que haja a recuperação efetiva das pastagens degredadas em milhões de hectares e o reflorestamento como preconizado.

No meu artigo “Resenha Ambiental” de 21.11.2010 me referi à devastação do Cerrado, cujas árvores eram transformadas em carvão para sustentar altos-fornos de Siderúrgicas de Minas Gerais. A notícia que analisara nessa “Resenha” dava conta de que os fornos de carvão estavam desativados, mas não havia explicação por qual carvão continuavam operando as siderúrgicas.

Eis o que sustenta o item X acima: o uso de carvão vegetal de “florestas plantadas”. Isto significa que até agora há matas e florestas sustentando essas usinas criminosas. Não posso, pelo texto do decreto, ser censurado por essa conclusão. Haveria que se exigir de tais indústrias que modernizassem seus equipamentos para parar com a devastação das florestas transformadas em carvão, quaisquer que sejam elas.

Paro por aqui. Vamos lutando, caminhando que o tempo exige!

(*) “Copenhague adia vínculos para o México em 2010” de 21.12.2009

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

DO FIM DE MANDATO À SOBERBA

O lapso curto até a posse de Dilma Roussef. A renovação que não houve no quadro ministerial. A esperança que ela conduza seu governo sem receio de contrariar seu padrinho.

Não escondi minha preferência pelo candidato da oposição que disputou a eleição presidencial.

E assim me posicionei porque entendia, como entendo, que chegara o momento, como nunca, da alternância do poder, de tal modo que alguns ranços fossem expungidos da prática nacional e até mesmo a soberba manifestada pelo atual presidente da República. E também uma revisão da política externa, tão capenga com destaque nas relações com alguns países africanos, com o Irã e mais próximos, países vizinhos, destacando-se os equívocos de Hugo Chaves de certo modo apoiado em todos os desmandos que pratica contra o sistema democrático, enquadrar Evo Morales e repensar as relações com Cuba atrasada, que se faz de vítima do embargo americano para justificar todos os desastres do regime dito “comunista” que tardiamente começa a se autocriticar anunciando medidas impopulares.

Venceu Dilma e, efetivamente, no decorrer da campanha , seu discurso foi se refinando. Não reagia mais às críticas, muitas justas, com dedo em riste, um modo de demonstrar que amealhara ou a tanto buscava, o equilíbrio suficiente para assumir o mais alto cargo público do País. A propósito, ao contrário de Lula, a eleita rejeita qualquer tolhimento à imprensa de onde parte a maioria das denúncias aos desmandos oficiais.

A vitória de Dilma teve como conseqüência, a permanência de Lula em plena atividade e, pelo que transparece influenciou sua candidata vitoriosa em acolher sua cota de ministros de sua “confiança”, entre eles Nelson Jobim e Gilberto Carvalho, este dos mais íntimos de Lula.

Além da “quota” de Lula, há a “quota” do PMDB de sempre, esse partido que, pode até garantir a governabilidade, mas é acintoso na busca de cargos. Há décadas que é assim.

Livre Lula para discursar já que vitorioso, em algumas de suas manifestações se denotam doses de soberba. Uma delas se dera nos tempos do escândalo do “mensalão”. Segundo revelara, dissera a Sarney, então, que “se eles (oposição) tentarem dar um passo além da institucionalidade, eles não sabem o que vai acontecer nestes pais”. E nesse sentido, segundo Lula, não fora tentado pela oposição seu impedimento por “medo do povo”, porque ele seria a própria “encarnação” dele, povo.

Uma bravata.

As coisas não foram assim. O país vinha ferido pela morte de Tancredo Neves, envergonhado com a inflação no governo Sarney, um acidente de percurso, pelo impedimento de Fernando Collor num processo traumático e, nesse clima, mais um escândalo desse nível só prejudicaria o País. E para amenizar sua posição delicada, então, todos “acreditaram” que “ele (Lula) nada sabia” do “mensalão” como, constrangido, afirmara.

Em escala menor, em 1980, na greve dos mais de 40 dias no ABC, Lula foi destituído do Sindicato de São Bernardo do qual era presidente, e logo depois preso no DEOPS, sem que houvesse grandes protestos dos seus “companheiros”. Nem o apoio político mudou muita coisa naqueles dias de conflito.

Um processo corretamente conduzido, como se dera com o de Collor, o povo ficaria perplexo e boquiaberto, só isso, concluindo que este País não tinha jeito mesmo.

Mas, nem tudo está perdido na sua fala e muita coisa poderia ser diferente na campanha se reconhecesse Lula o que reconheceu num outro discurso recente. Nestes termos:

"Eu tenho consciência que outros presidentes da República não tiveram as mesmas condições que eu. O presidente Sarney pegou o Brasil em época de crise. O Fernando Henrique Cardoso, mesmo se quisesse fazer, não poderia, pois o Brasil estava atolado numa dívida com o FMI. Quando você deve, tem até medo de abrir a porta e o cobrador te pegar.”

Estamos hoje a 26 dias da posse de Dilma Rousseff. O lapso é curto. Espero que com sua posse, o discurso mude, seja mais coerente, sem bravatas e gafes tão comuns nos discursos de seu padrinho. E que imponha seu governo com efetividade sem receio de contrariar posições daquele que finalmente deixa o poder.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

MINISTÉRIO DE DILMA: A INFLUÊNCIA DE LULA

A manutenção de diversos nomes do ministério de Lula permite entender que pouco mudará no governo Dilma. Efeito “Sarney” que “assumiu” o ministério de Tancredo ao falecer este. Revisão da política externa. As drogas e armas que passam nas fronteiras do Brasil.


Durante a campanha eleitoral, temia que a vitória de Dilma Rousseff fosse de continuidade do governo Lula que fazia e faço ainda restrições.

Venceu Dilma e seu discurso que se refinara durante a campanha, soou bem positivo quando sua vitória se tornara irreversível.

Era esperar, então, as modificações que faria a partir do seu ministério que se esperava, fosse o “seu ministério”.

Mas, as coisas não estão caminhando assim. Até agora, no que se referem às peças chaves, os nomes anunciados são do seu padrinho político, sinal de que pouco mudará.

Posso admitir que estaria ela constrangida em encontrar nomes diferentes – o que não é fácil nas hostes do PT, é de se reconhecer – poderia ser interpretado como questionamentos ao governo de seu padrinho, ainda que de modo sutil. Afinal, jamais se vira neste país tantos “êxitos”, em todos os setores.

É que para Lula, não há passado anterior aos seus mandatos.

Parece-me que um dos pontos desastrosos do governo Lula – Dilma está na política externa.

Aquela cena memorável de Lula erguendo a mão do iraniano Ahmadinejad comemorando um acordo no qual se anunciara que a produção nuclear iraniana seria “para fins pacíficos”, determinando-se, então, que o enriquecimento do urânio não se daria naquele país, mas na Turquia. Mas, as intenções não eram bem essas. Parte do material continuaria a ser refinado no Irã e até hoje há sérios indícios de que pretende o Irã é produzir a bomba nuclear. Afinal, ao negar o holocausto e defender o extermínio de Israel, só mesmo tendo aquela arma em seu arsenal

Ademais, um país obscurantista que condenara mulher acusada de adultério ao apedrejamento público. Lula oportunista oferecera abrigo à condenada Sakineh Ashtiani aqui no Brasil, mas o Irã, é claro, não aceitara liberá-la.

Por fim, o cúmulo: recentemente o Brasil recusou-se a apoiar resolução da ONU que exatamente condenava o apedrejamento. Ficou a grande potência emergente da América do Sul ao lado de Cuba, Sudão. Síria e Líbia...

Para piorar há os pensamentos impensados de autoridades brasileiras como é o caso do ministro da Defesa Nelson Jobim e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal. Disse ele sobre essa barbárie praticada no Irã: "Essa questão de direitos humanos é ocidental" e “são hábitos”, aos quais não devemos nos intrometer.

E essa posição esdrúxula para quem foi ministro da mais alta Corte Judiciária do Brasil se contrapõe ao próprio posicionamento da sua futura chefe:

“Acho uma coisa muito bárbara o apedrejamento de Sakineh. Mesmo considerando usos e costumes de outros países, continua sendo bárbaro”.

A imprensa informa que Dilma mudará sua postura com o Irã, pelo menos se recusando a erguer a mão de Ahmadinejad, uma das cenas mais patéticas e ingênuas que se conhece, praticada por seu padrinho.

E Jobim continuará sendo ministro da Defesa, nessa linha de manter o “status quo” lulista.

Há outro nome difícil de ser digerido, por falta de méritos na sua posição de assessor internacional especial: Marco Aurélio Garcia. Sua missão será a de (continuar) a integração do Brasil com os países vizinhos da America do Sul.

Na época da campanha eleitoral, num dado momento José Serra dissera que a maior parte da cocaína vendida no Brasil, proviria da Bolívia cujo governo faria “vistas grossas” sustentado esse comércio ilegal.

Reações:

De Dilma Roussef: “Serra demoniza Bolívia”;

De Marco Aurélio Garcia: (Serra) “exterminador do futuro” da política externa brasileira.”

Hoje o país inteiro tece loas à ação policial-militar que se dá nos morros cariocas, proclamando-se a própria libertação do Rio de Janeiro.

Os traficantes, como esperado, fugiram pelos esgotos dos morros e agora todos sorriem e comemoram aliviados. O poder paralelo fora exterminado.

Mas, me permito perguntar: de onde provêm essas toneladas de drogas encontradas nos esconderijos dos traficantes? Qual a logística para que lá chegue (ou chegava)? De onde provêm as armas de grosso calibre empunhadas por esses marginais?

Por quais fronteiras são elas transportadas? Fácil responder.

Não há como, em nome da boa vizinhança, tolerar esse comércio danoso, além do contrabando paraguaio tolerado e tudo o mais de promíscuo que se dá nessas divisas.

As fronteiras estão a exigir medidas tão drásticas e permanentes como as ações que se dão nos morros cariocas nestes dias.

Essas ações tão urgente – e não se trata de demonizar a Bolívia – constituem-se estratégia que pode afetar aos “boas relações” entre o Brasil e os vizinhos latino-americanos afetados.

E daí se isso se der? Aliás, o Brasil já foi humilhado pela Bolívia no episódio das desapropriações de instalações da Petrobrás naquele país. E com exército e tudo. Os bolivianos não pensaram nas “boas relações de vizinhança”, mas nos seus interesses.

Haveremos que agir do mesmo modo. Mas, tenho dúvidas quando se constata que os interlocutores permanecem os mesmos.

Pelos nomes que estão sendo mantidos (postos chaves) parece que se repetirá com Dilma o que se dera com Sarney após a morte de Tancredo Neves que “assumiria” todo o ministério escolhido pelo presidente que falecera às vésperas da posse.

"Rei morto, rei posto."

E isso não é bom para certas mudanças que eram esperadas com sua vitória.



Foto: "Ponte da Amizade Brasil - Paraguai" (Google)

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

RIO DE JANEIRO – AEROPORTOS – DEFICIÊNCIAS DO BRASIL


O Rio de Janeiro espanta os ratos de suas tocas. Para onde se instalarão daqui a pouco? O estágio deficiente dos aeroportos brasileiros. As medidas que tardam para as soluções. O risco do constrangimento por ocasião da Copa de 2014.

A ideia era fazer um apanhado geral dos aeroportos brasileiros, levando em conta o crescimento da demanda pelas viagens de avião, contrastando com a visível falta de iniciativas que encaminhem soluções que reclamam urgência.

Mas, antes, farei um desvio para tecer breve comentário sobre o que se passa nestes dias no

Rio de Janeiro:

“Há males que vem para bem”, diz aquele velho provérbio. A explosão da violência e ousadia dos traficantes provocaram a inevitável e dura ação policial com todos os seus recursos, de tal ordem a desmantelar os redutos dos bandidos que dividem o poder no Rio de Janeiro, um poder paralelo!

As forças de pacificação nas favelas deram certo mesmo – o mote da campanha do governador reeleito?

É que, como os ratos, desmanteladas as tocas eles se espalham e se readaptam. Estou só preocupado com essa “readaptação” para dias futuros. São Paulo pode se constituir numa opção para novas tocas.

Antes de tudo será preciso enfrentar o comércio ilegal de armas que abastece os traficantes. Não há mais tempo de condescendências com os países de onde provém o contrabando, mesmo os vizinhos. O mesmo se dá com as drogas. Nós aqui convivemos com essa barbárie e lá, de onde provêm as armas, “agentes” contam os dólares amealhados, o lucro fácil que de longe a tudo assistem sem serem molestados.


Os aeroportos:

Muitos são aqueles com estrutura mínima mesmo assim, têm intenso movimento, como é o caso, por exemplo, do aeroporto de Brasília.

Alguns se confundem com estações rodoviárias, com estrutura modesta que não suportarão um fluxo “profissional” de pousos e decolagens.

No aeroporto de Congonhas, em São Paulo, há momentos em que se formam filas de aviões em operação de decolagem. No limite.

O mesmo se dá com o de Guarulhos para onde é dirigida a grande maioria dos voos internacionais, tumultuando à exaustão tantos os que chegam como os que partem.

Não disse nada de novo.

Mas, aí, para acordar as autoridades brasileiras da letargia e da inércia, alguém de fora descarrega o verbo. Refiro-me a Giovanni Bisignani, diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), que disse sem meias palavras que o Brasil precisa resolver os problemas de infraestrutura dos aeroportos para não passar por um "constrangimento nacional" durante a Copa e a Olimpíada.

"O País é a maior economia da América Latina e a que mais cresce, mas a infraestrutura de transporte aéreo é um desastre de proporções crescentes", disse Bisignani em encontro de presidentes e diretores de companhias aéreas organizado pela Associação Latino Americana e Caribenha de Transporte Aéreo (Alta) na Cidade do Panamá.”

E disse mais:

“Treze dos vinte maiores aeroportos não conseguem acomodar a demanda nos terminais de passageiros existentes, e a situação é crítica em São Paulo, maior hub internacional da região", disse, referindo-se ao Aeroporto de Guarulhos.” (1)

Uma tentativa de “tapar o sol com a peneira” partiu do ministro da Defesa, Nelson Jobim que de modo canhestro considerara tais declarações “terrorismo” e que “a Iata só defende o ponto de vista das empresas e não dos passageiros.”

Dá para levar a sério uma reação dessas?

Para saber o que se passa nos vários aeroportos, haveria o ministro que se valer em suas viagens, dos aviões de carreira e não os da FAB com todos os privilégios que possui.

Claro que as afirmações oportunas do dirigente da IATA sacudiu a ANAC que saiu a campo tentando proibir o overbooking no fim do ano como paliativo para evitar o caos de anos passados. Vamos torcer para que o vexame e o tumulto não se repitam.

Nesse meio tempo, já racionalizando as críticas do diretor-geral da IATA, reagiu o ministro dos Esportes Orlando Silva:

"Imagino que a Infraero terá de alterar totalmente a conduta, o comportamento, a atitude, ter uma atividade completamente diferente da que teve até aqui, sob pena de oferecer constrangimentos à realização do Mundial de 2014". É preciso que a própria Infraero mude a postura. Ou anda mais rápido, ou o Brasil pode passar por constrangimentos".

E a esse comentário, há o seguinte esclarecimento:

“Num Mundial realizado em 12 cidades, com distâncias entre elas tão longas como os 4.500 quilômetros de Porto Alegre a Manaus, sem ferrovias e com estradas precárias, o tráfego aéreo das equipes, mídia, torcedores e dirigentes será fundamental para uma organização bem-sucedida da Copa e também da Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro.” (2).

O trem-bala defendido pela futura presidenta não estará pronto para a Copa de 2014. Talvez para as Olimpíadas de 2016, um recurso importante para desafogar o Rio de Janeiro naqueles dias que tumultuarão a cidade por completo.

As medidas nos aeroportos, porém, são necessárias para os dias de hoje de tal sorte a suprir a demanda atual porque os passageiros são desrespeitados pela realidade da maioria deles. Imaginem se, mantida essa lentidão de atitudes, o quê enfrentaremos à medida que se aproximar a Copa do Mundo.

Como se vê, não é por falta de aviso e até de advertências.

Referências:

(1) “O Estado de São Paulo” de 19.11.2010

(2) “O Estado de São Paulo” de 22.11.2010

domingo, 21 de novembro de 2010

RESENHA AMBIENTAL

Devastação no Cerrado. Os prejuízos ambientais das queimadas das florestas. A urgência de medidas para reduzir os gazes que produzem o efeito estufa. A barbárie contra os animais. O consumo de carne e a pauta da ONU. Vegetarianismo e preservação ambiental.

A manhã começara mal-humorada

Não bastara o café adocicado

Algo no jornal me deprimira

Uma notícia cruel e malvada.

Mas, ai um bem-te-vi

Na janela me avisou que me vira

Eu também te vi vigilante passarinho.

Encontro seus olhinhos entre as tiras da cortina.

Creio que há algum ninho nos vãos de ar condicionado, por ali.

A vida ainda se renova, bem vi.

Até quando, meu querido amarelinho estridente, até quando? (1)


Muito já escrevi sobre a preservação ambiental, neste e em outros espaços. Se clamo no deserto, não sei. Só sei que continuarei clamando seja aonde for.

Diante disso, faço uma resenha de aspectos importantes de tudo o que vem sendo noticiado e debatido nos últimos meses sobre o tema, de tal modo que seja pauta até para o novo governo que vem vindo de quem, passado o debate e a luta política, só me resta ter esperanças. Já se constata, todavia, manifestação partidária normalmente nefasta para os interesses do País. Mas, sobre isso, adiarei qualquer comentário. Estamos vivendo espécie de vacância onde um poder se estrutura e o outro pensa nas vantagens que poderá auferir nisso tudo.

Vamos, pois, à “resenha ambiental”, de modo ameno mas sem abdicar da seriedade que contém.

I

“O Cerrado, aqui do Brasil, já foi devastado em 50%. Até 2004, 60 fornos de carvão – no que se converteu a vegetação do Cerrado – abasteciam siderúrgicas de Lagoa Santa, em Minas Gerais.”

É possível imaginar uma coisa grotesca dessas, tal absurdo?
O Cerrado, “pode ser chamado de “caixa d’água do continente sul-americano”, por captar águas pluviais que abastecem nascentes e formam rios nas bacias do Amazonas, São Francisco, Paraná e Tocantins...” (2)

E embora os tais fornos fossem desativados, a agropecuária constitui-se numa ameaça ao desmatamento continuado do Cerrado e o risco à fauna rica que lá (sobre) vive.

Estamos criando, no Cerrado e na Caatinga, novos desertos, terra estéril e improdutiva que não absorve o calor como fazem as matas.

Essas barbaridades não são um despautério brasileiro, porque

“Olhando uma imagem de satélite da Rússia, pode-se ver uma vasta extensão de terra áridas onde há décadas havia uma vegetação luxuriante. Eu me refiro à República da Calmúquia, que abriga o primeiro deserto produzido pela ação humana da Europa e reconhecido como tal nos anos 90.” (3)

Isso para ficar apenas num caso no Exterior para ser “solidário” com nossa inconseqüência continuada, nossa política antiambiental.

II

“Estamos sentados num baú de ouro e não sabemos o que fazer com ele”, disse ontem o gerente de conservação da biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, Braulio Dias. O baú de ouro, no caso, é a biodiversidade brasileira – que é a maior do mundo, mas fica um pouco menor a cada dia, com o avanço do desmatamento em todos os biomas. “Não sabemos aproveitar essa riqueza. E pior, estamos queimando-a”, completou Dias, em referência à onda de queimadas que sufoca o País há mais de um mês. (...) Segundo Dias, falta apoio financeiro e político para o desenvolvimento de atividades que permitam explorar economicamente os recursos biológicos do País – em vez de simplesmente substituir florestas e savanas por monoculturas de grãos e bois, como ocorre na maioria das vezes. (...) O orçamento do ministério, segundo ele, é insuficiente para garantir a conservação e promover o uso sustentável das espécies e dos biomas brasileiros. “Não temos dinheiro nem equipes técnicas suficiente para fazer frente a esse desafio.” (4)

Resolvi transcrever parte do desabafo do servidor do Ministério do Meio Ambiente porque me pareceu sincero naquele período de queimadas imensas e devastadoras.

Deixou escapar as dificuldades de seu Ministério e os recursos limitados para levar a frente essas pesquisas tão importantes.

Esta aí a esperança: quem sabe governo novo não olhe com mais atenção a preservação ambiental aí incluído esse “baú de ouro”.

III

Mas, a despeito disso e da minha voz tão sem eco, já fiz campanha e continuo fazendo, de enfeitar as estradas na sua área divisória de pistas, como é o caso da maioria das estradas do Estado de São Paulo, plantando em espaços regulares mudas de hibisco (mimo) nas suas várias cores como forma de, também, “humanizar” o trajeto.


Pequenas medidas que servem como exemplo ecológico.

IV

“Uma queimada para renovação de pasto no Pantanal de Mato Grosso do Sul carbonizou um número ainda não estimado de ninhos com filhotes de araras, papagaios, periquitos e maritacas que, nesta época do ano, estão nos primeiros dias de vida. Também morreram queimados mamíferos, cobras e lagartos, conforme constataram soldados da Polícia Militar Ambiental em uma área de 2240 hectares consumidas pelo fogo.”

Diz mais a notícia: a queimada de mato seco ficou sem controle, significando que “a maior destruição da fauna e da flora aconteceu em áreas de preservação permanente”
O proprietário, mais que irresponsável, foi multado em R$2 milhões, “a maior multa aplicada a uma única ocorrência do gênero pelo Estado até agora.” (5)

V

Tempo escasso para recuperação. Há os pessimistas conscientes. O diplomata Rubens Ricupero tem a seguinte opinião sobre a devastação ambiental: “Temos um horizonte curto, de oito ou dez anos, para conter a emissão de gazes que provocam o efeito estufa. Os mais otimistas falam em 15 anos. Se não fizermos o necessário nesse período, o processo torna-se irreversível. Desses 10 ou 15 anos para a frente, mesmo que se faça tudo direitinho, não adiantará mais. Haverá um encadeamento de efeitos, um engatando no outro”. (6).

Nada se fazendo, o aumento da temperatura da Terra será, então, irreversível é nesse caso, esperáramos as decorrências que poderão ser grandes catástrofes ambientais. A humanidade será vítima principal de sua irresponsabilidade. Das outras espécies, nem falar.

VI

Este comentário foi feito por professora americana que também questiona o que estamos fazendo com o planeta mas se referindo a práticas no seu país (EUA). A transcrição é um pouco longa, mas vale a pena conhecer, pelo menos o trecho que selecionei:

“Produção industrial de carne: os argumentos contra a crueldade na criação industrial de animais circulam há muito tempo: no século 18. Jeremy Bentham já observava que, no tocante ao tratamento de animais, a questão-chave não é se os animais podem raciocinar, mas se eles podem sofrer. As pessoas que comem bacon ou frango produzidos em esquemas industriais raramente oferecem uma justificativa moral para o que estão fazendo. Tentam não pensar muito nisso, furtando-se daquelas histórias de revirar o estômago sobre o que se passa em nossos abatedouros industriais.”

E mais:

“Dos mais de 90 milhões de cabeças de gado de nosso pais, pelo menos 10 milhões estão socadas em fazendas de confinamento poupadas de doenças decorrentes da aglomeração por doses regulares de antibióticos, rodeadas por pilhas dos excrementos, as narinas mergulhadas no cheiro da própria urina. Imaginem isso - e depois imaginem seus netos vendo esse quadro.” (7)

Circo dos horrores... Lá como cá. Mas, salvem os hambúrgueres! McDonalds e afins.

VII

Esta notícia, transcrevo na íntegra. Refere-se a um relatório da ONU e está interligada com o comentário anterior. Quanto precisamos mudar, quanto!

“A opção pelo vegetarianismo, uma mudança profunda na agricultura mundial e a redução do uso de combustíveis fósseis - como o petróleo e carvão - são as prioridades para proteger o ambiente, segundo estudo das Nações Unidas.

O relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) afirma que a produção de alimentos e os combustíveis fósseis causam poluição, emissão de gases-estufa, doenças e destruição de florestas. "A produção agrícola consome 70% da água potável, 38% do uso da terra e 14% das emissões de gases-estufa", afirma Achim Steiner, chefe do Pnuma.

Os consumidores podem ajudar, diz a ONU, cortando o consumo de carne e reduzindo o uso de combustíveis fósseis para viajar e aquecer a casa.

"Produtos de origem animal são impactantes porque mais da metade das plantações do mundo são usadas para alimentar animais, não pessoas", diz Steiner. Para ele, uma redução substancial dos impactos só seria possível com uma mudança radical da dieta humana no mundo todo.

Mas só na China, por exemplo, o consumo per capita de carne cresceu 42% em oito anos, entre 1995 e 2003. "O modo como o mundo é alimentado e abastecido de energia irá em grande parte definir o desenvolvimento no século 21", diz o documento.” (8)


Nessa resenha, há tanto mais a acrescentar! - indica o quanto temos que mudar no modo de cuidar do planeta de tal maneira que dele desfrutem de toda a exuberância que ainda resta, as futuras gerações.

Para mim surpreende nas linhas e entrelinhas a introdução do vegetarianismo como um hábito a prevalecer para melhorar a vida do planeta. Deixou de ser assunto desdenhoso reservado para aqueles idealistas, “esquisitos”, que se escandalizam com a brutalização cotidiana imposta aos animais e por isso adotaram essa dieta. Em pista própria, como se vê, começa a se constituir agenda ambiental proposta mesmo pela ONU. (9)

Sinal destes tempos urgentes.

Referências:

1. Escrevi uma crônica em 03.10.2010, “Para não dizer que não falei de bem-te-vis e mimos”, na qual inclui um mapa do Brasil, localizando os vários biomas do país (clicar) Acessar: http://martinsmilton.blogspot.com/

2. Jornal “O Estado de São Paulo” de 02.09.2010

3. Idem de 03.10.2010,

4. Idem de 02.09.2010

5. Idem de 29.09.2010

6. Idem de 25.11.2007, entrevista a Sonia Racy

7. Kwame Anthony Appiah, professora de filosofia na Universidade de Princeton – “Pecados de Longo Alcance” - Jornal “O Estado de São Paulo” de 03.10.2010

8. Jornal “O Estado de São Paulo” de 03 de junho de 2010

9. No mesmo blog referido acima, escrevi em 14.11.2010 a crônica “São Francisco, os homens e os animais” na qual me refiro entre outras proposições, à violência praticada contra eles.

Fotos:
(1) Bem-te-vi
(2) Hibisco (mimo)
(3) Pasto e floresta devastada
(4) Rio poluído
E a dizer que a água é essencial para a vida! Tudo o que é detrito e sujeira são jogados nele (s). Como é difícil a consciência ambiental, a educação ambiental! Mas, muito dessa degradação das águas diminuirá com o saneamento básico que neste País é carente em mais de 50% dos seus lares. E o que dizer dos demais só na América Latina → o Haiti em situação insuportável – a maior parte de seu povo vive no meio de detritos, insetos e ratos. Um país inviável, degradado que humilha o mundo. E o mundo não se dá conta disso!
Fonte: http://sosriosdobrasil.blogspot.com

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

ENEM E OS “ERRINHOS QUE HUMILHAM”


As novas trapalhadas no ENEM que se resumem a "errinhos" que humilham e desgastam. Esse ENEM se sobreviver precisa ter revisão da revisão. E mais revisão e também severa coordenação.


Há um ano, precisamente no dia 18.10.2009 escrevi um artigo, tão logo comprovado o vazamento das provas do ENEM ainda na gráfica, sob o título “ENEM e os seus questionamentos”.

Acentuava então, entre outros, a gigantesca logística que tal prova, milhões de exemplares, exigiria e os perigos da fraude e da sua desmoralização.

E também o custo de sua elaboração e distribuição neste país com tantas diferenças e recursos que naquele ano fora dobrado porque as provas precisaram ser refeitas.

Este ano estima-se que o custo das impressões, distribuição e outros, andou em torno de R$200 milhões no mínimo.

Àquela ocorrência de 2009, até dissera, “há males que vem para o bem”, partindo do pressuposto de que todos os cuidados seriam redobrados a partir deste ano.

O que se deu agora?

Embora num porcentual pequeno, segundo o Ministro da Educação, alguns cadernos de prova foram impressos sem perguntas, ou repetidas, folha de respostas trocadas, questões imprecisas ou equivocadas, desinformação dos fiscais e, mais, hoje já se desconfia que nos rincões do Piauí, em São Raimundo Nonato houve vazamento (aproximado) do tema da redação (“O trabalho na construção da dignidade humana”), a ponto de alunos procuraram professores de cursinhos em Petrolina, Pernambuco a 300 quilômetros de São Raimundo Nonato, para os orientar sobre a melhor forma de o expor.

A Justiça Federal do Ceará suspendeu a validade do ENEM, diante de todos aqueles percalços nas provas e impediu até mesmo a divulgação do gabarito.

A Advocacia Geral da União pedirá a reconsideração da decisão da Justiça Federal e, não obtendo êxito, recorrerá.

As primeiras explicações atribuem essas falhas ao INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, órgão do Ministério da Educação, responsável pelo exame que deveria ter feito revisão prévia “in loco” das provas embora a gráfica também assumisse parte da culpa.

E no meio desse imbróglio estão os estudantes prejudicados para os quais se acena uma nova prova e até mesmo a possibilidade da anulação total do exame prejudicando todos os demais estudantes.

Esse o “relatório” resumido da trapalhada. Não transpira alguma incompetência nisso tudo, descuido, improvisação?

Vejo no Ministro da Educação, Fernando Haddad, como alguém esforçado que procura acertar.

Mas, só “procurar acertar” não resolve se o acerto não vem ou se ”errinhos” desmoralizam o esforço despendido e colocando em risco todo um sistema.

Não tem essa da boa intenção ou do campeão moral!

Vem-me à mente uma crônica que escrevei há pouco que trata dos errinhos que humilham àqueles que se propõem a escrever. Transcrevo trechos para tornar menos áspero este artigo a exemplo do que normalmente ocorre com o que tenho escrito:

Errinhos que humilham:

“Esse título não é meu. É do saudoso escritor mineiro Otto Lara Rezende que, numa crônica no jornal “Folha de São Paulo” de 18.01.1992 o utilizou no singular.

Mas, eu já vou logo grafando no plural, “errinhos que humilham”.

Inicia o cronista se queixando de erros de revisão que se davam, eventualmente, nos seus escritos, lembrando que “quando surgiu o computador na imprensa, pensei que vinha para acabar com essa gralha. Qual o quê. Sofisticou-a”.

Com o computador, dizia o escritor, não seria mais possível atribuir a revisor os erros do autor.

E nestes dias, então, com o notório avanço tecnológico e da comunicação? Não sei, não. Há “mistérios insondáveis” nos errinhos que humilham.

Outro ponto lembrado por Otto são os erros do próprio cronista que insere um dado equivocado, uma desinformação, na crônica. Sem volta porque a eventual correção posteriormente é inócua ou com efeito limitado. E dizia: “Qual! Fica o travo da pequenina humilhação que me convida à humildade.”

Saibam todos, pois, que o cronista se depara com erros ortográficos dele próprio e, pior – afaste de mim esse cálice – erros de concordância. E isso mesmo tendo lido o que escrevera várias vezes." (*)


E se os erros não podem ser corrigidos, o desgosto e o desgaste. E como queimam.

É o que passa nestes dias o Ministro da Educação.

Esse ENEM se sobreviver precisa ter revisão da revisão. E mais revisão e também severa coordenação. Uma terceira trapalhada desse porte ele não aguenta.

(*) Blog: http://martinsmilton.blogspot.com/ (Crônica de 31.10.2010)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A FARSA DA VOLTA DA CPMF

A discussão da volta da CPMF um golpe eleitoral porque não fizera parte da campanha de nenhum candidato (a), nem de Dilma. O jogo urdido por Lula perante governadores subservientes incluindo Dilma. Que se arme a oposição para rejeitar o tributo.

A CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) foi extinta no final de 2007 porque a oposição votou contra sua prorrogação e a partir de então dela só se ouvia falar ocasionalmente por conta de comentários de Lula, o grande derrotado no Senado, que se queixava por tudo que deixara o Governo Federal de arrecadar para a saúde, ainda que ela andasse capenga e desmoralizante com o tributo escorchante, como capenga e desmoralizante se encontra hoje sem ele.

Nada mudou, pois.

Mas, não se fez por menos. Sepultada a CPMF, ato contínuo, sobreveio a manipulação da teia tributária federal que resultou em aumento da carga dos impostos e, de um modo geral, seja o Congresso Nacional, os empresários e o próprio Governo todos opinam que é chegada a hora de se discutir com seriedade uma reforma nessa área.

De seriedade nada se vê neste país de contrastes e absurdos. E os impostos sufocam.

Vieram as eleições para governadores e presidente da República, programas foram postos em debate, falou-se em reforma tributária ainda que de modo programático, genérico, maneira de agradar com acenos os ouvidos dos eleitores.

NÃO SE FALOU EM VOLTA DA CPMF PORQUE SE HOUVESSE ESSA DISCUSSÃO, ENTÃO, CLARO QUE O RESULTADO DAS ELEIÇÕES PODERIA SER OUTRO NAS VÁRIAS INSTÂNCIAS.

As urnas conduziram os eleitos e, sem mais nem menos, pouco depois, “governadores” do PSB e outros mesmo sabendo da realidade vergonhosa da assistência médica pública antes e depois da extinção do tributo saíram em sua defesa propugnando pela sua volta. (*)

Eu diria que esses políticos são mal intencionados, “caras de pau” – pelo que me escuso pelo popular – e se valem do “novo” da eleição para agirem como bonecos de Lula ventriloquo que, a propósito, provocou entrevista improvisada de Dilma, para lançar esse “balão de ensaio incendiário”.

É a revanche do futuro ex-presidente. Se conseguir a volta da CPMF por meio de seus aliados subservientes, nessa linha, Sarney e Temer, estará rindo por quatro anos de sua vitória final. “Eu mexo os fios como se faz com marionetes, eu mando e arrebento.”

Lula não está preocupado com a má repercussão do tributo desnecessário até porque, felizmente, ele está saindo do Governo. Propôs nos bastidores, dividir o desgaste de Dilma com os governadores “aderentes” à idéia mesmo sabendo que, como acima explanado, já seja imensa a carga tributária brasileira e sempre péssima a assistência médica cujos recursos estão orçados independentemente da CPMF.

O que necessário na assistência médica é interesse real pela sua administração, aí incluída gestão competente, técnica e não o encostamento de políticos “premiados” pelo PT por conta dos compromissos eleitorais.

No que me diz respeito estava prestando atenção nas atitudes e discursos da presidenta eleita Dilma Rousseff que se revelavam coerentes e positivos.

Com a intervenção de Lula num assunto com a seriedade que tem a CPMF e ela apenas sorri e faz o “jogo” com os governadores, começo a me preocupar com sua autonomia futura, mesmo que seu padrinho garanta que o Governo terá sua (dela) cara.

Porque se assim não for, estando Lula na sombra ou nos bastidores fazendo indicações e insinuações, teremos algo parecido com o casal Kirchner na Argentina. Agora Cristina deverá imprimir sua “cara” no governo argentino porque seu marido faleceu.

Não foi por conta de tal relação governamental espúria que Dilma foi eleita.

Que continue Dilma, como sempre argumentou na campanha, com os princípios políticos de seu padrinho, mas não com suas manias.

Que se movimente, pois, a oposição com veemência para derrotar a volta desse (mais um) tributo, um capricho de Lula, um atitude menor.

(*) Jornal “O Estado de São Paulo” de 05.11.2010: “O novo movimento em prol de um tributo para financiar a saúde pública tem à frente os seis governadores eleitos pelo PSB, partido da base de apoio de Lula. Um dia depois de a presidente eleita, Dilma Rousseff, ter defendido novos mecanismos de financiamento para o setor, os socialistas lançaram sua mobilização, em reunião da Executiva Nacional em Brasília.”

Foto: Paulo Skaff, presidente da FIESP, “socialista”, candidato derrotado do PSB ao Governo de São Paulo (Google)

domingo, 31 de outubro de 2010

O DIA DA DECISÃO



As pesquisas de intenção de voto indicam uma tendência forte a favor da candidata do PT. Se falharem, como já se deu no primeiro turno, será um fato histórico relevante. As mudanças que a vitória de Serra significará. A “introdução” de Aécio na campanha.



Sou obrigado a reconhecer que pela repetição das pesquisas de intenção de votos e a semelhança dos seus resultados, indicam que a maioria da votação de hoje não será favorável a José Serra.

Algo diferente disso constituir-se-á num fato que a história registrará tendo como capítulo principal, a desmoralização dessas pesquisas tão prestigiadas pela grande imprensa. É querer demais, pois.

Manchete ocupando todo o alto da primeira página do jjornal "O Estado de São Paulo" de hoje: "Ibope aponta vitória de Dilma por 12 pontos"
Esse tipo de abordagem não é um condutor de votos, na linha dos supostos "fatos consumados"?

Desde sempre optei por Serra porque significa ele a possibilidade de mudança em tudo aquilo que assistimos nestes quase oito anos de governo petista. Eis as principais:

i.) Mudança na política externa agindo o governo com mais rigor e cautela na manutenção das relações com países com governos autoritários, como é o caso da Venezuela, Cuba e Irã. A tolerância com o governo da Bolívia e Paraguai aos quais nos impomos como “grande potência” a despeito de recebermos desses países, ilegalmente, pelas fronteiras abertas nada além de drogas, armas e muambas.

Esfriamento das relações diplomáticas com países africanos cujos mandatários são ditadores. Nem sempre “negócios são negócios”. Há uma questão moral nesse meio.

ii.) Mudança nas relações com o MST, tolerado pelo Governo Federal mesmo agindo como age de modo criminoso nas invasões, sem sofrer punições e ainda subsidiado por impostos federais.

O MST significa a desmoralização dos programas de reforma agrária do Governo petista.

Nestes últimos meses até hoje – final de campanha - seus atos estão contidos para não prejudicar a candidata do PT que, aliás, também usou o boné do movimento;

iii.) Arquivamento, por antidemocrático, de projetos que pululam objetivando controlar a imprensa – proposição fascista inspirando-se no modelo de Hugo Chávez.

A imprensa tem feito admirável trabalho de denúncias de corrupção, a grande maioria verdadeira ou com sintomas que por uma razão ou outra, não foi investigada a fundo. A impunidade é ainda a grande marca que prejudica o país ou por falta de apuração ou pela lentidão do Judiciário;

iv.) Revisão da política econômica, de juros, de investimentos.

Sinto na cúpula da Petrobras um timbre de incompetência, isto é, muitos dos que a dirigem estariam acima do nível de incompetência – o que se dá em outros setores administrados pelo petismo ou aliados;.

v.) Afastamento da cúpula do PT e de seus membros dos principais postos no governo. Foram eles os geradores do mensalão, os aloprados, nepotismos, tráfico de influência...e o que mais?

vi.) Certeza de política ambiental eficiente, antidesmatamento;

vii.) Saneamento básico e água tratada para as regiões carentes;

viii.) Fortalecimento do pensamento democrático;

ix.) Retorno da solenidade e dignidade da Presidência da República, o que significará o abandono de discursos inflamados desprovidos de seriedade, muitos com retratação logo depois de proferidos, como se dá com Lula.

No que se refere à candidata Dilma Roussef, ao longo da campanha minhas impressões são positivas porque perdeu ela aquela postura autoritária, revela-se mais sensata, talvez por sentir na longa campanha em que se empenhou que as necessidades do povo brasileiro estão acima dos interesses partidários menores. Se vencer e conseguir cumprir o que prometeu – porque a ala mais radical do seu partido exigirá a aplicação de políticas antidemocráticas inscritas no “Programa Nacional de Direitos Humanos - será um alívio, porque falou em democracia, liberdade de imprensa, combate ao desmatamento e medidas outras de cunho social como saneamento e água tratada. É aguardar...e rezar.

O que se revela na campanha de Serra é a adesão, ainda que tardia de Aécio Neves. Desconfio que nos bastidores, os tucanos começaram a preparar a próxima campanha presidencial, introduzido o político mineiro como opção na hipótese de Serra não vencer. Ou mesmo se vencer.

Este artigo, seja qual seja o resultado das eleições hoje, permanecerá como um registro do momento – antes da votação e da apuração do 2° turno das eleições presidenciais -, numa das campanhas mais incomuns pelos recursos de comunicações postos à disposição dos partidos e até pela presença do Presidente da República como cabo eleitoral de palanque, atitude incompatível com a exigência do cargo mais importante da nação.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

DISCURSOS DISTORCIDOS



Discursos petistas que visam intranquilizar a política brasileira se vencer Serra. O “fantasma” do neoliberalismo como forma de inquietação. O vídeo da peroração exacerbada da filósofa Marilena Chauí pró-PT. O manifesto de Helio Bicudo que aponta o risco do autoritarismo com a vitória do PT.



Tanto já se disse e se analisou sobre a campanha presidencial em curso, essa disputa palmo a palmo que já provocou até mesmo agressão.
Nesta última semana as pesquisas de intenção de voto continuam favoráveis à candidata do PT e se essa diferença prevalecerá ou não, somente após as urnas. Elas dirão, não antes.
E os discursos dos simpatizantes do PT e da candidata Dilma, como andam?
No artigo anterior, em pequenos tópicos, por ter ouvido, manifestei meu desagrado com os “discursos” que se desenvolviam na Praça da Sé em São Paulo, nos quais militantes de baixo nível escolar o que faziam em alto som era denegrir tudo o que fora feito antes de Lula, como se, rigorosamente, não usufruiria ele no seu governo de todas as conquistas obtidas pelo seu antecessor muitas elogiadas por membros mais categorizados e pensantes do seu partido.
Insistiam aqueles detratores em desprezar de modo genérico as privatizações ocorridas – e o risco de que outras se dessem - talvez sentindo falta do cabide de emprego de algumas das estatais privatizadas que, nessa condição, geraram empregos no mercado e não provenientes de “nomeações”.
Esse mesmo discurso, com refinamentos, é claro, ouvi num vídeo que transita pela internet, no qual a professora de filosofia da USP, Marilena Chauí sai em defesa da candidata do PT, referindo-se à liquidação da democracia pelas privatizações que viriam com a vitória de Serra, especialmente do pré-sal e nesse diapasão até mesmo a privatização dos direitos sociais...
Direitos sociais? Será que a professora leu o artigo 7° da Constituição Federal, vigente desde 1988?
Que outros direitos sociais poderiam ser pensados levando em conta sua argumentação? Seria o principal deles, o “bolsa família” que na sua origem, no governo FHC, Lula qualificara de eleitoreiro? E agora não é a grande bandeira eleitoral de Lula e Dilma?
Falou muito a professora de democracia, de respeitabilidade do Brasil no mundo de hoje. Mas, em momentos vários, Lula se excede, comete gafes, age de modo autoritário, se dá muito bem com regimes autoritários, como o comunismo capenga dos irmãos Castro de Cuba, com o ditador venezuelano Hugo Chaves que liquidou a imprensa independente e seus adversários na Venezuela e com seu mui amigo iraniano Mahmoud Ahmadinejad.
Queixa-se com freqüência da imprensa que o incomoda com os seguidos escândalos que seu governo vem produzindo e por ela denunciados.
Há, pois, no discurso da filósofa, muito de distorcido e no seu bojo inquieta os milhões de desavisados valendo-se desses argumentos descabidos, em perfeito equilíbrio com os “discursos” desequilibrados que ouvi na Praça da Sé na semana passada dos militantes petistas exaltados.
O PT não respeita nada, faz de todos os que não dizem amém aos seus desígnios seus inimigos a serem massacrados menos nas urnas e mais moralmente. E se necessário, com agressões. Em nome de uma eleição o PT e seus aliados, aí incluída Marilena Chauí, denigrem de um modo demagógico e temerário tudo o que fora obtido antes do governo Lula.
Reafirmo, com toda a independência que me é possível externar, que fora Fernando Henrique quem pusera o Brasil no mapa-múndi como um país democrático a ser levado a sério.
Daqui a alguns anos se saberá sobre Lula, o julgamento natural que terá quando distante do poder que, espero, nunca mais a ele volte.
Por outra, jurista Helio Bicudo também tem um vídeo importante e sério, ao contrário do de Marilena Chauí. E sua autoridade se expande porque fora fundador do PT. Hoje, Bicudo identifica em Lula timbres autoritários, o desrespeito ostensivo ao alto posto que ocupa na República, a promoção do compadrio, agindo com abuso de poder ao colocar a máquina do governo em benefício de sua candidata. Receia o continuísmo do PT no poder pelo que poderá ele representar de novos abusos e desmandos.
O PT já demonstrou do que é capaz se levados em conta os desvios e dissimulações que praticou nos seus oito anos de governo. E o que se dará em mais um período no poder?
E pior, intelectuais do nível da filósofa acharem que todos esses abusos possam ser relevados por conta da "ameaça" do “neoliberalismo”, cujo conceito é meio difuso nestas plagas, que colocaria em risco a democracia, vencendo Serra. É demais.
Vamos ver qual será o custo disso tudo se o PT continuar no poder.
Este é o pais do Tiririca.


Foto: Hélio Bicudo (Google)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

CAMPANHA ELEITORAL: IMPRESSÕES DE ÚLTIMO MOMENTO


Opiniões curtas sobre os últimos eventos daa campanha eleitoral, que deve esquentar na semana que vem, decisiva. Salvem-se os que puderem – e os que não puderem fiquem longe.


i. - Serra atingido no Rio de Janeiro fisicamente, sem gravidade, mas atingido. Lula o acusou de farsa. Ah, sim e por falar em farsa...

ii. - Há no meio petista, aquela ala que tem um qualificativo muito próprio que por respeito não mencionarei, sempre utilizado para identificar sindicalistas “fora de rumo”. Dos meus tempos de acompanhamento sindical no ABC. Vou me aproximar, “cientificamente”: “espermatozóides aloprados...”

iii. - Lula, já saudoso do governo está transformando o Brasil e a campanha presidencial num grande estádio de Vila Euclides (SBC). Nas grandes assembléias dos metalúrgicos naquele estádio quando presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, ele falava tudo o que queria e criticava quem bem entendesse com os aplausos da peãozada. Tudo mais ou menos igual com o que faz nesta campanha. Desvirtuamentos notórios que ninguém ousa coibir. Tenta desmoralizar todos os que não lhe agradam.

Pode ser sinal de que o PT ainda está em dúvida da vitória com sua candidata, mesmo com as pesquisas positivas.


iv. - Seria bom que Lula saísse do foco, não botasse lenha na fogueira. Vamos entrar na última semana. Salvem-se os que puderem – e os que não puderem fiquem longe.

v. - Lula critica demais a imprensa. Sem ela não teria mensalão, flagrantes de dinheiro na cueca, aloprados, denúncias de corrupção, nepotismo e o que mais? Seria tudo mais fácil, pois não!?

É que tem uma turma por aí que pensa. E esses caras tendem a tudo complicar, atrapalhar a denuniar.

vi. - Quarta-feira (dia 20.10) no metrô de São Paulo sentido Terminal Tietê – Praça da Sé. Um homem idoso, sentou-se no banco reservado para os de sua idade, abriu a pasta e atentamente começou a ler crônica do Arnaldo Jabor em cópia xerográfica, publicada no dia anterior no jornal “O Estado de São Paulo” (“A difícil missão de Dilma Rousseff”). O que havia de tão interessante no artigo? Eleitor silencioso que não responde pesquisas de intenção de voto...

vii. - Mesmo dia na praça da Sé, centro de São Paulo. Manifestantes esbravejando chavões repetitivos pró-Dilma, chegando ao insuportável. Revezavam-se os oradores com “discursos” amplificados pelo sistema de som.

Tudo bem que os petistas participem da campanha de sua candidata, mas o besteirol passou ali dos limites. E sabem o que é pior? Tem muita gente boa que acredita nessas tolices. Tolices repetidas, “verdades” tolas assumidas, acreditadas. “Que país é este?”

Parei na frente da estátua do Apóstolo Paulo para tomar fôlego de tudo aquilo. Mas que praça suja, nossa!

viii. - Essas pesquisas de intenção de voto estão cansando, mas distorcidas podem ajudar o candidato, sempre na frente e sempre avançando. Já houve “surpresas” no primeiro turno, chamuscando alguns institutos mais afoitos.

Demetrio Magnolli (sociólogo e doutor em Geografia Humana) em 14 último, no jornal “O Estado”, intitula seu artigo, sobre os métodos de pesquisas de intenção de votos, como “Os Falsários”. Trecho: “Pesquisas, obviamente, não decidem eleições. Mas elas têm um impacto que não é desprezível. Sob a influência dos humores cambiantes do eleitorado, supostamente captados com precisão decimal pelas pesquisas, consolidam-se ou se dissolvem alianças estaduais, aumentam ou diminuem as doações de campanha, emergem ou desaparecem argumentos utilizados na propaganda eleitoral, modifica-se a percepção pública sobre os candidatos. Os institutos comercializam um produto rotulado como informação. Se fosse leite, intoxicaria os consumidores. Sendo o que é, envenena a democracia.”

E no final pergunta:

“Ah, por sinal, qual é mesmo a taxa de aprovação do governo Lula?”

ix. - Intelectuais de cada lado: Chico Buarque qualificou Dilma de inteligentíssima. Gilberto Gil a apoiou também e disse que a vitoria da candidata garantiria tudo isso que aí está. Tudo isso o quê?

Do lado dos tucanos, o ex-petista e fundador do PT, Hélio Bicudo, declarou voto em Serra.

No jornal “O Estado de São Paulo” na sua coluna do dia 20 último Roberto Damatta se saí com esta:

“E para provar que as seis famílias donas de jornal não me controlam, faço questão de declarar: para mim, não há dúvida de que Serra e, de longe, o melhor. O resto, amigos, como dizia aquele bardo inglês, é silêncio...”

Que famílias!

x. - Marina Silva manteve-se neutra na disputa. Não apoiou Serra mais próximo, porque admira Lula. A sua neutralidade pode implicar em compromisso apenas programático do candidato (a) vencedor às suas ideias. Se apoiasse um deles e com o seu apoio fosse o seu escolhido eleito, o compromisso assumido de inserir o programa do PV na sua maior extensão estaria garantido. Do jeito que ficou, qualquer dos candidatos que vença as eleições, pode manter compromissos por “boa vontade”, sem prejuízo de medidas antiambientais na hora em que a questão econômica fizer pressão e a tudo atropelar. Complicado, hem? Perdeu o bonde!

xi. - Serra promete, se eleito, reduzindo despesas do Governo Federal, conceder 10% de reajuste aos aposentados. É bom lembrar que em maré alta, vai se formando uma onda imensa no "ambito" da previdência social idenficada por um neologismo: a "desaposentação". O Superior Tribunal de Justiça já vem aceitando a tese que consiste em recalcular a aposentadoria daqueles que, depois de obtido o benefício proporcional, continuaram trabalhando e contribuindo para a previdência. Esse tempo de contribuição adicional será somado ao tempo de trabalho para novo cálculo da aposentadoria, até o teto de 100%. É o que vem se desenhando nesse horizonte o que pode significar valores vultosos do orçamento federal para garantir a "desaposentação"


Foto: http://www.jornaldeluzilandia.com.br

terça-feira, 19 de outubro de 2010

UMA CAMPANHA DESNORTEADA




A campanha presidencial voltada para o Estado de São Paulo. Desvirtuamentos nos enfoques. Exacerbações. O povo paulista é conservador por não votar no PT para o governo do Estado?


Não se trata de “paulistânia desvairada” lembrar que o Estado de São Paulo tem destaque incomum na República Federativa, se comparado aos demais Estados. Destaca-se em todos os campos: na pesquisa, na área médica com hospitais de referência que atende pacientes até de fora do país, na área tecnológica, cultural, na produção industrial, agrícola. Conta com as melhores universidades públicas como a UNICAMP, UNESP e, principalmente, a USP, lembrada nas listas das mais destacadas do mundo.

De certo modo, com tudo isso, o Estado não “admite” meio termo e empurra o Brasil para frente. Do brasão de São Paulo em latim: "PRO BRASILIA FIANT EXIMIA" ("Pelo Brasil façam-se grandes coisas"). E assim não tem sido?

Há críticas na área educacional, há desvios na área ambiental, problemas na área de segurança e o sempre lembrado preço abusado dos pedágios, que são dezenas nas estradas paulistas.

A capital, São Paulo, contém, efetivamente, bolsões de pobreza, as favelas, geralmente habitadas pelos nossos patrícios nordestinos que vieram para o grande Estado na busca de dias melhores. Têm dado esses migrantes contribuição inestimável à construção civil e às indústrias de um modo geral, esforçando-se em viver, sobreviver e conviver.

Esse conglomerado de cidadãos, nos quais se inserem membros de má índole, bandidos mesmo, afetam a segurança da capital e das grandes cidades do interior. Pela pujança do Estado, os crimes ocorridos, tendem a repercutir nacionalmente, ampliados não tanto com os que ocorrem no Rio de Janeiro pelas peculiaridades de dominarem os bandidos os morros, mas sendo enfrentados nas favelas cariocas pela força policial de “paz”. E daí os enfrentamentos e os percalços.

Então, um Estado com essa grandeza tem problemas, sim, mas não parece que, proporcionalmente, os maiores eclodam em São Paulo. É aquilo que saliento: todos os eventos se amplificam, em todas as áreas, porque os principais condutores da ação e da reação estão no território paulista.

Digo tudo isso por conta do que tenho visto e ouvido nestes últimos dias na campanha petista que, à míngua de maior imaginação ou poucos argumentos, ataca o candidato tucano por aquilo que tem o Estado de São Paulo de falho ou carente, destacando-se os itens segurança e educação. Com muitas distorções.

Se fosse comparado com o Maranhão...

Claro que a idéia é enfraquecer o candidato Serra levando em conta algo novo que começo a ouvir em certas rodas esclarecidas argumentando que o povo paulista é “conservador” ou menos, não vota no PT para o governo do Estado.

Não sei se o paulista é mesmo conservador.

Os paulistas têm rejeitado o partido e seus candidatos em várias eleições. Desde 1995, tem conseguido o PSDB ocupar o Palácio dos Bandeirantes nesta ordem: Covas, Geraldo Alckmin (Claudio Lembro), Serra (Alberto Goldman) e novamente Alckmin eleito em 2010.

Qual o fenômeno?

Não me cabe conjeturar, mas os quadros do PT em São Paulo não convencem. Há anos. Discursos inconvincentes, críticas exacerbadas de tal modo que torna temerário o voto nos seus candidatos.

Uma petista que começara a se destacar fora Marta Suplicy. Prefeita eleita de São Paulo em 2000, não se reelegeu em 2004 perdendo as eleições para Serra. Novamente candidata em 2008, perdeu para Gilberto Kassab (DEM), que obteve no segundo turno mais de 60% dos votos.

Neste caso de São Paulo, a rejeição foi ao PT ou à sua candidata com aquele seu timbre arrogante? Ou a ambos?

Nas eleições para o Senado, Marta Suplicy andou muito perto de Netinho, dando a impressão de que sequer seria eleita. O mais votado, como todos sabem, foi o candidato do PSDB, Aloysio Nunes Ferreira que “desmoralizou” todas as pesquisas, porque na maioria delas, aparecia em 3° lugar.

Neste segundo turno, não sei qual será a votação de Dilma Roussef em São Paulo.

Mas, eu começo a me convencer de que há um eleitorado silencioso, conservador ou consciente que impede a ascensão do PT pelo menos nos cargos Executivos do Estado e da Capital.

Com Lula e tudo.

Fenômeno interessante esse.

domingo, 10 de outubro de 2010

FHC, O PSDB E O PT.

Os Governos FHC e Lula que o PT tenta comparar . Há que serem feitas comparações éticas também. O PSDB na defensiva. Não haveria nessas tentativas de Lula com essas comparações, um modo de superar seu baixo nível de escolaridade se comparado a FHC?


Espero não estar repetindo temas, mas se tem postura do PSDB que me intriga é essa de não ressaltar a imagem de Fernando Henrique Cardoso, mas de omitir todo seu desempenho nos oito anos da Presidência da República.

Essa estado defensivo foi assumido pelo PSDB e Geraldo Alckmin nas eleições 2006 por conta das comparações descabidas que fazia o PT, das críticas vazias que fazia o partido em relação ao tempo presidencial de FHC.

Para mim, esse estado defensivo, meio covarde, sempre fora motivo de perplexidade, porque de um modo ou outro os tucanos de certa maneira assumiram as críticas de Lula e do PT ao Governo FHC

Preferiram o silêncio em lugar de contestar com veemência os ataques adversários a maioria sem fundamento ou mesmo com pouca ou nenhuma verdade.

Pior, no 1° turno não só Serra mas outros candidatos pelo Brasil – que tinham o dever de apoiar o candidato do PSDB – se omitiram para aproveitar as migalhas que caíram por conta de algum contato que tiveram com Lula. Deplorável.

Agora, na iminente “ameaça” petista de criticar de novo o governo FHC, com as privatizações havidas, foi um alento ouvir Aécio Neves, logo após o encontro do seu partido no delineamento do segundo turno pró-Serra, que aquelas haveriam que ser defendidas.

Com a imparcialidade que me é possível, sempre defendi que a presença de Fernando Henrique na Presidência da República, menos pela sua capacidade de comunicação e mais pelo seu vigor intelectual, foi bom para o País, que passou a ser levado a sério. Começou com FHC o amadurecimento da vocação democrática, depois de vencidos percalços pós Sarney – acidente de percurso, Collor, substituído por Itamar Franco, este último um presidente de transição, por força do trauma do impeachment do então conhecido “caçador de marajás”.

O “Plano Real” no qual teve participação direta como coordenador foi o grande êxito do Brasil nas últimas décadas.

Lembro-me que, cinco anos antes do Plano Real, visitando sede de empresa multinacional nos Estados Unidos, diante do deboche meio velado que se dava com a inflação mensal escandalosa no Brasil, perdi a paciência com alguns americanos de riso amarelo.

Pude lembrar, pelo menos, do tamanho da indústria brasileira, a pujança de São Paulo entre outros aspectos importantes resultando dessa intervenção o silêncio dali para frente desse tipo de abordagem pelos americanos próximos. Como explicar a ‘monetary correction’? “Se a inflação for de 70%, a correção monetária de tudo o mais será no mesmo porcentual.” – Mas, se é assim, porque aumentar os preços e corrigir a moeda na mesma proporção? Por que não parar com esses aumentos, acabando com a ‘monetary correction’?”Eram as perguntas sem resposta, vexames nossos em cada entrevista naquela viagem de conhecimento da cultura da empresa.

O Plano Real foi, pois, um divisor de águas que deu dignidade à economia brasileira.

E nesse influxo, surgiu a figura de Fernando Henrique Cardoso que foi guindado à Presidência da República por dois mandatos que teve aquele mérito afirmado acima de mostrar que o Brasil passara a ingressar num regime de seriedade e de ética.

A propósito, comparem-se os políticos que o rodearam com os políticos que rodearam Lula. Aqueles que estiveram próximos de FHC estão até hoje disputando cargos eleitorais sem qualquer mácula que os alijasse da disputa do voto.

E os que rodearam Lula, quais sobraram? Tirando os ministros técnicos, poucos, a ponto de ter saído da cartola de Lula a sua candidata, relativamente desconhecida, salvo os antecedentes de sua militância “política”, nos tempos dos militares.

Assim, para comparar o PT e Lula tentam de todos os modos denegrir as conquistas efetivas e permanentes das gestões anteriores como se fossem os méritos, somente seus.

Claro que FHC não tem as virtudes do verbo fácil de Lula nos comícios, nos seus excessos que serão infalivelmente retratados ou amenizados no dia seguinte, mas o PSDB medroso não aproveitou a sua imagem e as conquistas de sua gestão.

Aloísio Nunes, o senador eleito mais votado em São Paulo, ao aproveitar “o fator FHC” decisivo em sua campanha, explica:

“Olha, o eleitor brasileiro não é bobo. Com já disse antes, ele não atribui a abertura dos portos ao presidente Lula. Há uma clara convicção de que as coisas começaram a melhorar a partir do Plano Real.” (1)

Na edição de hoje do jornal “O Estado de São Paulo”, em termos de comparação entre FHC e Lula que o PT insinua que fará, mas tem recuado, ex-ministro Pedro Malan em artigo bem esclarecedor, aponta vários itens obtidos no Governo de Fernando Henrique, muito bem aproveitados no Governo Lula. Diz o ex-ministro:

• O governo Lula não teve de resolver problemas graves de liquidez e solvência de parte do setor bancário brasileiro, público e privado. Resolvidos na segunda metade dos anos 90 pelo governo FHC. Ao contrário, o PT opôs-se, e veementemente, ao Proer e ao Proes e perseguiu seus responsáveis por anos no Congresso e na Justiça. Mas o governo Lula herdou um sistema financeiro sólido que não teve problemas na crise recente, como ajudou o País a rapidamente superá-la. Suprema ironia ver, na televisão, Lula oferecer a "nossa tecnologia do Proer" ao companheiro Bush em 2008.

• As pessoas que têm memória e honestidade intelectual também sabem que as transferências diretas de renda à população mais pobre não começaram com Lula - que se manifestou contra elas em discurso feito já como presidente em abril de 2003. O governo Lula abandonou sua ideia original de distribuir cupons de alimentação e adotou, consolidou e ampliou - mérito seu - os projetos já existentes. O que Lula reconheceu no parágrafo de abertura (caput) da medida provisória que editou em setembro de 2003, consolidando os programas herdados do governo anterior.

• O governo Lula não teve de reestruturar as dívidas de 25 de nossos 27 Estados e de cerca de 180 municípios que estavam, muitos, pré-insolventes, incapazes de arcar com seus compromissos com a União. Todos estão solventes há mais de 13 anos, uma herança que, juntamente com a Lei de Responsabilidade Fiscal, de maio de 2000 - antes, sim, do lulo-petismo, que a ela se opôs -, nada tem de maldita, muito pelo contrário, como sabem as pessoas de boa-fé.

Esse artigo de Pedro Malan traz outros aspectos e será bom lê-lo na íntegra e atentamente para os que desejarem ter uma resposta séria sobre os atos do PT e Lula no sentido de fazer seus, méritos de outrem, no caso de FHC. Os item transcritos acima são os que julguei mais significativos.

Dessa forma, acho mesmo que o PSDB, talvez por ter que explicar muita coisa, omitiu essas e outras realizações de seu Governo Presidencial, deixando que Lula a tudo festejasse como seu e vai levando vantagem com sua candidata.

Sinto que essa ansiedade de Lula em fazer comparações me parece se originar dos níveis de escolaridade: com pouco instrução conseguira mais que o acadêmico-intelectual. É a tentativa de uma realização espiritual. “Esse é o cara.”

Por isso, repito a pergunta: PSDB que partido é esse?

(1) Jornal “O Estado de São Paulo” de 10.10.2010 – entrevista.

(2) “Diálogo de surdos” – Pedro Malan, em jornal “O Estado de São Paulo” de 10.10.2010

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

ELEIÇÕES: QUEM GANHOU, QUEM PERDEU!

Os equívocos das pesquisas de intenção de voto, especialmente para o Senado em SP. Foi bom para o País, o 2° turno para presidência da República. Marina Silva se consagra com sua mensagem de preservação ambiental (verde). Os votos ao palhaço Tiririca em SP.


Não somente eu no portal Vote Brasil, mas outros colunistas ao prestar atenção notaram imprecisões em resultados de pesquisas de intenção de votos ao longo da campanha.

Conhecido o resultado das eleições, materializou-se uma situação clara: todos esses institutos de pesquisa saíram menos ou mais chamuscados pelos levantamentos falhos apresentados. Um pouco mais e estaria estabelecido o descrédito total dos seus números. E depois, a sua repetição que cansaram a ponto de serem ignoradas.

Vejam, de outra parte, o que se deu com as pesquisas diárias (tracking) Vox Populi patrocinadas pelo portal IG e TV Bandeirantes: até os últimos instantes os resultados davam algo em torno de 55% de votos para Dilma Roussef, no momento em que IBOPE e Datafolha já revelavam queda na votação da candidata do PT. Essas pesquisas foram de se estranhar até porque diárias, sempre apresentando números superiores aos dos institutos congêneres como se pretendesse fixar na mente dos eleitores o “já ganhou” da candidata de Lula.

Mas, o resultado das urnas, como disse, não deixou de chamuscar a todos na proporção das incoerências constatadas.

Para o Senado em São Paulo, a coisa foi mais comprometedora. Os institutos davam como certa a vitória da dupla Marta-Netinho. Este último com base nesses números irreais chegou até a se apresentar como senador por São Paulo dando entrevista. Mas, deu Aloísio Nunes Ferreira em 1° e, felizmente, o apresentador da televisão não foi eleito.

Somente o Datafolha, numa das últimas pesquisas, apontou a subida de Aloísio Nunes, indicando empate técnico entre os três candidatos ao Senado.

No tocante à campanha, Dilma fez o possível e foi bem, mas teve a vantagem de ser carregada por Lula. Ela é espécie de criação de seu padrinho que, certamente, naquele momento crucial, quando constatou que seu tempo havia chegado, não encontrou nenhum quadro no seu partido que pudesse substitui-lo à altura. Quem seria? José Dirceu, José Genoino, Tarso Genro, Antonio Palocci, José Sarney, Renan Calheiros? Quem? Só havia Dilma autoritária no seu cotidiano em quem viu competência; sua candidatura foi, então, viabilizada por Lula.

Nem Alísio Mercadante, em São Paulo, com todo o esforço de Lula-Dilma pela sua candidatura se constituía num nome competitivo. Senador, nunca esteve presente nos problemas e realidades de São Paulo. Pouca adianta dizer que vai fazer isto ou aquilo, sem conhecer a origem das dificuldades e desafios do Estado mais representativo da federação.

Geraldo Alckmin “cara limpa”, inspirava mais confiança e venceu no 1° turno, ainda que com pequena margem.

Foi bom o 2° turno com José Serra porque quebra um pouco a acreditada hegemonia do PT. Tem o candidato e seu partido um trabalho imenso a realizar nestes 30 dias para reverter a vantagem de Dilma-Lula no Norte-Nordeste. Ampliar sua vantagem no Sudeste (SP, SC e PR) ou diminuir diferenças (RS, MG). No Rio Grande do Sul, é compreensível sua derrota, porque a atual governadora, do PSDB, e seu governo estiveram envolvidos em denúncias e críticas severas. O Estado havia mudado, mas não deu certo com a governadora Yeda Crusius.

Neste segundo turno, situação definida para a maioria dos eleitos, se o PSDB for um partido competitivo, terá que unir todas as suas forças em torno de Serra. Deixar de lado a tendência de alguns de colher migalhas aproximando-se de Lula.

Revertendo o quadro, vencendo as eleições, terá Serra por tarefa, além de implantar os programas que promete na campanha, que enquadrar a política externa brasileira, meio torta, contraditória, inclusive assumir um posicionamento menos condescendente com autoritários vizinhos e, claro, com Hugo Chaves que chegou a dizer que se Dilma vencer, Lula continuará no poder.

Serra, mais do que ninguém, significa mudança.

Marina Silva teve desempenho muito acima da média e amealhou milhões de votos (19,6 milhões). São seus eleitores, entre outros, aqueles que acreditam numa economia sustentável, na qual o meio ambiente seja preservado por todos os meios possíveis, afastando a fragilidade de políticas que o ignoram quando se trata de obter o “progresso”.

Não será com a continuidade da gestão do PT que esses princípios serão considerados nos níveis exigidos nestes tempos de devastação, abusos e crimes ambientais impunes. “Em nome do progresso”.

Há um desafio que não quer calar, qualquer que seja o governo: saneamento básico, água e esgoto tratados.

Qualquer política que combate à pobreza e de saúde não pode passar sem que se enfrente esse desafio.

A votação de Tiririca, palhaço profissional, obteve em São Paulo mais de 1,3 milhões de votos elegendo-se o deputado federal mais votado do Brasil.

Num primeiro momento, me senti um pouco constrangido porque este é o meu Estado e São Paulo a minha cidade natal. Nada de orgulho paulista!

Mas, procurei entender. Tantos são os escândalos políticos que houve nestes últimos anos, que os eleitores, sem opção segundo seu modo de pensar, elegeram Tiririca como voto de protesto em lugar de anulá-lo.

Pelo menos teremos na Câmara dos Deputados um palhaço profissional.

(Seu mandato, sob alegação de que é analfaberto, vem sendo questionado pelo Ministério Público de São Paulo)

Foto: Google Imagens

domingo, 26 de setembro de 2010

O IMPASSE DA LEI DA “FICHA LIMPA”

Sem solução no STF até agora se aplicável nestas eleições a Lei da “Ficha Limpa”; a decisão pode ser adiada sem data se se confirmar a desistência de Joaquim Roriz ao seu recurso. Dúvidas se houve realmente alteração no processo eleitoral com a nova lei.

Há neste País um sentimento de impunidade. Esse sentimento se revela até mesmo entre pessoas mais humildes que se escandalizam à sua maneira com os abusos descobertos que os administradores públicos e os políticos praticam no desempenho de suas funções públicas.

Ao longo dos anos nas campanhas eleitorais, muitos políticos condenados e desonestos voltavam pedindo votos aos eleitores desavisados, muitos se reelegendo seguidamente confiando na memória curta do brasileiro.

Esse estado de coisas começou a ter vislumbres de mudança com a meritória iniciativa popular que por meio de pedido suportado por milhares e milhares de assinaturas impuseram um projeto de lei cujo objetivo era o de coibir esses abusos e, como decorrência, afastar da vida pública os políticos desonestos.

Essa iniciativa popular resultou na Lei Complementar 135 de 04.06.2010 que no seu enunciado informava que, alterando a Lei Complementar n° 64/1990 incluía “hipóteses de inelegibilidade que visam a proteger a probidade administrativa e a moralidade no exercício do mandato.”

Probidade e moralidade administrativa...

Havia nesse enunciado, forte vinculação com o artigo 37 da Constituição Federal que exatamente preconiza o modo como deve se comportar a administração pública seja ela direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios qual seja o de obedecer “aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência...”

Nesse diapasão, a LC n° 135 de modo expresso preenche um flanco aberto na legislação eleitoral, exatamente para obter a moralidade eleitoral, afastando candidatos com condenações judiciais.

Mas, as coisas não têm essa simplicidade.

Na Câmara, o projeto aprovado tinha dispositivo fundamental afastando todos aqueles candidatos que já tivessem sido condenados em segunda instância. Ora, com tal redação, haveria um forte apelo para que políticos nessas condições fossem alijados do pleito.

Mas, no Senado essa redação foi alterada para o futuro do subjuntivo, a saber: “os que forem condenados...”

Essa redação exclui, em tese, da inelegibilidade todos os políticos já condenados. A lei, então, teria efeito apenas para o futuro, para as próximas eleições.

Mas, o Tribunal Superior Eleitoral, considerou-a válida para o pleito de 3 de outubro porque ela fora promulgada antes das convenções partidárias o que significa que todos os partidos conheciam as novas regras eleitorais incluindo as inelegibilidades expressadas na LC n° 135/2010.

A partir daí, mesmo com seu saudável alcance de expurgar os maus políticos já nestas eleições, candidatos afetados pela Lei e juristas passaram a questionar a sua constitucionalidade e a sua retroatividade.

E nessa linha, o candidato ao governo de Brasília, Joaquim Roriz, impedido à luz da nova Lei em se candidatar, por ter renunciado ao mandato de senador em 2007 para fugir do processo de cassação, uma das condutas consideradas causa de inelegibilidade, ingressou com recurso no Supremo Tribunal Federal, questionando a constitucionalidade da Lei. O Tribunal reconheceu que tal recurso continha tema de “repercussão geral”.

A constitucionalidade da Lei foi confirmada pelo Supremo, mas os debates se estenderam no que se refere à aplicação do artigo 16 da Constituição, com a redação seguinte:

Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência.

Contendo o STF dez ministros, pela aposentadoria recente do ministro Eros Grau, cinco Ministro votaram pela aplicação imediata da Lei, seguindo a tese de que não modificara ela o processo eleitoral, mas apenas ampliara o rol das inelegibilidades e cinco ministros votaram pela sua inaplicabilidade considerando a redação do artigo 16 supra transcrito que inadmite, como se lê, a aplicação de lei que modifica o processo eleitoral a menos de um ano das eleições.

Teria havido, mesmo, alteração no processo eleitoral?

Impasse instalado, o julgamento foi suspenso e não se tem, ainda, uma decisão efetiva do STF sobre a aplicação ou não da LC n° 135 nestas eleições. O Tribunal deve se reunir nos próximos dias para, segundo notícias, tentar uma saída para o impasse.

Isso se tudo não voltar à estaca zero, com a extinção do processo com a desistência de Joaquim Roriz ao seu recurso, como vem sendo noticiado.

Nesse efetivo imbróglio, a Lei está vigorando plenamente, mas se constata realmente que há pendência relevante do ponto de vista constitucional que precisa ser resolvida.

Enquanto tal não se dá, as campanhas dos candidatos inelegíveis segundo as novas determinações prosseguem. Se o STF julgar nesta semana essas questões confirmando a aplicabilidade da Lei ficam alijados esses candidatos sem ficha limpa. Se depois, podem perder o mandato.

Imaginem um País com este tamanho estar diante de impasse com essa grandeza, com as eleições às portas, confundindo os eleitores que de um modo geral não entendem bem o que se passa nesse debate tão técnico e, ao mesmo tempo, assim desgastante.

O nome do presidente Lula foi lembrado no julgamento, porque tivera tempo de nomear novo ministro para substituir aquele aposentado e não o fez.

E com tudo isso, a “moralidade” pode ser adiada para as próximas eleições, sendo eleitos diversos políticos que deveriam há muito ter sido alijados da vida pública.

Mas, é de se reconhecer que mesmo aos “trancos e barrancos” as coisas estão mudando.