terça-feira, 4 de abril de 2017

RELATÓRIO DE AÇÕES ECOLÓGICAS EM PIRACICABA E EM ÁGUAS DE SÃO PEDRO



Piracicaba: Área verde formada no braço

Há alguns anos, aqui perto havia uma área verde de um 500 m2 que servia de depósito de entulho.
Um dia resolvi agir para mudar essa situação. Afinal, área verde é para ser verde.
Depois de muita pressão feita na Prefeitura eis que num domingo um trator veio espalhar o entulho dando condições de recuperar a área.
Num dia de chuva forte, terra molhada e leve, de próprio braço, plantei todas as mudas que se vê na área, excluindo essa imensa tipuana da frente. Um vizinho, mais tarde, plantou mudas de pitanga, fechando um pouco além da conta o verde.
As mudas cresceram muito além do esperado.



Ainda há quem ali jogue entulho, material de construção e restos de poda.
Fazer o quê. É a civilização do menor esforço que polui tudo.

Águas de São Pedro – Inspiração para plantio de dezenas de ipês variados (?)

Em junho numa rede social de amigos moradores de Águas e depois em julho de 2016 num jornalzinho político que parou de circular logo depois das eleições, escrevi o seguinte:

“A cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul, além de suas belezas naturais conta com diversas atrações turísticas.
Mas, além desses atrativos, atentem-se para estes aspectos fundamentais, notícia de 2009, que não perdeu a atualidade:
“Gramado está rodeada de flores que dão nome à região: hortênsias. Somente em 2009, a prefeitura, através da Secretaria de Meio Ambiente, realizou o plantio de 100 mil mudas. 

A hortênsia é considerada uma das características que motivaram o desenvolvimento do turismo em Gramado.“

Sim, um dos pontos fortes de Gramado, são as hortênsias, que se dão bem no clima e não há turista que não as fotografe. E até com família toda.

Se nessa perspectiva, formos pensar em Águas de São Pedro, sim, a cidade também tem atrativos turísticos, mesmo que menos impactantes que Gramado.
Para não me estender mais: na área verde mal aproveitada que beira a avenida (rua) Ângelo Nogueira Vila (Parque das Águas) sugiro que por ali deveriam ser plantadas dezenas ou quantas possíveis, mudas de ipês-amarelos e brancos dando um impacto positivo para quem chega à cidade quando da floração. E onde mais possível. Claro que sem a beleza das hortênsias, mas um começo para mudar pela revisão ambiental o panorama de Águas que está ficando para trás no apelo turístico em relação a outras cidades. Parou no tempo.”

Essa foi a sugestão que fiz e que contou com o apoio de todos os amigos do grupo “União dos moradores de Águas”.

Pois bem, em providências coordenadas pelo Ministério Público de Piracicaba – em sede do GAEMA – Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente, fora a SABESP intimada a firmar um TAC – Termo de Ajuste de Conduta para compensar os danos ambientais que praticara por causa das medidas que tomara para regularizar o tratamento de esgoto.
Num termo de compromisso houve a seguinte alteração:  

“CONSIDERANDO a solicitação encaminhada pelo Município de Águas de São Pedro para alterar a redação da cláusula 5.1.3.5, para fins de constar que o plantio das 400 mudas de ipês, de cores sortidas, conforme projeto inicial, seja transferido do Bosque Municipal para o Parque das Águas, localizado logo após o Portal da Cidade, mantendo-se o plantio das árvores frutíferas no Bosque Municipal...”



Sinto-me muito feliz porque é possível que minha sugestão teria inspirado o plantio dos 400 ipês “de cores sortidas” no denominado no Parque das Águas, do lado esquerdo da pista de quem ultrapassa o portal chegando à cidade.
Foram plantadas dezenas de ipês com o compromisso atribuído à SABESP como parte do TAC de cuidar das mudas e substituição às que não vingarem, por três anos.
(Espero que as fotos deem ideia do plantio já concluído dos ipês)

[Não pensar que Águas de São Pedro é um paraíso; há sérios problemas administrativos provocados por “autoridades” omissas ou despreparadas – não sabem, por ignorância o significado de Águas no país. Usam viseiras]

“Ecologista emocionado”

Quanto já escrevi nestes últimos oito anos de blog sobre assuntos ambientais!
Em alguns casos à emoção como a devastação permanente que se dá na Amazônia.
Não me acanho em revelar que saio por aí, plantando mudas e regando as que já plantei.
Todas essas manifestações estão “perdidas” nos meus blogs, mas lá estão. Não poucas vezes, elas são lembradas por acionadores do Google.
Grileiros e criminosos que fazem da mata virgem escampados desérticos ou pastos praticamente estéreis.
Mas, hoje minha emoção tem um sentido de bonança, por preciosidades da natureza que parecem insignificantes, mas que para mim, não são.

Vou recordar algumas mas há muito mais:

SOU A (XA) CHANANA













Sou semeada pelo vento
Floresço em espaços pequenos
Nas frestas das calçadas e guias
Nos terrenos baldios e mal cuidados
De repente, estou em todos os cantos
Minhas flores atraem abelhas
Minhas folhas têm propriedades medicinais
Sob o sol, sob a chuva
Protejam-me, cuidem de minha fragilidade
Sou a (xa) chanana, a flor-guarujá, tantos nomes.
Sou a bela, sou a humildade.

DOS MEUS ENCANTOS SILVESTRES
(Registros de um “ecologista” enlouquecido)


Num muro rústico que faz divisa com uma viela, não de hoje percebo uma trepadeirinha que não vinga, ora porque não se firma no muro, ora porque é arrancada não sei por quem.
Daí, ela procurou um lugar nessa coisa estranha de “semeação espontânea” e florescera no canteiro que é cuidado e com a certeza de que seria cuidada.
[Esse “fenômeno” já se deu com a chanana *]
Deixei prosperar para ver se sairia alguma flor daquela trepadeira tênue.
Eis que, num sábado destes, para minha surpresa, espocaram florezinhas de azul suave, ipomeias.
Há a “irmã” de azul mais escuro (mais para roxo) que enfeita áreas de mato ralo, sobrevivendo a todo tipo de agruras e climas.


Mas, as ipomeias do canteiro são diferentes, delicadas, muito bem vindas, surpresa agradabilíssima.


 E também:

ÁRVORES, O QUANTO QUERO
De 21.10.2012

Tenho feito com as limitações conhecidas, campanhas para o maior aproveitamento 

da arbustiva hibisco (mimo).





Tem a vantagem de não crescer muito, produzir flores 

grandes, multicores dando aquele tom de 

leveza desestressante nestes tempos cinzentos.

Essa planta poderia ser adotada em espaços mais largos entre pistas nas entradas do estado pela mesma razão.

Mas, vá alguém assumir a ideia em meio a essa indiferença e mesmo mentalidade embotada e monocromática “das autoridades competentes”. 

Não saem do lugar comum, nem por decreto.


RESENHA AMBIENTAL
Artigo que explana sobre diversos aspectos da degradação ambiental. De 21.11.2010, neste blog

Acessar: http://martinsmilton2.blogspot.com.br/2010/11/resenha-ambiental.html?spref=fb








A manhã começara mal-humorada

Não bastara o café adocicado

Algo no jornal me deprimira

Uma notícia cruel e malvada.

Mas, ai um bem-te-vi

Na janela me avisou que me vira

Eu também te vi vigilante passarinho.

Encontro seus olhinhos entre as tiras da cortina.

Creio que há algum ninho nos vãos de ar condicionado, por ali.

A vida ainda se renova, bem vi.

Até quando, meu peitinho amarelinho estridente, até quando?

domingo, 19 de fevereiro de 2017

PREMIAÇÃO LITERÁRIA NUM ESPETÁCULO RIDÍCULO


O escritor Raduam Nassar recebeu o Prêmio Camões de Literatura 
de € 100 mil valor dividido entre os governos do Brasil e de Portugal.
O escritor não seguiu a linha de enaltecer a literatura, seu livro e os escritores, mas partiu para o ataque naquela ladainha de “governo golpista” e também “lembrando” que o STF nada fizera para impedir o impedimento da presidenta.

E foi por ai. 

Tão inconvicto que dissera, numa noite de insônia,  ter mudado o seu discurso por três vezes como disse ao jornal “O Estado”:
"Passei a noite em claro, revisando o discurso. Eu o mudei ao menos três vezes", disse Raduan ao Estado, que criticou a nomeação de Alexandre de Moraes para o STF, a prisão recente de Guilherme Boulos e a diplomacia de Temer.”
Pelos deuses, o que esperava essa gente de mais desastroso na continuidade do “governo Dilma”? O que esperava essa gente? 
[Foi até bom para o petismo: da defensiva "insuportável" defendendo seus  governos repletos de denúncias e equívocos passou à "defensiva" com o "canto do golpe"]. 
E no debate com o ministro da cultura, Roberto Freire, que respondeu à críticas e vaiado pela claque petista do escritor, surgiu o extremo do ridículo: Raduan recebeu direitinho o dinheirinho parte do governo brasileiro, cuspiu no prato com a maior cara de pau e saiu numa boa com o chequinho gordo.



Se tivesse convicção pelo discurso que fez – mas tudo indica que não tinha - haveria que ter rejeitado a parte do dinheiro do governo brasileiro, destinando o valor a alguma biblioteca desaparelhada ou escola semiabandonada que vem desde os tempos do lulopetismo.
Que coisa mais lamentavelmente ridícula.
Eu xingo mas fico com a “esmola gorda” que recebi de quem xinguei.
Putz. Lições de careta de pau acima do limite ponderável.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

DOM PAULO, FIGUEIREDO E GREVES NO ABC



Quantas vezes já informei que na década de 70  trabalhava na indústria automobilística. Nas greve de 1978 – um marco político – era profissional de Relações Trabalhistas na fábrica da Chrysler de Santo André.
A partir daí acompanhei na “intimidade” todo o movimento político-sindical, daqueles tempos participando no âmbito da empresa de todos os episódios.
Para que se tenha uma noção da relevância do acordo que pôs fim às greves de 1978, o seu texto com orgulho foi pendurado como quadro honroso na sala de muitos dirigentes empresariais que passaram a considerar Lula uma figura nova, um nova face no sindicalismo, autêntico.

Os trechos abaixo foram extraídos do meu livro “Sindicalismo e Relações Trabalhistas” até chegar nas greves de 1980 quando João Figueiredo, de modo “ameno” se refere a Dom Paulo Evaristo Arns ("os salários são baixos", dizia ele).
Dom Paulo faleceu em 14 de dezembro de 2016.

Trechos (na cor azul):
Nas eleições de dezembro de 1978 o MDB lançou como candidato de oposição, o general Euler Bentes Monteiro. No colégio eleitoral o “sim” já foi bem mais escasso, refletindo, aliás, aquele clima de abertura: Figueiredo foi eleito pela ARENA com 335 votos, contra 266 conferidos ao candidato da oposição.
João Figueiredo, reconhecendo que o país não tinha democracia sentenciaria: “Reafirmo: é meu propósito inabalável fazer deste país uma democracia.”     
O mais duro teste não se fez esperar.
A posse de João Figueiredo, em 15.03.1979, fora marcada por um grande movimento grevista no ABC, coordenado pelos sindicatos dos metalúrgicos que tivera início no dia 13.
Essa greve - com forte motivação política pelo momento de sua deflagração, agora comandada pelos próprios sindicatos -, era respaldada por assembleias que atraiam milhares de trabalhadores. Essas assembleias eram realizadas num estádio de futebol, de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, que se tornou famoso por essas concentrações.
A greve deflagrada basicamente por discordarem os metalúrgicos dos critérios de reajustamento salarial propostos pelos empregadores e por insistirem na instituição de comissões de fábricas - resultou na intervenção nos sindicatos (de Santo André e São Bernardo do Campo) pelo Ministério do Trabalho.
Mas, após negociações de bastidores, chegou-se a uma solução provisória para o impasse onde se acordou uma trégua de 45 dias, período em que a greve foi suspensa. Vencido esse período, achado um acordo definitivo, a intervenção foi revogada, reassumindo os dirigentes afastados pelo ato oficial. O retorno foi emocionante, porque Lula contava com a simpatia da imprensa e da população em geral (incluindo os empresários).
Ressalte-se que nas comemorações do 1° de Maio, dentro da trégua de 45 dias - num momento em que as negociações estavam ainda indefinidas - com a participação de dirigentes sindicais de diversas categorias, realizou-se no estádio de Vila Euclides, seguramente, uma das maiores concentrações operárias dos últimos tempos. Um momento emocionante foi a leitura da poesia “Operário em Construção” de Vinicius de Moraes, presente ao ato:
            (...)
            “Via tudo o que fazia
            O lucro do seu patrão
            E em cada coisa que via
            Misteriosamente havia
            A marca de sua mão.
            E o operário disse: Não !

            - Loucura ! - gritou o patrão
            Não vês o que te dou eu ?
            - Mentira ! - disse o operário
            Não podes dar-me o que é meu.”
            (...)



Foi a partir dessa greve que a Igreja Católica passou a apoiar ostensivamente o movimento operário. Havia um ano que, na televisão, Lula criticara a pouca atenção e apoio que dava a Igreja aos movimentos operários.
O bispo de Santo André, Dom Claudio Hummes, que chegou a participar da solução do conflito convidado para uma reunião em Brasília com o Ministro do Trabalho, em comunicado em que explicava a “atuação da Igreja apoiando a greve dos metalúrgicos do ABC”, diria que pretendia “como pastor defender os direitos fundamentais dos metalúrgicos e apoiar suas justas reivindicações”. E concluía afirmando que continuava “a distribuição de alimentos às famílias dos metalúrgicos atingidos pela greve”.
(...)
Nesse período difícil, refletindo uma crise que se iniciara em 1980,   grandes movimentos grevistas foram deflagrados. 
 Em 1° de abril desse ano, teve início no ABC mais um movimento paredista dos metalúrgicos que buscavam aumento de produtividade de 15%. As negociações não prosperaram. Todavia, ele poderia ter se encerrado logo no seu início quando, surpreendentemente, o Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, declarou-se incompetente para julgar a legalidade da greve e, no mesmo julgamento, concedia praticamente todos os pleitos salariais dos trabalhadores. Houve a promessa dos empresários nos bastidores, de que as empresas cumpririam a decisão judicial.
Mas, a greve prosseguiu porque fora incluída nas reivindicações, então, a estabilidade no emprego. Além, é claro, da projeção política buscada pelos dirigentes sindicais que lideravam o movimento.
Com essa atitude, nova intervenção nos Sindicatos de São Bernardo e Santo André, prisão de todos os líderes sindicais nas celas do DEOPS, confrontos seguidos entre policiais e políticos do PMDB solidários com os grevistas, mantendo a cidade de São Bernardo do Campo por semanas em clima de tensão e caos.
(...)
A situação dos sindicatos sob intervenção só começou a se regularizar a partir de 1981, quando a FIESP revelou que não negociaria com os interventores nomeados.
Esse movimento grevista, que durou 41 dias, abusado ou não, alcançou forte repercussão e solidariedade internacional. 
A partir daí, o direito de greve tornou-se uma realidade, a despeito da vigência da Lei n° 4.330/64 e do Decreto-lei n° 1.632 de 4.8.1978 que a proibia nos serviços públicos e nas atividades essenciais de interesse da segurança nacional. Absurdo jurídico ? Sim, absurdo jurídico !
(...)
A Igreja Católica já vinha dando apoio aos movimentos grevistas, como já vimos, em particular, naqueles ocorridos no ABC.
Durante a greve de 1980, numa entrevista, o Presidente João Figueiredo assim se posicionou sobre o envolvimento da Igreja:
“- Como Sr. vê a participação da Igreja no episódio ?
- Vejo mal, muito mal. Mas não é a Igreja, são certos segmentos dela. Muitos bispos também têm me procurado e manifestando posição contrária àquela assumida pela Igreja em São Paulo, dizendo que não concordavam com ela.
- E a nota da CNBB sobre a greve ?
- A CNBB não é a Igreja.
- Então é só uma parte da Igreja que apoia os metalúrgicos ?
- É verdade, a Igreja está dividida.
- Os sacerdotes estão  liderando a greve ?
- Não sei se estão liderando ou não. Mas estão dando a impressão à opinião pública de que estão se colocando contra a lei.
- E D. Paulo Evaristo Arns ?
-Não conheço. Nunca tive contato com ele, mas pelas manifestações que tenho, ele está incitando a greve”.
Dentro da Igreja, essas afirmações geraram polêmica, especialmente aquelas relativas à CNBB.



Muito já se disse sobre Dom Paulo inclusive sua participação para derrubada gradativa do poder militar. Religioso corajoso, saiu sempre em defesa dos mais necessitados atuação que nem sempre mereceu a compreensão daqueles que veem a eclosão do comunismo como um fantasma que assombra tal qual o fogo fátuo. Nessa quadro cheio de alternativas, no tocante ao movimento sindical o qual ele apoiou,  no meu livro “Joana d’Art” quando me refiro, digamos, à memória daqueles idos que de tão perto acompanhei, reconheci:
                      
Não foram muitos os que se decidiram por aquele espírito belicoso incluindo os que rumaram meio às cegas, mas vários foram os militantes que se deram mal. Esse tipo de oposição fora instituída num momento de arrogância militar. Um erro.  Haveria que esperar o momento começando por discutir ideias.

O regime militar haveria que se enfraquecer como resultado de sua fadiga. Cairia de velho. O sindicalismo no ABC por linhas tortas tivera essa percepção mesmo que de modo ocasional. Não importa. De um modo ou outro deram contribuição  para a queda do regime militar mais tarde.”



PS: como já disse vezes outras o meu livro "Sindicalismo e Relações Trabalhistas" constitui-se na minha ex-futura obra prima.            

domingo, 21 de agosto de 2016

REDUÇÃO DO CUSTO BRASIL

Redução do número de deputados e senadores:


Na edição do dia 19 último, o jornal “O Estado de São Paulo” divulgou pequena nota nestes termos:

Na edição do dia 19 último, o jornal “O Estado de São Paulo” divulgou pequena nota nestes termos:

“Pesquisa sobre o Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que busca diminuir o número de parlamentares no Congresso já recebeu quase 174 mil votos no site do Senado – 99% favoráveis. A emenda, de autoria do senador Jorge Viana (PT-AC), quer reduzir de 513 para 386 a quantidade de deputados e de 81 para 57 o número de senadores.”

Qual o sentido que pode ser explorado com essa PEC (106/15)? Principalmente aquele que reconhece ser o Brasil, um país pobre que suporta há décadas e décadas quantidade exagerada de deputados federais, senadores e, como decorrência, deputados estaduais e vereadores, estes, normalmente, um grupo político inútil que encarece o orçamento dos municípios com seu legislativo de regra desproporcional aos seus recursos.

Na exposição de motivos do projeto de emenda constitucional proposto pelo deputado, há referências a uma estrutura política mais “enxuta”  acentuando:

“Consideramos, por outro lado, que nem mesmo as dimensões continentais do Brasil e a complexidade de nossa sociedade justificam a eleição de três representantes por Estado e pelo Distrito Federal para esta Casa. Mencionamos, a título de exemplo, os Estados Unidos da América, país igualmente extenso, cujos estados elegem dois senadores cada um.”

Provavelmente a proporção que sugere o projeto tenha se baseado no número do Legislativo dos Estados Unidos incluindo sua população, cerca de 100 milhões de habitantes a mais do que o Brasil.

Pois bem, dentro de minhas limitações de comunicação em propor campanhas válidas que reduzam o “custo Brasil” em fevereiro de 2005, no Jornal de Piracicaba (creio que também no extinto portal “Vote Brasil” mais tarde) publiquei um artigo que exatamente se refere a essa desproporção entre o Congresso Brasileiro e o Americano.

Os números a que cheguei nessa (des) proporção entre Brasil e Estados Unidos?

Senadores: 54 (com a exclusão dos senadores de Brasília)
Deputados: cerca de 300
(Que sejam 386 como propõe o deputado).

E eu encerrava assim esse meu artigo de 2005:

“Isto é, significaria a diminuição em cadeia do custo Brasil. E também nas Câmaras municipais. Aliás, nesse nível político, o que se tem visto são cidades falidas e Legislativos não compartilhando do sacrifício do povo, preocupados sim com assessores e status, em alguns casos um acinte aos padrões de vida da comunidade”.



Nessas minhas angústias de um país como o Brasil com todo o seu potencial, vítima de assaltos aos seus cofres, nunca como nestes últimos anos, a proposta de redução de deputados e senadores, constitui-se tão ou mais valiosa com o que se passa na “operação lava jato”.

E por quê?

Porque essa campanha significaria aspiração popular legítima, de valor e duradoura, aproveitando o momento para equilibrar o custo Brasil.

Enquanto tal não ocorre, o discurso de todos os governantes insere a determinação de aumento de impostos. Redução do custo Brasil, ninguém ousa articular.

Temos uma oportunidade agora com esse projeto para reverter esse quadro desolador.