TEMAS:
1.
O Lula na década de 70. A grave de 1978. História
2.
Bolsonaro eleito e as fake news
3.
Como a lava jato me afetou
4.
O bolsonarismo radical e acéfalo
5.
Os inimigos inesperados
6.
Putin e Maduro
1.
O Lula na década de 70. A greve de 1978. História
No
Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo ele começou
como diretor se não me engano da área previdenciária. Eu sou desse
tempo, trabalhando na Chrysler. Me lembro dele e até acho que
naqueles idos falamos ao telefone para assuntos de sua diretoria.
Ele
foi indicado para a presidência pelo Paulo Vidal Neto em 1975 que
começara a dar uma nova face àquele sindicato, mais atuante e
exigente.
Na
greve de 1978 na Saab Scania Lula ascendeu ao “estrelato” até
mesmo entre os empresários. Eu estava lá. (*)
Essa
greve foi o marco do crescimento daquele sindicato e, para mim, um
desgaste profissional e hoje um episódio histórico importante que faz parte da
minha vida profissional distante.
Na
greve de 41 dias eu de modo bem discreto estive no Estádio da Vila
Euclides assistindo uma assembleia com milhares de grevistas — se
não me engano no dia seguinte aos voos rasantes de helicópteros do
Exército,
No lançamento do documentário “Linha de Montagem” em
1982, meio inibido assisti o filme no próprio Sindicato de São
Bernardo.
Depois
de 78, os Sindicatos do ABC, especialmente de SBC com Lula contribuíram
para a volta da democracia e não adianta alguns fazerem cara feia.
Por
tudo isso eu escrevi um livro de sindicalismo (Sindicalismo e
Relações Trabalhistas) que pela pressa não teve tempo de ser minha
obra-prima.
Este livro é de uma época, meus tempos nas Relações Trabalhistas em multinacionais automobilísticas. Como disse, poderia ter sido uma obra prima, mas não foi. Edição de 1996, portanto, "datado".
2.
Bolsonaro eleito em 2018 e a instituição das
fake news
Dou um salto largo é já
estou em 2018 com a eleição de Bolsonaro, considerado um mau
militar por Geisel, um deputado federal medíocre — como ele
próprio se qualificou em 2022 já planejando um golpe de estado —
e na sua linha aética, infestou o país com uma onda de mentiras
sórdidas, denominadas fake news que os seus adoradores repercutiam
sem uma análise primária da falsidade que elas continham.
A elas os falsos
“evangélicos”, os “pastores” que dobram os fiéis submetidos
aos dízimos, aqueles enriquecidos e estes os sustentando. Na ação
politica, exultam com profecias e ardis vergonhosos e nessa farsa,
guindaram Bolsonaro à condição de ungido com o mote “deus,
pátria e família”. Também uma farsa. E os Evangelhos? São quase um panfleto para sustentar o "ungido". Na verdade na mente dessa gente nefasta, os Evangelhos foram desmoralizados.
Mas, os eleitores silenciosos
perceberam a irresponsabilidade, os excessos e Bolsonaro foi derrotado em 2022 com profecias e tudo.
Mas, a praga das fake news
têm severo efeito mental. Elas são a causa do "não pensar" do
bolsonarismo.
3.
Como a lava jato me afetou
Lula
na Presidência a partir de 2002 a despeito das críticas exacerbadas
e injustas ao governo FHC até que com o passar dos anos
eclodiu o “mensalão” e depois, lá por 2014 eclodiu a lava jato
processo pelo qual foram registrados atos de corrupção de modo
escandaloso em áreas diversas, especialmente na Petrobrás.
Eu
apoiava o juiz Sergio Moro, me era indiferente o promotor Denton
Dallagnol embora tivesse em 2016 apresentado um powerpoint sórdido
contra Lula, fora dos Autos a par de ser desrespeitoso com ele,
alcunhando-o de “nine”.
Lula
foi preso em abril de 2018 poucos meses antes das eleições presidenciais
que elegeria Bolsonaro.
Moro
se convertera em herói nacional até o ponto em que, aspirando uma
vaga no STF, aliou-se a Bolsonaro assumindo o Ministério da Justiça.
Estranhei
porque Bolsonaro para mim se tornara uma excrecência politica,
aético, chulo, antiambiental, zero em solidariedade dado mais a frente em patrocinar exibições
de motocicletas e jet sky.
Não
demorou as estultices de Bolsonaro “convencerem” Moro a se exonerar e
o fez com muita dignidade, inclusive fazendo acusações contra
Bolsonaro e os filhos (a pratica das rachadinhas).
Então
o Podemos praticamente o lançou à presidência da República para
as eleições de 2022 e eu o “elegi” o melhor da 3ª via.
Mas,
à medida que a candidatura de Lula prosperava, Moro voltou a se
aliar a Bolsonaro numa sucessão de trapalhadas e, então, nada mais
havia ser considerado. Moro perdera o rumo.
Depois,
alguns fatos extraprocessuais da lava jato foram sendo divulgados,
abusos da dobradinha Moro-Dallagnol e, então, entre Lula e
Bolsonaro, só restava Lula para quem mantinha dignidade ética.
4.
O bolsonarismo radical e acéfalo
O modo debochado como sempre
se comportou Bolsonaro, dando braçadas nas fake news, se exibindo
com “motociatas” e o seu passeio preferido, de jetsky contaminou
seus eleitores.
Pois em termos de deboches
sórdidos foram muitos, destacando-se a imitação do doente sofrendo
por falta de oxigênio; e outro desvio mental foi abraçar para sí o
bicentenário da Independência que desvirtuou num discurso medíocre o encerrou com aqueles gritos de imbrochável. Há muito mais do que isso.
Essa conduta inqualificável,
ignara, incentivou entre os seus adeptos atitudes desrespeitosas de
não levar nada a sério, usar o baixo calão, acreditar em suas
próprias imbecilidades, engendrar fake news e detratar tudo que o
Governo acertava.
Esses sintomas levaram esses
tais acéfalos crônicos a marcharem na frente dos quarteis em cenas
patéticas, cantarem o hino nacional adorando um pneus, culminando
por suas manifestações golpistas culminando com o 8 de janeiro.
Esses bolsonaristas não têm
cura.
E são eles também
alimentados pela pior ala parlamentar do Congresso, que esbravejam
críticas ao governo de Lula e se envergonham de analisar o desastre
que foi o “governo” Bolsonaro que, de tão irresponsável e incompetente elegeu, felizmente, o Lula.
5.
Os inimigos inesperados e as
mediocridades
Na plataforma X (ex –
Twitter) tudo ocorre. Nela cabe tudo, até inteligência.
Então, no X é que se
manifestam bolsonaristas que classifico, sem receio, de acéfalos,
contaminados por aquele que chamam de “mito” ou ungido.
Não há como esperar qualquer
ímpeto de lucidez dessa claque que recepciona Bolsonaro sempre com risos e
abraços.
Há deputados e senadores que
se destacam nas críticas e nas mentiras que engendram, Muitos deles
deliram, vivendo num mundo paralelo no qual as lucubrações
cerebrinas grotescas serviriam para análise psicológica.
Não há como não mencionar:
Eduardo Bolsonaro. Nikolas Ferreira, Marcel Van Hatter. Gustavo Gayer
(o pior), Marco Feliciano, Carla Zambelli, Damares Alves, Eduardo Girão. São os
medíocres que mais aparecem no X. Mas, há outros.
Entre outros há esses que têm viajado aos
Estados Unidos forjando sessão no Congresso Americano, como se
convocassem a cavalaria para invadir o STF, porque há aqui, "censura" e "ditadura", os mesmos que defenderam o golpe de Bolsonaro e ainda
defendem agora com o apoio de Elon Musk, o dono do X que se mostra
“indignado” com a suspensão de contas de alguns radicais,
especialistas em divulgação de ódio e golpismo.
Há décadas assino o jornal
“O Estado”. Nunca vi como agora, colunistas tão ruins. O jornal
sistematicamente faz oposição ao Governo, talvez por torcer pela
volta do ungido. Nas suas páginas há um colunista bolsonarista que,
como tal, distorce a realidade, culpando sempre o STF, Lula, o
Congresso nada atribuindo ao derrotado, o seu “mito” e não tem vergonha na
cara para analisar o seu desgoverno que elegeu Lula.
São inimigos demais, não
tanto pela inteligência, mas pela constância.
Não há outro modo para
combater o gabinete do ódio e das fake news que não seja estabelecer um outro
gabinete oficial para desmentir tudo o que divulgam nas redes
sociais de distorção e mentiras..
Tem hora que eu me sinto mal
ao responder a esses abusos e não me autorizo a usar o baixo calão
como esses bolsonaristas usam.
6. Putin e Maduro
Já escrevi antes que o
posicionamento favorável de Lula a Putin, especialmente com o
convite formulado para que venha ao Brasil em outubro na reunião do
G20 é até uma provocação, tal a contradição que explicita.
Putin se qualifica como
“senhor das armas nucleares” e se diz preparado para a guerra do
fim do mundo, um pária com mente de Stalin que vai devastando a
Ucrânia numa guerra de conquista territorial.
Lula pressiona a Europa para
implantação do livre mercado com o Mercosul mas faz esse flerte com
aquele que nega qualquer sentido de paz e, pior, faz ameaças
tresloucadas de guerra.
O óleo diesel russo não pode
justificar essa submissão, essa condescendência sórdida com o
líder russo. Essa de ficar com cada pé em duas canoas, agradando o
Ocidente mas flertando com o pior do Oriente, inclusive com a ditadura do Iran — que financia o terrorismo — pode o levar à derrota
política pelo modo como essa contradição que não se explica e pode ser explorada no
futuro de muitas maneiras.
Se tem medo de apoiar a Ucrânia, pelo menos não bajule Putin desse modo vergonhoso porque são líderes equivocados como Lula que o fortalecem de modo perigoso.
Mais que isso é ter juízo
porque todos nós respiramos ares Ocidentais.
E, em se falando de ditadura,
como suportar o carinho que faz Lula ao ditador Maduro, um bronco que
vai “vencer” as próximas eleições e, com certeza, Lula vai se
parabenizar com ele, porque a democracia pode ser "relativa".
Provavelmente, Lula ainda
tenha algum resquício dos tempos influentes de Fidel Castro porque
essa postura contraditória não pode ter sido um original seu. É
requentar um tempo que já se foi é um perigo, no mínimo, na eventual tentativa de reeleição.
(*) 1978 - GREVE NA SCANIA - SBC