Por causa do Censo de 2022 será necessária a readequação do número de deputados por Estado, isto é, pela diminuição da população de uns e aumento de outros, há que distribuir segundo essa nova proporção de representantes. E, por isso, há proposta de aumentar o número de deputados para que nenhum Estado perca sua representação na Câmara.
Nos Estados Unidos com 130 milhões de habitantes a mais, o Legislativo é composto de 100 senadores (mandato de 6 anos) e 435 representantes (mandato de 2 anos).
A Câmara brasileira conta hoje com 513 deputados (mandato de 4 anos) e 81 senadores (mandato de 8 anos).
População Brasil: 203 milhões em 2022; Estados Unidos: 332milhões em 2021.Estados: Brasil; 25 + DF; Estados Unidos: 50 Estados + territórios.
Simples: o Congresso brasileiro, num país carente é superior ao dos Estados Unidos em número de membros!
Leio, agora, que o atual presidente da Câmara defende esta vergonha inominável:
"Penso que a solução seria um grande acordo para que aumentemos 14 vagas par deputados federais, para que nenhum Estado perca." ("Estado" de 23 de fevereiro).
Com isso, o número pularia de 513 para 527 deputados, aumentando despesas, verbas de representação e o custo de um Congresso perdulário e até irresponsável.
Pois não é de sua "atribuição" gastar 50 bilhões do orçamento em emendas, boa parte de modo espúrio?
Muitos desses deputados proclamam moralidade até o momento em que seus interesses eleitorais tenham que ser mantidos: então, "mateus, primeiros os meus"!
Mas, esses vícios reconhecidos prevalecem há muito e há muito mais.
O Brasil permanece com poucos avanços em suas políticas de melhoria da vida das pessoas.
O custo desse Congresso é um escárnio ao povo brasileiro, e milhões de incautos, e eu não rejeito o posicionamento, mas ficam nas quireras das despesas oficiais do Executivo e não olham para os escândalos do Legislativo.
Quem desmente?
E há, agora, o descaramento em se pensar na elevação do número de deputados para equacionar os números de habitantes revelados pelo Censo 2022, como afirmado.
Isso significa se tal absurdo prosperar, que no futuro, em novos censos, ocorrendo essa variação de Estado para Estado que novos aumentos de deputados ficam liberados. É ou não é uma irresponsabilidade?
As coisas estão realmente mal aparadas. Há não muito, os empresários Horácio Lafer Piva, Pedro Passos e Pedro Wongtschowski em artigo publicado no jornal “O Estado de São Paulo” de 25.08.2023, sob o título "O custo da democracia - O Poder Legislativo" informaram com outros elementos o custo do Legislativo brasileiro.
Transcrevo estes trechos:
É grande o poder legislativo brasileiro. São 513 deputados federais, 81 senadores, 1.059 deputados estaduais e 58.208 vereadores. É poderoso o Poder Legislativo, especialmente o federal. Só de emendas parlamentares foram empenhados, em 2022, R$ 25,4 bilhões. É caro o Poder Legislativo. Considerados a União, os Estaddos e os municípios, o custo anual é de cerca de R$ 40 bilhões; destes R$ 13 bilhões correspondem ao Congresso Nacional.
Os partidos políticos têm acesso a dois fundos – o Fundo Partidário (oficialmente Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos) e o Fundo Eleitoral (oficialmente Fundo Especial de Financiamento de Campanha). O Fundo Partidário foi criado em 1995 e custa cerca de R$ 400 milhões anuais ao contribuinte. O Fundo Eleitoral, criado em 2017 e mais generoso, é dividido entre os partidos políticos: foram cerca de R$ 5,4 bilhões em 2022.
Há nesse quadro econômico, aquilo que um dia se chamou de "mordomias" que vão muito além da compreensão de qualquer análise séria.
Esses temas nunca deveriam sair de pauta por aqueles que pensam num país melhor, mais ético, mais justo.
Referência no texto:
(*) Acessar: ASPECTOS DO CUSTO BRASIL