segunda-feira, 25 de novembro de 2024

TODOS OS ANTECEDENTES DO PLANO HOMICIDA

O país se depara com a divulgação de plano homicida de tomada de poder com  assassinatos de Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes cujo processo investigatório da Polícia Federal já remetido à PGR para a necessária análise e o provável deferimento da continuidade do processo perante o STF.








Diga-se que o Ministro Alexandre de Moraes, tem se excedido em manifestações que até o comprometem, o deixam mal mas analisando todos os antecedentes dos atos golpistas (como não qualificar assim?) que culminaram com o 8 de janeiro de 2023 chego à conclusão de que fora ele, por suas atitudes severas, quem segurou o país na democracia.

Como negar isso?

No tocante às penas aplicadas aos vândalos do dia 8 de janeiro, eu as considero excessivas e já defendi que a melhor dosagem seria aquela votada pelo Min Luiz Roberto Barroso:

"No tocante às penas que estão sendo aplicadas aos predadores no STF me parece que a melhor dosagem seria a do voto do Min. Luiz Roberto Barroso, que ponderou: “Na minha visão, o crime de tentativa de golpe de Estado absorve o crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito”.

Divulgado o plano dos assassinatos referidos e a tomada violenta de poder, discute-se agora com bastante calor se fora apenas um mero ato pensado mas não tentado. As opiniões se dividem. 

Mas, essas revelações de agora não podem ser tratadas como insânia isolada, mal- pensada mas fazem parte de um conjunto golpista que vinha de longa data, desde a posse de Jair Bolsonaro que sempre, de um modo ou outro, se referiu a golpe, mesmo com a farsa de agir dentro das quatro linhas da Constituição.

Os antecedentes ao longo dos anos que fazem parte do conjunto pró-golpe são estes:

● Essa postura de Bolsonaro em falar em golpe, insuflando nos bastidores os militares radicais saudosos da ditadura iniciada em 1º de abril de 1964. E abertamente seus adeptos;

Na linha golpista, em junho de 2022 a reunião de Bolsonaro com embaixadores na qual prenunciava sua derrota e a possível reação a ela. E qual seria a reação? Não será preciso escrever...

Recusando-se a passar a faixa presidencial a Lula, no dia 12 de dezembro de 2022, data da diplomação de Lula pelo TSE, houve em Brasília movimento bolsonarista violento, com queima de veículos e tentativa de invasão da sede da PF;

No dia 24 de dezembro, ato terrorista evitado a tempo, de explodir caminhão tanque carregado de combustível no aeroporto de Brasília. Esse ato foi apenas pensado ou tentado?

Nesse lapso, desde que confirmada a eleição de Lula, uma horda de bolsonaristas acampou na frente de quarteis em diversos Estados e, no caso de Brasília, incentivada ou tolerada por militares, não só dos radicais;

Fora o sinal à horda para o uso da insanidade e da depredação aos prédio do STF, do Planalto e do Congresso no dia 8 de janeiro, provocando um estado "irreversível" de pré-golpe esperando-se a adesão militar que não houve;

A vitória de Lula não se deu por incompetência de Bolsonaro e a sua irresponsabilidade; a a "causa" foram as urnas insistentemente atacadas de modo insano e sem qualquer indício de verdade. Tudo isso insuflou a horda acampada;

Bolsonaro para não ser acusado de fomentador do golpe ou de reações violentas fugira para Miami antes, em 30 de dezembro, esperando os acontecimentos. E como "ausente" livrou-se do fracasso do golpe e das prisões às centenas daquele contingente iludido por um distúrbio coletivo de delírio — e o que faz Bolsonaro é gritar, estrategicamente, por anistia! 

Não concordo que essa fuga, como expõe o inquérito, se devesse ao receio dele em ser preso — tanto que não foi mesmo com o fracasso do golpe. Fora um expectador da inconsequência;

Esses eventos exigiam a prisão não só dos depredadores mas dos incentivadores e militares que apoiaram;

Até aqui houvera, sim, a tentativa de golpe não muito articulado porque nos bastidores havia os que não o apoiavam;

E, então, surge o plano de golpe com assassinatos. Esse plano — e não há como remediar isso — integra o conjunto de todos os atos que o antecederam, em especial o 8 de janeiro; um plano desse jaez não pode ser considerado mera lucubração doentia mas o corolário de radicalização inserida nesse conjunto de tramas;

O golpe fora tentado com a complacência de militares de alta patente mesmo dos que se opunham a ele; a tolerância dos acampamentos referidos e as marchas patéticas dos "revoltosos" lá instalados que bradavam  o "1964" em "2023"!

Claro que no caso do plano sinistro de assassinatos, há opiniões respeitáveis no sentido de que o simples pensar não é tentar. Mas, há o conjunto de antecedentes que foram muito além do simples pensar. O golpismo foi tentado com todas as letras pelo que, como duvidar que no alinhamento da insanidade, não se inseriram os homicídios? Há mais fogo do que fumaça nesses eventos;

● Novas revelações, obtidas do inquérito da PF, informam que o golpe de Estado só não se concretizou, porque não houve a adesão dos comandantes do Exército e Aeronáutica

Todo o inquérito foi remetido à PGR. Necessário e conforme a lei, porque passará por análise daqueles quem não devem se influenciar pela perplexidade e se ater às provas produzidas pela PF e até requerer outras. Será um posicionamento importante e, por isso, esperado para dar os rumos ao processo no STF.











quinta-feira, 31 de outubro de 2024

O STF SEUS ACERTOS E EQUÍVOCOS







Foto: Gustavo Moreno/STF




Não está fácil defender o STF nos dias atuais especialmente pelas relações que alguns ministros têm com a lava jato. Dias Toffoli e Gilmar Mendes, têm se valido de decisões monocráticas para anular decisões proferidas da 13ª Vara de Curitiba nos tempos de Sérgio Moro como juiz, então, de modo bastante discutível.

Parece-me que no caso das decisões de Tóffoli — que anulou todos os atos que incriminavam o empresário Marcelo Odebrecht — teve uma dose de afirmação para assentar que tudo da lava jato, no final das contas, fora maculada pela parcialidade do juiz Moro e que nada do processo era aproveitável.

Neste meu espaço, por diversas vezes critiquei a postura inadequada de Gilmar Mendes, muitas vezes desprovida de cuidados com o que fazia e falava e ainda fala.

A última dele, recente, foi anular as condenações de José Dirceu, também nos processos da lava jato ao estender a ele decisão da 2ª Turma do STF que em 2021 declarara que o juiz Moro fora parcial em condenar Lula.

Essas decisões, com o grau de repercussão que teriam e tiveram, deferidas monocraticamente, foram exacerbação desgastando essa prerrogativa.

Não poucas vezes Gilmar Mendes verteu seu ciúme perante Moro que, sim, fez encaminhamentos processuais inadequados, ilegais, mas tudo ser anulado numa canetada, desprezando o que consta no todo dos autos, não poderia prevalecer.

Para casos assim polêmicos, quem tem que decidir é o Pleno do STF.

Há na Câmara dos Deputados como todos sabem, diversas PECs que se encaminham para tolher decisões do STF que, supostamente desautorizariam, eventualmente, o Legislativo e o Executivo.

Tudo indica que de todas essas propostas, a que vai prosseguir é a delimitação das decisões monocráticas, não tanto por essas anomalias que podem ser apontadas, mas retaliação a uma do ministro Flavio Dino, correta, que suspendeu as emendas de orçamento pelas quais parlamentares distribuem valores vultosos sem controle e sem transparência.

Por causa dessa decisão, Arthur Lira, “ofendido” nos seus interesses, encaminhou o projeto na Câmara para “regular”, então, as decisões monocráticas.

Mesmo com um ministro como Gilmar Mendes eu me coloco contra alterar poderes do STF mesmo as decisões monocráticas. Há uma ala mais jovem de deputados que persegue esse objetivo, de modo até irresponsável.

Porque o Congresso quer alterar atribuições constitucionais do STF, sem olhar para suas próprias vergonhas, as mordomias de que se valem todos os deputados e senadores, um escárnio ao povo brasileiro que os sustenta.

Ao longo de minha jornada de advogado, ao perceber que as coisas não iam bem no Judiciário, sempre que possível sendo a saída honrosa, propunha um acordo.

Recentemente. Elon Musk, alertado a tempo negociou a suspensão dos impedimentos decretados contra o X (ex-Twitter), tudo voltou ao normal. Houve desgaste, no caso? Prejuízos? Houve, mas fora a saída para a continuidade da plataforma.

No próprio X  às alterações debatidas na Câmara, fiz comentários veementes, como estes:

ABERRAÇÃO: O Congresso que já detém parte do orçamento da União, valendo-se das emendas muitas espúrias, agora a acefalia coletiva quer ser o super Tribunal do país. Que moral tem essa gente? A irresponsabilidade chega às raias do absurdo porque não avalia os efeitos futuros.

ABERRAÇÃO (2): A tentativa do Congresso — dominando já as emendas do orçamento num processo semiclandestino — em diminuir as ações do STF, tornando-se um super-tribunal, é iniciativa do que há pior entre os deputados, tem que ser rejeitada veementemente. Essa gente é irresponsável.

Esses comentários são de 10 e 11 de outubro. Fui veemente demais? É possível. Mas, este país não é de brinquedo.

Nessa linha de acordo, negociações quando as coisas não vão bem no Judiciário, quem sabe seja possível aos golpistas de 8 de janeiro reduzir a pena — que considero severa demais — que livres, então, imaginando a liberdade que tinham em iniciar um golpe porque alimentado sutilmente por quatro anos, a ponto de, nos últimos meses do mandato anterior, aqueles adeptos marchavam na frente dos quartéis compondo cenas tristes e hilárias. E não houve quem os desincentivasse.

Eu disse que tolher os poderes do STF seria airresponsabilidade (que) chega às raias do absurdo porque não se avalia os efeitos futuros”.

Tenho sido crítico do jornal “O Estado de São Paulo” por posições ambíguas que assume, incluindo articulistas que julgo radicais em só olhar um lado da questão, privilegiando o bolsonarismo e a critica pela crítica ao atual governo, mas no editorial do dia 21 de outubro, sob o título “Cuidado com o que se deseja” ele é aberto deste modo o qual concordo:

Esquecem os revanchistas que, no futuro, o veneno que tentam produzir contra o STF pode se voltar contra si, e que um debate de boa fé buscaria corrigir excessos da Corte, não emparedá-la”.

E o editorial conclui:

Em resumo, cuidado com o que se deseja. É preciso boa-fé nos debates sobre propostas que, na prática, podem modificar profundamente o horizonte republicano de um país. Seus efeitos e seus riscos requerem prudência, cautela e discussão qualificada – e não o revanchismo irresponsável que parece prevalecer no momento”.

E, ademais, o STF não são somente equívocos e há muitos acertos e ouso concordar mesmo reconhecendo excessos que o Tribunal contribui para manter a democracia brasileira que chegou a ser ameaçada.

domingo, 20 de outubro de 2024

QUESTÕES QUE TRANSCENDEM AS EXPLICAÇÕES DA CRISE CLIMÁTICA











Há algo além da ação nefasta do homo sapiens sobre o ambiente que vai sendo perversa e irresponsavelmente devastado.

"Ambiente", no caso é tudo aquilo que se pode colocar no universo da Natureza da Terra: as florestas e os vegetais, os animais e, ainda mesmo com as insânias e guerras que praticam, os seres humanos.

O planeta suporta e sustenta essas três manifestações mas só um deles depreda aquilo que muitos esclarecidos dentre eles informam ser aqui o "nosso lar".

Todos os adjetivos foram e têm sido empregados para descrever a devastação das florestas em larga escala e, essa horda de ignaros não pensa nos efeitos futuros desses atos perversos porque a linguagem do dinheiro é aqui e agora.

Então, uma árvore centenária não tem o valor dos séculos em que floresceu atingindo um tamanho majestoso. Não. A avaliação se dá por metros cúbicos e o quanto renderá.

Não se olham as fontes que ela eventualmente alimenta irrigando a terra, a captação de carbono da atmosfera retribuindo com oxigênio, melhorando o ar nestes tempos de poderosa poluição.

Nesse processo a árvore mantém a umidade do ambiente e favorece, em larga escala, as chuvas como ocorre, ainda, na Amazônia e, a partir dela, em amplas áreas do país.

São conceitos elementares, o lugar comum nestes tempos?

Podem até parecer mas não são. 

Nos dias atuais, com tanta devastação que se dá também pelos incêndios provocados na Amazônia e outros biomas importantes, as chuvas minguam, os rios secam, a fauna é morta nesse contexto de insanidades que todo mundo vê mas que, em termos de ação pouco se faz, salvo os discursos que são eloquentes mas que se perdem na demagogia.

Todo mundo vê os pastos se multiplicarem dando-se a crueldade duplicada: contra a floresta que tempera o clima do planeta e contra os animais, criados para consumo.

Há vozes conscientes de que o consumo de carne deveria diminuir. E a carne está tão presente na culinária que a picanha, aqui no Brasil, virou mote desqualificado de política num embate pobre e ridículo.

É preciso reverter essa devastação e, na contrapartida, ampliar com urgência reservas florestais fiscalizadas. Promover campanhas constantes de sua importância. "Plante que a Natureza garante".

Sintetizando, estamos vivendo momento muito grave do ponto de vista ambiental a ponto de, nesse desequilíbrio notório, ter chovido há pouco de modo copioso no deserto do Saara formando-se lagoas que, sabe-se, não se sustentarão porque se trata de uma anomalia climática.

Como considerar as enchentes recentes no Rio Grande do Sul? Que anomalia foi aquela?

As plantas estão aí, elas crescem, milhões cuidam dos jardins, das flores, tocam nas pétalas duma rosa sem atinar como aquele tecido frágil foi criado ou colhem laranjas suculentas no pé, sem perguntarem como a laranjeira levou a água até lá no alto e criou o fruto. 

Ora, porque a terra dá os nutrientes, dirá alguém simplificando. As raízes. Esse é um pensamento limitado.

Tenho lido e ouvido filósofos que formulam frases bonitas e edificantes, desde a Grécia antiga, alguns hoje fazendo pregações de autoajuda, mas não há quem se arrisque em explicar sobre a eclosão da própria vida e como ela se encerra. Após a morte tudo se finda no cemitério ou a alma revive numa reencarnação futura continuando o aprendizado onde havia parado? A Terra é um planeta de penitências tais as desigualdades reinantes?

E Deus, o Criador? 

Quem comprova o big-bang? Não se trata de uma ficção conveniente? No universo são bilhões de estrelas, planetas e corpos celestes. Qual poder mantem essa harmonia?  

Tudo se debate, mas não há quem ultrapasse esse enigma da existência, da vida e seus desafios. Há um destino traçado?

Tenho constatado que, a qualquer avanço filosófico nesses desafios, se impõem novas indagações mais difíceis de responder. 


Os animais não são vegetais, não é a terra o seu nutriente, mas o que ela produz. Não estão neste planeta por acidente. 

Eles aqui estão para, a seu modo, sobreviverem com o homo sapiens. O home sapiens deveria os tratar com compaixão.

Mas, não é assim. Tanto quanto as florestas, eles são trucidados por maldade ou para suprir alimentação. Fizeram parte de rituais ditos religiosos. E há, ainda, caçadores insanos.

De um modo geral, eles se apegam aos seres humanos que lhes dão carinho: há cenas de músico tocando instrumento afinado que atrai bois e vacas que, "surpresos", se aproximam da fonte do som suave.

Os animais domésticos são o maior confirmação dessa aproximação e não escondem o amor que devotam aos seus protetores.

Os seus protetores defendem os animais até o momento em que a refeição cotidiana é completada com nacos de carne. E aí não se pergunta se aquele pedaço é resultado de crueldade extrema nos matadouros. 

No seu livro "Sapiens - Uma breve história da humanidade", Yuval Noah Hararia relata crueldades indescritíveis contra o animais, relatando o caso das porcas e seus filhotes que ficam confinados em caixotes, em engorda, sem poderem se mover ou buscar comida no chão. (*)

É para pensar no possível choque que se dá nas forças de criação da Natureza essas mortes cruéis aos milhões por dia.

Essa crueldade aos animais não explica os conflitos que se sucedem no Planeta, essas guerras absurdas, o ódio, o genocídio, a intolerância política e religiosa e os assassinatos? 

Tudo está ligado ao Todo.

Pelo modo como o homo sapiens vem agindo no planeta percebe-se, se nada mudar, que os ataques ao meio ambiente tendem a afetar o ânimo do planeta em suportar e alimentar todos os seres vivos, nestes incluídos os vegetais. 

E não se esqueçam os oceanos que se transformam em depósito de resíduos tóxicos e lixo.


O livro é de 1909 e seu conteúdo aborda temas da existência do ponto de vista místico, buscando explicações sobre os mistérios da vida, da morte, a "lei" da causa e efeito. O autor recomenda o vegetarianismo por tudo o que sofrem os animais sob o poder do homem e sua impiedade. O trecho é longo que transcrevo mas tem tudo a ver com o que tento transmitir: 

"Este mundo em que vivemos é governado por Leis da Natureza. Sob essas leis devemos viver e trabalhar, e somos impotentes para modificá-las. Poe conseguinte, se as conhecermos bem e cooperamos inteligentemente  bem com elas, essas forças-naturais tornar-se-ão nossas servidoras mais valiosas, como acontece, por exemplo, com a eletricidade ou a força expansiva do vapor. Se pelo contrário, não as compreendermos, e em nossa ignorância agirmos contrariamente a elas, podem as mesmas converterem-se nas mais perigosas inimigas nossas, capazes de destruição terríveis". 

E o Autor prossegue, dando a sua mensagem mística:

"Assim sendo, quanto mais nos familiarizarmos com os método de trabalho da Natureza, que é um símbolo visível do Deus invisível, tanto melhor poderemos aproveitar as oportunidades e vantagens que se oferecem para crescimento e poder, para nos emanciparmos das limitações, e para nos alçarmos à perfeição". (**)

Essa admoestação sobre os abusos contra a Natureza, 115 anos passados, vão se confirmando. Esses desatinos têm que ser contidos urgentemente. Tal qual um corpo doente que precisa de tratamento, só há um caminho: o da cura e da recomposição. E, sobretudo, uma mudança de mentalidade de tal modo que o planeta deixe de ser considerado a oficina do mal, um depósito de lixo e entulho para ser enxergado como a casa de sobrevivência ainda bonita a ser rigorosamente preservado, para todas as formas de vida.


Referências

(*) Acessar: SAPIENS UMA BREVE HISTÓRIA DO TEMPO

(**) Max Heidel - Conceito Rosacruz do Cosmos


quarta-feira, 2 de outubro de 2024

O BULLIYNG DO IRÃ NOS ATAQUES A ISRAEL



Lula, de modo "silencioso" se alia ao Irã que financia o Hamas e o Hesbollah




Não me canso nos artigos que aqui escrevo divulgados no X (ex-Twitter) de criticar Israel pelo morticínio que provoca na faixa de Gaza e agora no Líbano. Para não dizer que se trata de genocídio usei, sempre, a palavra morticínio!

É um drama terrível que passam essas pessoas sujeitas à morte iminente com bombas caindo sobre suas cabeças, sem poupar hospitais, escolas, crianças em desespero...

E, então, o presidente Lula no seu discurso insosso, repetitivo — que se autoelege como "paladino da paz", mas é parcial na análise, talvez sob a influência ultrapassada de Celso Amorim — porque avalia as consequências e não a causa real que está por trás dessa tragédia.

O que é o Hamas? O que é o Hesbollah? São grupos que querem o fim de Israel - convertendo o país a mera terra arrasada, desértica e nada mais. 

Mal comparando, o tipo perverso e odioso de bullyng!

Mas, o que seriam esses grupos paramilitares, que não sejam grupos terroristas que se apoiam naquele objetivo? Israel não age de modo exemplar na Cisjordânia mas esse tipo de atitude poderia ser resolvida em sérias negociações.

Volto ao bullyng.

Por trás desses grupos de ódio, está um país que se resguarda, demonstrando a falsa inocência, que os sustenta, porém, querendo, como se diz popularmente, esperando o circo pegar fogo: o Irã. É o Irã que mantém esse permanente estado de ameaça a Israel sujeito a esse bullyng de modo permanente, e isso já há anos.

Então, em lugar de apenas criticar Israel pela truculência na sua reação, é preciso identificar o principal agressor que é o Irã.

Como estariam o Hamas e o Hesbollah sem as bombas do Irã? 

Irã financia o Hamas e o Hesbollah, se faz de inocente mas sua reação de agora confirma que faz parte do bullyng como principal agressor pelos seus capangas. 

Então as críticas de Lula a Israel é uma farsa porque o pivô dessa tragédia é o Irã que vem sendo poupado.

Não de hoje Lula se submete a determinadas autoridades mundiais, à reverência exacerbada. 

Agora, com o BRICS, Lula deverá se relacionar com o ayatollah Ali Khamenei — líder supremo do Irã — ou quem o substitua e, claro, nesse caso, nada de algum tipo de confronto ou crítica ao novo "aliado" que rejeita o Ocidente. Lula é um equivocado notório na política internacional e nos conflitos. Melhor que se calasse.

Guerra Rússia - Ucrânia

O "paladino da paz", o Lula se une à China e se apresenta como negociador para pôr fim à guerra Rússia - Ucrânia.

Ora, a China é aliada da Rússia e Lula é um tipo de submisso ao poder de Putin. O que pode surgir de real de uma proposta desses aliados ao encerramento da guerra?

Simples: a Rússia fica com todos os territórios que invadiu num processo de agressão inaceitável. 

Ele demonstra quão vivo está a sua síndrome de "Cuba libre" que empolgou a esquerda de sua geração e da qual não se libertou ainda. Tudo contra o Ocidente, contra os Estados Unidos, principalmente.


E seu posicionamento é de tal modo incoerente que silencia sobre a ditadura na Venezuela e o desprezo que Maduro, o bronco, demonstrou a ele, Lula, na fraude das eleições que o "reelegeu" e a perseguição que faz aos adversários.

É um equivocado.



quarta-feira, 25 de setembro de 2024

MEMÓRIA: MANAUS 50 ANOS DEPOIS





Queimadas na Amazônia






Trabalhar em multinacionais, alguns funcionários são escalados para viajar para o exterior em muitos casos, como o meu caso, para um aprendizado: fui conhecer as estratégias de negociações coletivas sindicais nalguns países da América Latina. Isso em 1975.

Então, depois da Argentina, Colômbia e México, a última escala, voltando, foi a Venezuela.

Nesse país, a Chrysler tinha uma fábrica, um galpão, mas montava aqueles carros enormes, equivalentes ao Dart, Le Baron, Charger...

Pergunto ao motorista em quais regiões na Venezuela o petróleo existia.

Vaidoso, o venezuelano me respondeu apontando terrenos baldios:

— Aqui, ali em todo lugar.

O bolivar — moeda venezuelana — era cotado a 50% do dólar, significando que o cruzeiro na Venezuela era moeda fraca.

Depois desse último compromisso, entrei no Brasil por Manaus, e lá fiquei uns três dias até que surgisse um voo disponível, conveniente, direto para São Paulo.

Nesses poucos dias me entrosei bem com os costumes manauenses, os passeios, o teatro no Largo de São Sebastião, àquele rio-mar todo, os barcos, "tudo" girando em torno do Rio Amazonas.

A floresta nem estava tão longe da cidade um orgulho e uma característica: a regularidade das chuvas à tarde Ouvia-se o "dialogo clássico":

— Olha à tarde, depois da chuva nós nos encontramos na rua Sete de Setembro, no lugar de sempre.

— Não vai dar, melhor que seja mais cedo, antes da chuva.

Essa a realidade há 50 anos.

Hoje não só Manaus, mas o Estado do Amazonas sofrem com seca perversa e a explicação é simplista demais: isso se dá pelas mudanças climáticas.

As mudanças climáticas começaram, na verdade, a partir da selva amazônica sob exploração criminosa, o desmatamento ilegal em busca de madeira e, não adianta negar, a exploração agropecuária que exige, também, o desmatamento.

E agora a insanidade explícita provocando incêndios imensos, vitimando os animais e pássaros que vivem no seu interior numa ligação ecológica não totalmente explicada ainda e que vai sendo destruída num quadro de irresponsabilidade inimaginável.

Com aquele quadro que presenciei naqueles poucos dias há 50 anos, as chuvas constantes, aquela vibração inexplicável de vida em grande escala, os grandes rios vivos suportando tantas atividades e sustentando tanta gente que me ocorreu um dia, há cerca de 40 anos, que tudo aquilo era potencialmente um risco à exploração desenfreada.

Dai porque, na imprensa regional, que chamo "nesse meu canto" quando me refiro  a ela, apontava a devastação crescente que prenunciava o pior. Em setembro de 1984 (há 40 anos), escrevi sobre os "fazedores de desertos" com as indagações da época, do que  dou um trecho do artigo publicado no ABC:

"Aqui já nos manifestamos numa linha ecológica que nos parece, daqui para frente, numa progressão geométrica o grande desafio que enfrentaremos, não como demonstração piegas de “amor à natureza”, mas como elemento de sobrevivência.

Enquanto isso, os técnicos, diante dos fenômenos naturais incomuns que se intensificam no mundo todo, costumam achar explicações científicas e racionais concluindo, em outras palavras, que se trata de um capricho da natureza.

(...)

Dessa forma, acima dos cálculos e dos gráficos, latentes e poderosas permanecem as mensagens intuitivas que, silenciosamente, vão nos dando a medida das coisas. E a essas, não é nada coerente ignorarmos.

A natureza age com outras forças. Notem os prognósticos dos meteorologistas, cuja única tarefa é analisar as condições do tempo. Passam horas diante dos seus instrumentos e gráficos e com que frequência erram em suas previsões.

Todas essas conturbações que estamos vivendo tendem a se intensificar. As enchentes no Sul (claro que não se referem à tragédia deste ano no Rio Grande do Sul), além do desmatamento indiscriminado e irresponsável ao longo de décadas, se deve (a despeito dos desmentidos técnicos), à imensa reserva aquática debitada à Usina de Itaipu que passou a representar o desequilíbrio maior numa região já sensível aos efeitos das frentes frias".

Sim, com as catástrofes ambientais que se repetem estamos nos aproximando de um tempo em que a preocupação será a sobrevivência do homo sapiens.

E o que fazer?

Começar a refazer tudo o que foi desfeito, com urgência.

Utópico? Parece, mas não é.


sábado, 31 de agosto de 2024

MUSK, O X E O JOGO DA EXTREMA DIREITA


 

Como agiu o X e seu dono, Elon Musk em relação à política brasileira?

Participo do portal, tenho a dizer que no X cabe de tudo, desde vídeo de assassinatos, pornografia até mensagens golpistas e ridículas da política  brasileira.

Aquela horda de acéfalos, indigentes mentais que nunca demonstraram interesse pela melhoria do próprio país mas o de denegrir os que derrotaram o totismo (de totem) bolsonarista e tudo o que se contrapõem ao Bolsonaro, como um modo de compensar sua derrota, eis que ela se deu por absoluta irresponsabilidade nos seus quatro anos.

Silas Malafaia o blasfemo que no meu modo de ver, do ponto de vista da religiosidade é a voz demoníaca no "evangelismo", guindou o seu totem como "ungido" mas que errou na profecia ao lhe dar vitória, é um dos aliados que lutam pelo caos. Ele chamou Moraes de "desgraçado", a linguagem de um "pastor" de botequim.

A situação chegou a tal ponto do abuso e do cômico que uma comissão de deputados — incluindo o Dallagnol que antes fora o herói do powerpoint — foram aos Estados Unidos, dom dinheiro público apelando para deputados trumpista a "invadirem" o STF que segurava e segura o radicalismo e o golpismo. O neto de Figueiredo por diversas vezes manifestou a esperança de que a "tropa" dos americanos interviessem no STF.

Quem eram os "censurados"? 

Radicais indigentes, três deles vivendo nos Estados Unidos como fugitivos da realidade brasileira. 

Desavergonhados, falam em censura e ditadura, mas defendem o golpismo e ignoram a censura e a tortura do pós 64 de onde proveio Bolsonaro — que já homenageou torturador — classificado naqueles tempos de mau militar.

E qual a atitude de Musk? Convencido de que a extrema direita, pelo baixo calão adotado por essa horda inconsequente, desrespeitava qualquer manifestação quer de Alexandre de Moraes, quer do STF — e quem se opusesse era duramente criticado (a). Da irreverência, Musk passou ao deboche, não cumprindo decisões do Tribunal a par de instigar alto e bom som que não acataria decisões do Tribunal. Nesse delírio, instigou questionamentos às eleições que derrotaram a incompetência, "pelo ouvir dizer", criando uma situação insuportável. 

Depois de tudo isso, fora ele pego por um detalhe "inesperado": o X não tinha representação legal no Brasil.

A situação insuportável que ele criou foi resolvida por esse detalhe. O X está fora no Brasil.

Gritem à vontade os "prejudicados"...


 



quinta-feira, 4 de julho de 2024

CONGRESSO SEM REFERÊNCIAS. INFLAÇÃO, PLANO REAL. MEMÓRIAS

Há cerca de um mês, entrevistado no programa "Canal Livre" da TV Bandeirantes o ex-Ministro Rubens Ricupero, falando do Congresso Nacional se ressentia, e esse expressão é minha, que não havia mais referências de políticos no nível de Mario Covas, Ulisses Guimarães, Fernando Henrique Cardoso, Franco Montoro, Tancredo Neves...







Eram parlamentares que seguravam e muito a dignidade do Congresso Nacional, fossem quais fossem as exacerbações. E havia, pós ditadura que se esvaíra em 1985, ainda, os seus defensores ferrenhos. Como os há ainda hoje.

E nesse Congresso, mesmo sem Tancredo mas com essas influências que foi promulgada a Constituição de 1988 que, mesmo com falhas, mantem o país relativamente estável até hoje.  E, por incrível que pareça, o PT votou contra.

Quantas vezes é a Constituição é mencionada como parâmetro para conter excessos e até tentativa de golpes como se deu em 2022/3.

E hoje quais são os deputados e senadores que mais se destacam, todos recitando a cartilha da radicalização sem causa: um garoto de nome Nicola, um certo Gayer, Eduardo Bolsonaro, Marcel Van Hatter, Marco Feliciano, Carla Zambelli, Damares Alves, Eduardo Girão. o "czar" Lira das Alagoas, a coluna evangélica que cospe nos Evangelhos. Há outros. 

E muitos desse Congresso, hoje, são afoitos com o orçamento semi-secreto cujo dispêndio é pouco fiscalizado, suscitando oportunidades de corrupção.

Eu tenho memorias desse tempo porque acadêmico de Direito na PUC de São Paulo na vigência do AI 5 . Lá estava José Dirceu nessa mesma Faculdade, fazendo discursos à esquerda radical tendo como inspiração a revolução cubana. Preso, libertado em troca da libertação do embaixador norte-americano sequestrado por radicais terroristas — embarcou para Cuba.

Ele está de volta e seu discurso não mudou muito porque lhe pesa essa "cultura" de Castro e Che Guevara. Os tempos mudaram e há petistas saudosos desse tempo que o tempo arquivou. Os discursos de José Dirceu, então, no meu modo de ver, não têm mais espaço nestes tempos mesmo que tão conflituosos.

Desses tempos de PUCSP as aulas de "Introdução à Ciência do Direito" e "Ética do Direito" matérias ministradas pelo então Senador Franco Montoro, um professor sereno, interessado pelos alunos.

Eis que num exame oral, embora sempre mau aluno, mas sabendo da matéria, não sei se ainda jovem impressionado pelo senador, deu aquilo que se chama de "branco". Ele percebera que tinha eu domínio da matéria e, então, com muita paciência, foi me ajudando a recuperar o domínio. Como esquecer isso?

E o Lula? Pois eu "convivi" com ele nos meus tempos da multinacional Chrysler de SBC para a qual trabalhava em relações trabalhistas. Mantive algum contato nos tempos em que era ele diretor previdenciário. Repito: a greve de 1978 foi um marco. (*)

Ele foi dessa turma inspirada por Cuba, razão porque "mostrava a língua" aos Estados Unidos e até hoje de certa maneira ainda faz, mas pela sua atuação sindical ajudou a reconquista da democracia. Não há como negar isso!



Tancredo e Lula



Disse-o a seu modo Ernesto Geisel em sua memórias ao afirmar que foi preciso prender Lula pelas greves... porque "eram fatos desagradáveis, mas que faziam parte da liberdade que a distensão procurava assegurar". 

Sua projeção política foi tanta que foi reeleito presidente da República por três vezes, esta ultima derrotando Bolsonaro com tudo o que tinha para ser reeleito. Bolsonaro não foi reeleito porque, sobretudo, tomou atitudes irresponsáveis, assim agiu, ao longo do seu mandato. 

Foi nesse mesmo livro que Geisel se referiu a Jair Bolsonaro: "Não contemos o Bolsonaro, porque o Bolsonaro é um caso completamente fora do normal, inclusive um mau militar".(**)

Sim, convivi com os percalços da alta inflação.

Em janeiro de 1989 foi introduzido o cruzado novo (NCz$) que significou o corte de três zeros no cruzado combalido pela inflação galopante.

Nesse ano de 1989, por conta de multinacional para a qual trabalhava fui para os Estados Unidos, visitando várias de suas fábricas no estado do Ullinois.

Eis que havia nos contatos amigáveis, uma constante: uma certa perplexidade com a inflação brasileira e até, em alguns momentos, ironia que foi cansando.

Já relatei isso:

Embora tivesse comigo um colega que falava bem o inglês, coube a mim, com meu inglês ruim explicar pros americanos a loucura da inflação brasileira.

- Bem, nós resolvemos a inflação com a “monetary corretion” e é possível controlá-la com a equiparação ao dólar.

Reage o americano perplexo:

Para quê a inflação se tem a correção monetária?

Responder o quê?

Essa explicação fora dada várias vezes porque a perplexidade era justificável.

Um dia qualquer, porém, numa visita a uma fábrica na cidade de Aurora, um dos funcionários que nos acompanhava fez deboche dos 90% (?) de inflação mensal.

Perdi a paciência e com aquele meu inglês ruim e tudo parti para o sermão. Mais ou menos isto:

— Você conhece o Brasil? Você não quer saber do poderio de São Paulo? Você sabe que a VW emprega milhares de trabalhadores numa fábrica imensa? Você certamente sabe dos lucros que “nossa” empresa obtém no Brasil, com inflação e tudo, não sabe? Na verdade bem ou mal conseguimos conviver com a inflação e o país não vai parar por causa disso.

Depois dessa intervenção “estranhamente” ninguém mais tocou no tema “inflation”. 

Em junho de 1984 trabalhando para um pequeno sindicato patronal no interior de São Paulo me coube desvendar o Plano Real agora comemorando 30 anos de implantação. 

Quanto me debrucei na páginas dos jornais para entender a URV e depois, em julho, a introdução do Real algo inimaginável: R$1,00 igual a US1,00.

Não havia mais corrida aos supermercados — a inflação fora controlada. Nos ônibus, nas ruas, no trabalho a perplexidade e o sorriso fácil da vitória. O dólar "enquadrado".

Fernando Henrique Cardoso, que como ministros da Fazenda agarrou o pacote e saiu pelo país explicando seus efeitos salutares. E por isso, 30 anos depois, é reverenciado.

Depois de tantos valores sem ignorar as dificuldades éticas que o país sempre atravessou, me deparo com o bolsonarismo num quadro perverso da exaltação das mentiras deliberadas com o intuito de confundir os eleitores, a farsa descarada e a progressão evangélica que tomou conta, mais do que nunca, da mente de brasileiros humildes que acreditam nos seus pastores mas pagando o preço de um tributo chamado de dízimo.

Nunca pensei assistir um dia tanta distorção e tantos discursos sombrios.

Meu consolo é esse tempo que tive a felicidade de viver a presenciar e até participar. Que tempos!

Referências:

(*) GREVE DE 1978 NA SCANIA

(**) Livro Ernesto Geisel (Memórias)




sábado, 1 de junho de 2024

LULA É ALIADO DO AGRESSOR NA GUERRA RÚSSIA-UCRÂNIA




O heroico Zelensky




Ninguém me perguntou e nem sei se há interesse, mas não sou Lulista porque se fosse não teria a liberdade de criticar os atos que discordo e suas omissões que verifico. Seria espécie de bolsonarista, esses abomináveis que veem graça, por exemplo, na imitação do seu "mito" aético, a um doente por falta de oxigênio. 

ENTRE BOLSONARO E LULA, MINHA POSIÇÃO É DEZ VEZES PRÓ-LULA.

Este tema já escrevia antes e me preocupa muito.

A condescendência de Lula com Vladimir Putin, um agressor com mentalidade stalinista, sanguinário que massacra a Ucrânia a par de se arvora o "senhor das armas atômicas" e ameaça usá-las se os países aliados avançarem na guerra oferecendo aos ucranianos armas com maior poder de ataque.

Lula foi e tem sido severo com Benjamin Netanyahu pelo crescente morticínio que pratica na Faixa de Gaza, atos criminosos que não há quem o contenha.

Mas, omisso, apenas lamenta as vítimas na Ucrânia.

Esse posicionamento é vergonhoso.

Eu tenho notado ao longo dos anos que Lula se deslumbra com um certo tipo de líder mundial seja ele antidemocrático ou ditador no sentido que a palavra contém.

Com efeito, não sei se pela ajuda financeira nas eleições que disputou, Lula chamou o ditador líbio Muammar Al-Gaddafi de "amigo" e "irmão".

São exacerbações que comprometem pelo andar dos eventos políticos. Qual foi o fim do "irmão" Kadafi?

Os carinhos que faz ao Maduro, a condescendência com esse bronco que manipula as eleições — que veta candidatos da oposição, a alegria em se relacionar diretamente com o Irã que notoriamente financia o terrorismo do Hamas...

E, o pior de tudo: Lula corteja Putin e, se assim não agisse, tiraria do agressor parte de sua moral para agredir a Ucrânia. O diesel russo não pode justificar essa atitude de submissão ao russo e omissão ao sentido humanitária que o pária despreza.

A UCRÂNIA É UM PAÍS SOBERANO E TEM O DIREITO DE SE VOLTAR PARA A EUROPA CIVILIZADA LIBERTANDO-SE DO RANÇO RUSSO DESSA ERA SOMBRIA DE PUTIN.

Neste mandato Lula já relevou as relações com os Estados Unidos — até aquela bobagem de substituir o dólar nas operações comerciais —, de ignorar a posição da Europa no conflito russo-ucraniano como se aliado fosse do país agressor que busca sordidamente expansão territorial sobre país vizinho.

O Brasil é OCIDENTAL. Essa é sua identidade e sua cultura;

A origem desse equívoco talvez seja a influência de um passado, nas ligações de Lula com Cuba e com Fidel Castro. Mas, será preciso lembrar estes tempos são outros, rigorosamente outros.

Então, não é de estranhar a angústia e, sem exageros, o desespero de Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia quando desabafa estranhando que Lula mantenha aliança com o agressor, no caso, a Rússia e não se solidariza com o país agredido.

São essas contradições que maculam os discursos de Lula que proclamam com frequência a democracia e a liberdade individual e de progresso.

Esse é um discurso inconvicto.

Para mim essa posição brasileira se constitui num pesadelo que não supero.





quinta-feira, 30 de maio de 2024

O “ESTADINHO”, VULGO “ESTADÃO”, SE DESAVERGONHA E DESPONTA NO BOLSONARISMO

 


Mais para Estadinho





Sou assinante do jornal “O Estado” numa segunda fase, desde 1986.

Quantas vezes discordei de posicionamentos erráticos no meu modo de pensar, de opiniões do jornal, mas suas páginas guardavam critérios mesmo naquilo que o afastavam da coerência.

Hoje o jornal está numa fase incerta e duvidosa. Se faz de conservador, isto é, mantendo supostamente sua linha tradicional, mas prestigia jornalistas que rezam pela cartilha do bolsonarismo — já identifiquei num deles até aproximação com fake news para embasar o comentário e outro lá está, inventando estultices semanais mas sempre negativo, desde que não seja contra o ex-presidente.

Por isso, não posso silenciar com o teor dum editorial realmente — como possa qualificar? — medíocre? cujo título é sequer original: “Uma verdade inconveniente” (de 27.05.2024).

Esse editorial se inicia com este trecho tão absurdo quanto exacerbado:

Em entrevista ao Estadão, o insuspeito ensaísta Francisco Bosco deu uma declaração que provocou a ira de muitos abutres da esquerda, adeptos do violento tribunal das redes sociais: reconheceu um acerto de Olavo de Carvalho, o ex-astrólogo convertido em guru de Jair Bolsonaro e da extrema direita brasileira.

Que abutres, adeptos do violento tribunal das redes sociais”. Que delírio é esse?

E o suposto acerto do “filósofo” do baixa calão e da estupidez verbal se revela neste trecho:

“… nossas universidades concentram excessivamente uma perspectiva ideológica e política de esquerda e, mais do que isso, o ambiente acadêmico e intelectual tenta excluir grandes dissensos e reage violentamente a qualquer tentativa de ocupação de espaços por parte de pensadores conservadores.”

E nessa linha reclama o jornal no editorial que teses dos pensadores de direita nas Universidades não são mencionadas ou estudadas por pensadores de esquerda porque estes últimos predominam.

Ora, pensador de esquerda dificilmente vai se basear em teses de direita. E se fizer será para discordar. O mesmo pode se dar no sentido inverso.

O pensamento é livre máxime no meio acadêmico e cada um busca a fundamentação segundo sua crença, seus princípios e, porque não, sua ideologia.

Qual reação violenta pode ser citada em preterir o pensamento da direita nas Universidades? São suposições que se perdem no vazio da inconsequência por falta de fatos comprovados.

Ademais, será preciso considerar que o pensamento da direita, de regra, pode não ter muito a acrescentar porque a fonte pode se assentar em experiências políticas que contrariam os princípios fundamentais da democracia sempre desejada. Por exemplo: o fascismo.

E já não se sustentam aqueles ignaros que gritam receando a implantação do comunismo pela esquerda como se dá entre nós, que mal sabem do que falam.

Países comunistas estão delimitados. A China, menos que comunista, é uma ditadura capitalista. A Rússia poderia ser assim qualificada se não fosse Putin que a dirigisse com mão de ferro, um belicoso irresponsável conquistador sanguinário de territórios em pleno século XXI. Outros são quase que excrecências que infelicitam o povo.

Bom, e o jornal encerra a lamentável opinião se referindo a supostos grito da esquerda com está pérola falsa:

Às tribos da esquerda que gritaram agora, resta o alerta: se prosseguir reagindo assim, obrigarão alguns a dizer que a esquerda é burra – e aí Olavo de Carvalho terá, infelizmente, acertado de novo.”

Quem poderia ter redigido um texto tão desqualificado?

A esquerda será burra “reagindo assim”? Assim como ô estulto redator?

O artigo reconhece que Olavo de Carvalho é o guru de Bolsonaro.

Vamos lembrar o que saiu daí, do “aprendizado” do discípulo do “filósofo”:

1. Fake news institucionalidade e comemoradas há pouco pela manutenção de veto de Bolsonaro que a libera para livre utilização pelo bolsonarismo aético;

2. As ideias irresponsáveis do golpismo frustrado alimentado nos quatro anos do mandato do derrotado que, irresponsável, elegeu o Lula;

3. A horda de fanáticos que acamparam na frente do quarteis, marchando como acéfalos em cenas patéticas esperando o golpe militar;

4. A tentativa de golpe no dia 8 de janeiro de 2022 – e que não venham minimizar essa insanidade como mera predação;

Há mais, mas fiquemos nisso. Esses fatos explicam nas nossas Universidades a rejeição de teses da direita. Elas podem ser temerárias.

Então, burro foi o editorial medíocre. Melhor que o jornal se declarasse bolsonarista, saindo dessa zona de falsa independência.



sábado, 11 de maio de 2024

LULA NÃO DEVE ESPERAR ACENOS DA OPOSIÇÃO









TEMAS:

1. O Lula na década de 70. A grave de 1978. História

2. Bolsonaro eleito e as fake news

3. Como a lava jato me afetou

4. O bolsonarismo radical e acéfalo

5. Os inimigos inesperados

6. Putin e Maduro

1. O Lula na década de 70. A greve de 1978. História

No Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo ele começou como diretor se não me engano da área previdenciária. Eu sou desse tempo, trabalhando na Chrysler. Me lembro dele e até acho que naqueles idos falamos ao telefone para assuntos de sua diretoria.

Ele foi indicado para a presidência pelo Paulo Vidal Neto em 1975 que começara a dar uma nova face àquele sindicato, mais atuante e exigente.

Na greve de 1978 na Saab Scania Lula ascendeu ao “estrelato” até mesmo entre os empresários. Eu estava lá. (*)

Essa greve foi o marco do crescimento daquele sindicato e, para mim, um desgaste profissional e hoje um episódio histórico importante que faz parte da minha vida profissional distante.

Na greve de 41 dias eu de modo bem discreto estive no Estádio da Vila Euclides assistindo uma assembleia com milhares de grevistas — se não me engano no dia seguinte aos voos rasantes de helicópteros do Exército,

No lançamento do documentário “Linha de Montagem” em 1982, meio inibido assisti o filme no próprio Sindicato de São Bernardo.

Depois de 78, os Sindicatos do ABC, especialmente de SBC com Lula contribuíram para a volta da democracia e não adianta alguns fazerem cara feia.

Por tudo isso eu escrevi um livro de sindicalismo (Sindicalismo e Relações Trabalhistas) que pela pressa não teve tempo de ser minha obra-prima.



Este livro é de uma época, meus tempos nas Relações Trabalhistas em multinacionais automobilísticas. Como disse, poderia ter sido uma obra prima, mas não foi. Edição de 1996, portanto, "datado".





2. Bolsonaro eleito em 2018 e a instituição das fake news

Dou um salto largo é já estou em 2018 com a eleição de Bolsonaro, considerado um mau militar por Geisel, um deputado federal medíocre — como ele próprio se qualificou em 2022 já planejando um golpe de estado — e na sua linha aética, infestou o país com uma onda de mentiras sórdidas, denominadas fake news que os seus adoradores repercutiam sem uma análise primária da falsidade que elas continham.

A elas os falsos “evangélicos”, os “pastores” que dobram os fiéis submetidos aos dízimos, aqueles enriquecidos e estes os sustentando. Na ação politica, exultam com profecias e ardis vergonhosos e nessa farsa, guindaram Bolsonaro à condição de ungido com o mote “deus, pátria e família”. Também uma farsa. E os Evangelhos? São quase um panfleto para sustentar o "ungido". Na verdade na mente dessa gente nefasta, os Evangelhos foram desmoralizados.

Mas, os eleitores silenciosos perceberam a irresponsabilidade, os excessos e Bolsonaro foi derrotado em 2022 com profecias e tudo.

Mas, a praga das fake news têm severo efeito mental. Elas são a causa do "não pensar" do bolsonarismo.

3. Como a lava jato me afetou

Lula na Presidência a partir de 2002 a despeito das críticas exacerbadas e injustas ao governo FHC até que com o passar dos anos eclodiu o “mensalão” e depois, lá por 2014 eclodiu a lava jato processo pelo qual foram registrados atos de corrupção de modo escandaloso em áreas diversas, especialmente na Petrobrás.

Eu apoiava o juiz Sergio Moro, me era indiferente o promotor Denton Dallagnol embora tivesse em 2016 apresentado um powerpoint sórdido contra Lula, fora dos Autos a par de ser desrespeitoso com ele, alcunhando-o de “nine”.

Lula foi preso em abril de 2018 poucos meses antes das eleições presidenciais que elegeria Bolsonaro.

Moro se convertera em herói nacional até o ponto em que, aspirando uma vaga no STF, aliou-se a Bolsonaro assumindo o Ministério da Justiça.

Estranhei porque Bolsonaro para mim se tornara uma excrecência politica, aético, chulo, antiambiental, zero em solidariedade dado mais a frente em patrocinar exibições de motocicletas e jet sky.

Não demorou as estultices de Bolsonaro “convencerem” Moro a se exonerar e o fez com muita dignidade, inclusive fazendo acusações contra Bolsonaro e os filhos (a pratica das rachadinhas).

Então o Podemos praticamente o lançou à presidência da República para as eleições de 2022 e eu o “elegi” o melhor da 3ª via.

Mas, à medida que a candidatura de Lula prosperava, Moro voltou a se aliar a Bolsonaro numa sucessão de trapalhadas e, então, nada mais havia ser considerado. Moro perdera o rumo.

Depois, alguns fatos extraprocessuais da lava jato foram sendo divulgados, abusos da dobradinha Moro-Dallagnol e, então, entre Lula e Bolsonaro, só restava Lula para quem mantinha dignidade ética.

4. O bolsonarismo radical e acéfalo

O modo debochado como sempre se comportou Bolsonaro, dando braçadas nas fake news, se exibindo com “motociatas” e o seu passeio preferido, de jetsky contaminou seus eleitores.

Pois em termos de deboches sórdidos foram muitos, destacando-se a imitação do doente sofrendo por falta de oxigênio; e outro desvio mental foi abraçar para sí o bicentenário da Independência que desvirtuou num discurso medíocre o encerrou com aqueles gritos de imbrochável. Há muito mais do que isso.

Essa conduta inqualificável, ignara, incentivou entre os seus adeptos atitudes desrespeitosas de não levar nada a sério, usar o baixo calão, acreditar em suas próprias imbecilidades, engendrar fake news e detratar tudo que o Governo acertava.

Esses sintomas levaram esses tais acéfalos crônicos a marcharem na frente dos quarteis em cenas patéticas, cantarem o hino nacional adorando um pneus, culminando por suas manifestações golpistas culminando com o 8 de janeiro.

Esses bolsonaristas não têm cura.

E são eles também alimentados pela pior ala parlamentar do Congresso, que esbravejam críticas ao governo de Lula e se envergonham de analisar o desastre que foi o “governo” Bolsonaro que, de tão irresponsável e incompetente elegeu, felizmente, o Lula.

5. Os inimigos inesperados e as mediocridades

Na plataforma X (ex – Twitter) tudo ocorre. Nela cabe tudo, até inteligência.

Então, no X é que se manifestam bolsonaristas que classifico, sem receio, de acéfalos, contaminados por aquele que chamam de “mito” ou ungido.

Não há como esperar qualquer ímpeto de lucidez dessa claque que recepciona Bolsonaro sempre com risos e abraços.

Há deputados e senadores que se destacam nas críticas e nas mentiras que engendram, Muitos deles deliram, vivendo num mundo paralelo no qual as lucubrações cerebrinas grotescas serviriam para análise psicológica.

Não há como não mencionar: Eduardo Bolsonaro. Nikolas Ferreira, Marcel Van Hatter. Gustavo Gayer (o pior), Marco Feliciano, Carla Zambelli, Damares Alves, Eduardo Girão. São os medíocres que mais aparecem no X. Mas, há outros.

Entre outros há esses que têm viajado aos Estados Unidos forjando sessão no Congresso Americano, como se convocassem a cavalaria para invadir o STF, porque há aqui, "censura" e "ditadura", os mesmos que defenderam o golpe de Bolsonaro e ainda defendem agora com o apoio de Elon Musk, o dono do X que se mostra “indignado” com a suspensão de contas de alguns radicais, especialistas em divulgação de ódio e golpismo.

Há décadas assino o jornal “O Estado”. Nunca vi como agora, colunistas tão ruins. O jornal sistematicamente faz oposição ao Governo, talvez por torcer pela volta do ungido. Nas suas páginas há um colunista bolsonarista que, como tal, distorce a realidade, culpando sempre o STF, Lula, o Congresso nada atribuindo ao derrotado, o seu “mito” e não tem vergonha na cara para analisar o seu desgoverno que elegeu Lula.

São inimigos demais, não tanto pela inteligência, mas pela constância.

Não há outro modo para combater o gabinete do ódio e das fake news que não seja estabelecer um outro gabinete oficial para desmentir tudo o que divulgam nas redes sociais de distorção e mentiras..

Tem hora que eu me sinto mal ao responder a esses abusos e não me autorizo a usar o baixo calão como esses bolsonaristas usam.

6. Putin e Maduro

Já escrevi antes que o posicionamento favorável de Lula a Putin, especialmente com o convite formulado para que venha ao Brasil em outubro na reunião do G20 é até uma provocação, tal a contradição que explicita.

Putin se qualifica como “senhor das armas nucleares” e se diz preparado para a guerra do fim do mundo, um pária com mente de Stalin que vai devastando a Ucrânia numa guerra de conquista territorial.

Lula pressiona a Europa para implantação do livre mercado com o Mercosul mas faz esse flerte com aquele que nega qualquer sentido de paz e, pior, faz ameaças tresloucadas de guerra.

O óleo diesel russo não pode justificar essa submissão, essa condescendência sórdida com o líder russo. Essa de ficar com cada pé em duas canoas, agradando o Ocidente mas flertando com o pior do Oriente, inclusive com a ditadura do Iran — que financia o terrorismo — pode o levar à derrota política pelo modo como essa contradição que não se explica e pode ser explorada no futuro de muitas maneiras.

Se tem medo de apoiar a Ucrânia, pelo menos não bajule Putin desse modo vergonhoso porque são líderes equivocados como Lula que o fortalecem de modo perigoso.

Mais que isso é ter juízo porque todos nós respiramos ares Ocidentais.

E, em se falando de ditadura, como suportar o carinho que faz Lula ao ditador Maduro, um bronco que vai “vencer” as próximas eleições e, com certeza, Lula vai se parabenizar com ele, porque a democracia pode ser "relativa".

Provavelmente, Lula ainda tenha algum resquício dos tempos influentes de Fidel Castro porque essa postura contraditória não pode ter sido um original seu. É requentar um tempo que já se foi é um perigo, no mínimo, na eventual tentativa de reeleição.


(*) 1978 - GREVE NA SCANIA - SBC