O farol ofuscado
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AS ORIGENS COM TIMBRE FASCISTA
Eu também me iludi pelo turbilhão que se constituiu a "lava jato" e a proporção que tomou até internacionalmente.
Por isso, eu elegi o antão juiz Sergio Moro a 3ª via política para mudar a política brasileira. Ele decretara a prisão de Lula, alijando-o da disputa de 2018.
Sobre minhas vergonhas em relação a Moro, que o jornal Estadão o qualificou de "herói sem caráter", eu ja me pennitenciei várias vezes. (*)
Quando penso nessas vergonhas, tenho sensações eméticas.
"Lava jato" tem um sentido de limpeza, mas tal a farsa havida, que o correto é "suja jato". Porque para os ex-juiz, politico, corrupto são os outros, não aqueles a quem se aliou de modo vergonhoso.
Com Lula fora do páreo, ascendeu Jair Messias Bolsonaro, um deputado medíocre, um elemento ambíguo de direita, defensor até mesmo de um torturador notório na ditadura. E, como militar foi desqualificado por Ernesto Geisel, "um mau militar".
A ORIGEM FASCISTA DA PREGAÇÃO
E com ele, tomou forma um tipo de fascismo que prosperara nos anos 30/40 do século passado, na Itália, um sistema nacionalistas de extrema direita, com o mesmo chavão "deus, pátria e família!
Quanto a Bolsonaro, esse "mandamento" a ele não se aplicava mas, curiosamente, passou a ser rodeado de evangélicos — talvez por injunção da 3ª esposa —, que viram nele um messias, mesmo que caricato pelo que fazia e falava ao tempo do seu mandato.
Que deus, que pátria, que familia para quem defendia a ditadura?
Pois, os evangélicos, muitos dos quais cospem nos Evangelhos, passaram a o considerar um messias na acepção do termo.
E ele aceitou seja o papel seja a farsa.
Foi batizado no Rio Jordão, passou a se submeter a sessões de bênçãos com notórios pastores milhionários. O desbocado Silas Malafaia, que apoia essa vertente, tenho que não esconde sua aversão à evangêlica mansidão de Jesus Cristo. No apoio político que faz normalmente aos berros detratando opositores, o faz ignorando o currículo maculado de quem apoia.
O fator "messias" passou a marcar esse quadro sombrio de distorcões.
A "AÇÃO EVANGÉLICA"
Na visão turva de uma horda de "evangélicos": "quem não for da direita", "quem não defende a famíla", "condene o aborto" — como se todos os que pensam à esquerda defendessem esse prática —, são anticristãos, imperdoáveis e então, como procuradores de Jesus, assumem poderes para determinar quem vai para o inferno. Para assustar os incautos, incluem também, o comunismo que mal sabem o real signficado. Uma aberração religiosa, nesse caso, cuspidas nos Evangelhos. Pois Jesus acolheu mesmo um centurião romano que foi lhe pedir que curasse um servo. O centurião lhe informou que não seria digna sua casa para receber Jesus que o atendeu e procedeu à cura.
JESUS COMO CABO ELEITORAL
Mas, as coisas se agravaram nestes tempos sombrios: Jesus Cristo se tornou peça de campanha, cabo eleitoral de qualquer "evangélico" ou dito cristão. incluindo aqueles que se envolveram em escândalos de corrupção e se valem da mentira como elemento de campanha.
Para ser claro nessa farsa: "cristão não vota na esquerda". "Deus proteja nosso candidato", "o Brasil evangélico orando pelo ministro"...
Então, esse evangelismo assumiu as cores da ignorância a ponto de conviver, nas redes sociis, ao lado duma ala sórdida conduzida não sei por quem, que profere pragas — até velhas senhoras perdidas no delírio da blasfêmia —, uso do baixo calão severo, misturando Deus com a sarjeta. Tudo por uma candidatura que, se vitoriosa, será uma irresponsábilidade para o país pelo jogo de entregas que faz com os Estados Unidos. E, por outra, pouco importa o curriculo aético dele. O que importa é a vitória do evangelismo ignaro, o enganoso "deus, pátria e familia" mandamento de origem espúria, fascista, como explicado.
Como chegamos a isso, a esse estágio de absurdos?
UMA FIGURA AMBÍGUA
Há uma figura que desperta esse desvio. A personalidade ambígua de Jair Bolsonaro que dividiu um país entre tantos radicais de direita que aguçaram a reação da esquerda. Nesse tom jamais ocorrera. Chegou-se ao nível da precariedade mental: abominar a cor vermelha duma bandeira e tudo relacionado ao partido que atacam, porque Jesus está do lado direito de Pai... — como aceitar esse disparate? — mas, a resposta a essa tolice, o coração bate do lado esquerdo do peito e distribui o sangue vermelho que é a vida.
Compreende-se, pois, a concentração de grupos deslumbrados com esperança do golpe militar, alojados na frente dos quarteis e marchando como celerados, os insanos que depredaram a sede dos poderes no dia 8 de janeiro de 2023 e, mais do que tudo isso, já houve um grupo que rezou para um pneu.
A divisão "ideológica" até violenta se dá entre velhos amigos e entre familiares. Como se esplica essa invasão mental que um "messias" provoca? Que forças obscuras são essas?
Essas ignorâncias que tem algo de iuspiração satânica, cuja força parece estar a solta pelo país nestes tempos sombrios. Qual a fonte de onde promana?
ATAQUES AO CATOLICISMO
E, há algo novo nestes tempos sombrios: pastores atacando dogmas da Igreja católica, seus santos, principalmente Maria e suas práticas. Um que vi se refere à reza do terço que não está na Biblia! Ora, essas são práticas de reforço da fé e toda oração tem seu peso segundo a crença do fiel que a profere. Quando ia a São Paulo, dava uma parada na Catedral da Sé para um descanso dos efeitos da grande metrópole e, democrática como é, nela entravam e saiam fieis que rezavam cada um a seu modo mesmo sob o altar de imagens. Pelo semblante saiam aliviados com a fé verdadeira de que Deus olha o seu coração e não onde e como foi rezada.
E esses pastores, inconformados com a fé católica, como mestres bíblicos, mas ignaros — e a Bíblia tão contraditória — se arrogam donos da fé, mas mentalmente limitados. Ao atacar o catolicismo promovem a divisão até na religiosidade.
Hipócritas, querem seguir a Bíblia "ao pé da letra"? Sigam o Deus de Moisés, a prática de abençoar o altar com sangue de animais sacrificados — escolham uma cabra branca sem manchas —, promovam holocausto deles em volta do tabernáculo e, então, Deus se deliciará com o cheiro da carne queimada.
Não, esses ataques não são de religiosidade em busca das divindades, mas a assunção de "mitos" e "messias" eleitos como salvadores da fé, mas em tudo a hipocrisia e o fanatismo.
São os que cospem nos Evangelhos nestes tempo sombrios. O avanço do obscurantismo que preocupa muito.
(*) Acessar: O "DESCONDENADO" LULA. QUAL A CONDENAÇÃO?



