quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

IDEIAS DE TRUMP QUE SE APROXIMAM DE HITLER

Há cerca de 25 anos, foi publicado o livro polêmico "O Papa de Hitler" de John Cornuell que teve repercussão ao registrar tolerâncias do papa Pio XII com o nazismo.

Há uns 15 anos eu li e resenhei esse livro e dessa resenha extraio este tópico:

"Durante a Segunda Guerra, Eugênio Pacelli eleito papa em 1939, preocupado em preservar Roma e até mesmo o Vaticano de represálias de Mussolini, aliado dos nazistas, apelando aos ingleses para que não bombardeassem Roma, uma ameaça real como reação aos ataques nazistas na Inglaterra do então incontrolável Hitler e seus asseclas, pouco ou nada fizera para condenar o holocausto, porém. Nas ruas, sob as janelas do Vaticano, enquanto isso, muitos foram os judeus e outros rejeitados pelo nazismo conduzidos para o sacrifício e para os campos de concentração. As manifestações de Pio XII contra os excessos nazistas e fascistas constituíram-se apenas em reprimendas contidas que na realidade pouca repercussão tiveram, enquanto o extermínio abominável, segundo o autor, vitimava milhões de criaturas em pleno século 20".

Pio XII receava a reação nazista atacando Roma e o Vaticano?

Nessa resenha, pela repercussão ao artigo que escrevi sobre o livro, fui muito cauteloso porque poderiam existir documentos não tão desfavoráveis ao papa, naqueles dias tenebrosos, como foi a pesquisa contida no citado livro.

Pois isso há pouco aconteceu.

Com efeito o "History Channel" divulgou um bom documentário baseado em documentos divulgados pelo Vaticano, exatamente abrangendo as ações diplomáticas de Pacelli sediado na Alemanha antes do papado e como o papa Pio XII.

Todos os estudiosos entrevistados no documentário, lamentaram o silêncio de Pio XII às notórias crueldades nazistas mas não deixaram de assinalar que países envolvidos ou não na guerra, incluindo os Estados Unidos rejeitaram a "oferta" alemã em receberem judeus em seus países que resultaria na preservação da vida de milhares deles.

E em assim sendo, a Alemanha resolveu pela "solução final" dos judeus, resultando em milhões de vítimas nos campos de extermínio.

Com isso é legítimo perguntar se só o silêncio de Pio XII foi a causa da tragédia? Quantos judeus seriam salvos se houvesse essa compreensão humana dos países em recepcionarem os judeus acuados? 

Dirão muitos que o quadro da guerra não propiciava esses gestos, o conflito se revelava sangrento! Mais sangrento, porém, foi o extermínio nos campos de concentração.

O documentário menciona o Brasil que se prontificara a receber 3 mil judeus "cristãos".

Trump

E onde "entra" Trump nessa história?

Explico: ele está oferecendo ou impondo aos países vizinhos receberem palestinos de Gaza, de tal modo que "desocupem" aquela faixa, ficando a critério dos Estados Unidos, principalmente, e Israel o aproveitamento dela da melhor maneira, até a convertendo num polo turístico! Então, os palestinos pelo que até agora se ouve, são indesejáveis em Gaza e precisam de uma "solução final".









E não fica nisso o trumpismo: nessa distorção de princípios, nesse pragmatismo aético, nas negociações do encerramento da guerra Rússia-Ucrânia, Trump está se aliando à Putin, assumindo que a culpa da invasão e destruição que se dá na Ucrânia, a culpa e de Volodymyr Zelensky, seu presidente. A culpa é do agredido!

Então, não se trata de uma aliança, como se deu na Segunda Guerra, entre os Estados Unidos, União Soviética e Reino Unido para combater um inimigo comum truculento, o nazismo.

A aliança de agora de Estados Unidos e Rússia é para derrotar o mais fraco!

E ao ser contestado por ele, Trump passou a subestimar Zelensky de modo torpe para o enfraquecer e ao que parece, promover a paz entre Estados Unidos e Rússia, deixando de fora a Europa e a... Ucrânia!

Que tempos estes!


(*) Acessar: 

O PAPA DE HITLER.

CANONIZAÇÃO DE PIO XII

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

O FACEBOOK SE ALINHANDO AO X?







Antes das ações do STF contra posturas golpistas do X de Elon Musk — as fake news e as distorções —, a plataforma era realmente tóxica, com vídeos de violência extrema, deprimentes, mostrando o pior do ser humano perverso.


Com a volta do X, após pagar as multas e o que mais determinado pelo STF, eu notei uma mudança conceitual: a plataforma de maneira a não deixar dúvida se tornou veículo de divulgação de vídeos pornôs em larga escala; com essa "liberdade" não se vê mais cenas postadas por supostos religiosas — não há mais comemoração saltitante com uso de linguagem “própria” desses “evangélicos” — e não se fala mais em "D. pátria e família".

Claro que a pornografia é incompatível com esse lema hipócrita misturado com política. Mas, todos aqueles que se valiam desse meio para se mostrarem "santinhos (as)" continuam ativos no X convivendo com tais vídeos. Só resta, então, a pátria e a família... família? Que família?

Esse é um dos pontos da degradação da plataforma X e não digo isso para mostrar “puritanismo” — não sou hipócrita. Essa é a liberdade de expressão dessa horda ignara que pende ideologicamente para a “direita”.

O Facebook, comparado com o X, tem até agora, um conteúdo limpo, aceitável. Não é abusado, não partiu até agora para a degradação do X.

Agora, o criador dessa plataforma informa que adotará os mesmos critérios do X isto é, podendo abrir o espaço para desqualificados insanos tal qual se dá na platsforma do bilionário.

É uma preocupação real para incentivo da degradação moral e ética com o silêncio dos “santinhos”.

Vamos ver até aonde chega.



segunda-feira, 25 de novembro de 2024

TODOS OS ANTECEDENTES DO PLANO GOLPISTA

O país se depara com a divulgação de plano homicida de tomada de poder com  assassinatos de Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes cujo processo investigatório da Polícia Federal já remetido à PGR para a necessária análise e o provável deferimento da continuidade do processo perante o STF.








Diga-se que o Ministro Alexandre de Moraes, tem se excedido em manifestações que até o comprometem, o deixam mal mas analisando todos os antecedentes dos atos golpistas (como não qualificar assim?) que culminaram com o 8 de janeiro de 2023 chego à conclusão de que fora ele, por suas atitudes severas, quem segurou o país na democracia.

Como negar isso?

No tocante às penas aplicadas aos vândalos do dia 8 de janeiro, eu as considero excessivas e já defendi que a melhor dosagem seria aquela votada pelo Min Luiz Roberto Barroso:

"No tocante às penas que estão sendo aplicadas aos predadores no STF me parece que a melhor dosagem seria a do voto do Min. Luiz Roberto Barroso, que ponderou: “Na minha visão, o crime de tentativa de golpe de Estado absorve o crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito”.

Divulgado o plano dos assassinatos referidos e a tomada violenta de poder, discute-se agora com bastante calor se fora apenas um mero ato pensado mas não tentado. As opiniões se dividem. 

Mas, essas revelações de agora não podem ser tratadas como insânia isolada, mal- pensada mas fazem parte de um conjunto golpista que vinha de longa data, desde a posse de Jair Bolsonaro que sempre, de um modo ou outro, se referiu a golpe, mesmo com a farsa de agir dentro das quatro linhas da Constituição.

Os antecedentes ao longo dos anos que fazem parte do conjunto pró-golpe são estes:

● Essa postura de Bolsonaro em falar em golpe, insuflando nos bastidores os militares radicais saudosos da ditadura iniciada em 1º de abril de 1964. E abertamente seus adeptos;

Na linha golpista, em junho de 2022 a reunião de Bolsonaro com embaixadores na qual prenunciava sua derrota e a possível reação a ela. E qual seria a reação? Não será preciso escrever...

Recusando-se a passar a faixa presidencial a Lula, no dia 12 de dezembro de 2022, data da diplomação de Lula pelo TSE, houve em Brasília movimento bolsonarista violento, com queima de veículos e tentativa de invasão da sede da PF;

No dia 24 de dezembro, ato terrorista evitado a tempo, de explodir caminhão tanque carregado de combustível no aeroporto de Brasília. Esse ato foi apenas pensado ou tentado?

Nesse lapso, desde que confirmada a eleição de Lula, uma horda de bolsonaristas acampou na frente de quarteis em diversos Estados e, no caso de Brasília, incentivada ou tolerada por militares, não só dos radicais;

Fora o sinal à horda para o uso da insanidade e da depredação aos prédio do STF, do Planalto e do Congresso no dia 8 de janeiro, provocando um estado "irreversível" de pré-golpe esperando-se a adesão militar que não houve;

A vitória de Lula não se deu por incompetência de Bolsonaro e a sua irresponsabilidade; a a "causa" foram as urnas insistentemente atacadas de modo insano e sem qualquer indício de verdade. Tudo isso insuflou a horda acampada;

Bolsonaro para não ser acusado de fomentador do golpe ou de reações violentas fugira para Miami antes, em 30 de dezembro, esperando os acontecimentos. E como "ausente" livrou-se do fracasso do golpe e das prisões às centenas daquele contingente iludido por um distúrbio coletivo de delírio — e o que faz Bolsonaro é gritar, estrategicamente, por anistia! 

Não concordo que essa fuga, como expõe o inquérito, se devesse ao receio dele em ser preso — tanto que não foi mesmo com o fracasso do golpe. Fora um expectador da inconsequência;

Esses eventos exigiam a prisão não só dos depredadores mas dos incentivadores e militares que apoiaram;

Até aqui houvera, sim, a tentativa de golpe não muito articulado porque nos bastidores havia os que não o apoiavam;

E, então, surge o plano de golpe com assassinatos. Esse plano — e não há como remediar isso — integra o conjunto de todos os atos que o antecederam, em especial o 8 de janeiro; um plano desse jaez não pode ser considerado mera lucubração doentia mas o corolário de radicalização inserida nesse conjunto de tramas;

O golpe fora tentado com a complacência de militares de alta patente mesmo dos que se opunham a ele; a tolerância dos acampamentos referidos e as marchas patéticas dos "revoltosos" lá instalados que bradavam  o "1964" em "2023"!

Claro que no caso do plano sinistro de assassinatos, há opiniões respeitáveis no sentido de que o simples pensar não é tentar. Mas, há o conjunto de antecedentes que foram muito além do simples pensar. O golpismo foi tentado com todas as letras pelo que, como duvidar que no alinhamento da insanidade, não se inseriram os homicídios? Há mais fogo do que fumaça nesses eventos;

● Novas revelações, obtidas do inquérito da PF, informam que o golpe de Estado só não se concretizou, porque não houve a adesão dos comandantes do Exército e Aeronáutica

Todo o inquérito foi remetido à PGR. Necessário e conforme a lei, porque passará por análise daqueles quem não devem se influenciar pela perplexidade e se ater às provas produzidas pela PF e até requerer outras. Será um posicionamento importante e, por isso, esperado para dar os rumos ao processo no STF.











quinta-feira, 31 de outubro de 2024

O STF SEUS ACERTOS E EQUÍVOCOS







Foto: Gustavo Moreno/STF




Não está fácil defender o STF nos dias atuais especialmente pelas relações que alguns ministros têm com a lava jato. Dias Toffoli e Gilmar Mendes, têm se valido de decisões monocráticas para anular decisões proferidas da 13ª Vara de Curitiba nos tempos de Sérgio Moro como juiz, então, de modo bastante discutível.

Parece-me que no caso das decisões de Tóffoli — que anulou todos os atos que incriminavam o empresário Marcelo Odebrecht — teve uma dose de afirmação para assentar que tudo da lava jato, no final das contas, fora maculada pela parcialidade do juiz Moro e que nada do processo era aproveitável.

Neste meu espaço, por diversas vezes critiquei a postura inadequada de Gilmar Mendes, muitas vezes desprovida de cuidados com o que fazia e falava e ainda fala.

A última dele, recente, foi anular as condenações de José Dirceu, também nos processos da lava jato ao estender a ele decisão da 2ª Turma do STF que em 2021 declarara que o juiz Moro fora parcial em condenar Lula.

Essas decisões, com o grau de repercussão que teriam e tiveram, deferidas monocraticamente, foram exacerbação desgastando essa prerrogativa.

Não poucas vezes Gilmar Mendes verteu seu ciúme perante Moro que, sim, fez encaminhamentos processuais inadequados, ilegais, mas tudo ser anulado numa canetada, desprezando o que consta no todo dos autos, não poderia prevalecer.

Para casos assim polêmicos, quem tem que decidir é o Pleno do STF.

Há na Câmara dos Deputados como todos sabem, diversas PECs que se encaminham para tolher decisões do STF que, supostamente desautorizariam, eventualmente, o Legislativo e o Executivo.

Tudo indica que de todas essas propostas, a que vai prosseguir é a delimitação das decisões monocráticas, não tanto por essas anomalias que podem ser apontadas, mas retaliação a uma do ministro Flavio Dino, correta, que suspendeu as emendas de orçamento pelas quais parlamentares distribuem valores vultosos sem controle e sem transparência.

Por causa dessa decisão, Arthur Lira, “ofendido” nos seus interesses, encaminhou o projeto na Câmara para “regular”, então, as decisões monocráticas.

Mesmo com um ministro como Gilmar Mendes eu me coloco contra alterar poderes do STF mesmo as decisões monocráticas. Há uma ala mais jovem de deputados que persegue esse objetivo, de modo até irresponsável.

Porque o Congresso quer alterar atribuições constitucionais do STF, sem olhar para suas próprias vergonhas, as mordomias de que se valem todos os deputados e senadores, um escárnio ao povo brasileiro que os sustenta.

Ao longo de minha jornada de advogado, ao perceber que as coisas não iam bem no Judiciário, sempre que possível sendo a saída honrosa, propunha um acordo.

Recentemente. Elon Musk, alertado a tempo negociou a suspensão dos impedimentos decretados contra o X (ex-Twitter), tudo voltou ao normal. Houve desgaste, no caso? Prejuízos? Houve, mas fora a saída para a continuidade da plataforma.

No próprio X  às alterações debatidas na Câmara, fiz comentários veementes, como estes:

ABERRAÇÃO: O Congresso que já detém parte do orçamento da União, valendo-se das emendas muitas espúrias, agora a acefalia coletiva quer ser o super Tribunal do país. Que moral tem essa gente? A irresponsabilidade chega às raias do absurdo porque não avalia os efeitos futuros.

ABERRAÇÃO (2): A tentativa do Congresso — dominando já as emendas do orçamento num processo semiclandestino — em diminuir as ações do STF, tornando-se um super-tribunal, é iniciativa do que há pior entre os deputados, tem que ser rejeitada veementemente. Essa gente é irresponsável.

Esses comentários são de 10 e 11 de outubro. Fui veemente demais? É possível. Mas, este país não é de brinquedo.

Nessa linha de acordo, negociações quando as coisas não vão bem no Judiciário, quem sabe seja possível aos golpistas de 8 de janeiro reduzir a pena — que considero severa demais — que livres, então, imaginando a liberdade que tinham em iniciar um golpe porque alimentado sutilmente por quatro anos, a ponto de, nos últimos meses do mandato anterior, aqueles adeptos marchavam na frente dos quartéis compondo cenas tristes e hilárias. E não houve quem os desincentivasse.

Eu disse que tolher os poderes do STF seria airresponsabilidade (que) chega às raias do absurdo porque não se avalia os efeitos futuros”.

Tenho sido crítico do jornal “O Estado de São Paulo” por posições ambíguas que assume, incluindo articulistas que julgo radicais em só olhar um lado da questão, privilegiando o bolsonarismo e a critica pela crítica ao atual governo, mas no editorial do dia 21 de outubro, sob o título “Cuidado com o que se deseja” ele é aberto deste modo o qual concordo:

Esquecem os revanchistas que, no futuro, o veneno que tentam produzir contra o STF pode se voltar contra si, e que um debate de boa fé buscaria corrigir excessos da Corte, não emparedá-la”.

E o editorial conclui:

Em resumo, cuidado com o que se deseja. É preciso boa-fé nos debates sobre propostas que, na prática, podem modificar profundamente o horizonte republicano de um país. Seus efeitos e seus riscos requerem prudência, cautela e discussão qualificada – e não o revanchismo irresponsável que parece prevalecer no momento”.

E, ademais, o STF não são somente equívocos e há muitos acertos e ouso concordar mesmo reconhecendo excessos que o Tribunal contribui para manter a democracia brasileira que chegou a ser ameaçada.