domingo, 28 de novembro de 2021

PREÇO DO ETANOL E DA GASOLINA. A PETROBRÁS, A TRÁGICA

A Petrobrás por causa dos preços exorbitantes dos combustíveis, dirigiu nos meios de comunicação há pouco “campanha de esclarecimentos”, falando da composição de um litro de gasolina a R$7,00.

Então, para a Petrobrás, dos R$7,00, amealha algo em torno de R$2,33 de cada litro vendido do combustível, porque os demais valores se referem à mistura do etanol considerado um custo adicional, mais distribuição e revenda e impostos, destacando o porcentual variável do ICMS.



Hoje (em 28.11.2021) em preço promocional a gasolina fora anunciada num posto a R$6,00 e o etanol a R$4,88, isto é, a diferença porcentual entre um e outro de apenas 18,67% (em Reais, R$1,12).

Considere-se que até há pouco era vantajoso o etanol se o preço por litro em relação à gasolina, fosse de 70% no máximo. Mas, essa proporção foi eliminada pela administração da Petrobrás, sem dar explicações sérias. Nesse caso de hoje, a porcentagem é de 81,33%,

Afinal, qual a composição do preço por litro do etanol com o monopólio da Petrobrás? Como pode ser explicado o aumento do valor da gasolina com a mistura do combustível da cana mais barato no porcentual de 25%?

Não duvidem se o valor do etanol for se aproximando aos poucos do preço da própria gasolina. O que hoje ocorre com o preço elevado do etanol constitui-se prática inaceitável porque no tocante a ele não se sustenta o argumento da extração no fundo dos mares.

Nem o dólar eclodindo como agora eclode explica essas "variáveis" de modo convincente.

O que me parece é que há aí, como tudo neste (des) governo das meias verdades e das meias mentiras, ou apenas mentiras, algo a mais nessa história do preço dos combustíveis, não explicado.

O que é verdadeiro é a garantia dos lucros exorbitantes da Petrobrás, que lucra na mistura do etanol com a gasolina e pelos preços escorchantes que vem praticando em relação ao combustível da cana.

Em resumo, trata-se do combustível explorando a todos porque dá-se como decorrência o aumento da inflação e do custo de vida – realidade perversa aos mais carentes – e a Petrobrás acima de tudo, “soberana”, intocada, trágica.


PS: me retrato se houver alguma manifestação que me convença.










quarta-feira, 4 de agosto de 2021

BOLSONARO E O VOTO DE PAPEL. E OUTROS

 


A alegada fragilidade das urnas eletrônicas foi corrigida pelo TSE 

que, aliás, submeteu o programa a especialistas em informática, com 

a vantagem de que o sistema, em si, não é ligado à internet na hora 

da votação. NEM O CAPITÃO CLOROQUINA COM TODA SUA 

“INTELIGÊNCIA” apontou fraude. É um mentiroso contumaz. Há, 

aqui, um estado de desvio de rumos, porque se fraude houve e 

haverá seguramente, será nas apurações voto a voto.


Este país é estranho, muito. Chegando a 500 mil mortes e o 

desajustado continuava defendendo a cloroquina. Morriam adeptos 

dele, tomando cloroquina, ivermectina e sabe mais o quê e o tema 

continuava em pauta (e dai?), Ora, as vacinas naquela sua mente 

fraca, eram ineficazes.


Agora o país com inflação alta, combustíveis em valores nunca visto 

(a “culpa” é dos governadores) mesmo com a mudança demagógica 

do presidente da Petrobrás por um militar que manteve a política dos 

preços internacionais, alto desemprego, fila dos ossos (padrão 

Venezuela até porque lá os militares sustentam o regime pela 

remuneração elevada, o que já ocorre por aqui), e ficamos neste país 

infeliz, discutindo tal qual a cloroquina, formas de votação por 

injunção do mesmo ‘elemento’, cujo governo é medíocre.


O país se houvesse competência e seriedade deveria estar discutindo 

reformas estruturais, formas de diminuir o desemprego, baixar a 

inflação, programas educacionais e culturais pós pandemia que 

parece estar se materializando pelos efeitos da vacinação.


Mas, não, ficamos discutindo votos de papel por quem teme ao 

pesadelo, ser derrotado de modo fragoroso. E isso porque sua 

incompetência e insanidade estão propiciando “a volta dos que não 

foram”. Não me encham o saco com essa pequenez.

sexta-feira, 23 de julho de 2021

O QUE ESPERAR DA CHINA?



Homem segura garota no colo e posa para foto em frente a um grande mural que retrata o presidente da China, Xi Jinping (no centro), e outros líderes chineses em uma praça pública em Lhasa, na Região Autônoma do Tibete  na base do Palácio de Potala em 1º de junho de 2021  (O Tibete foi invadido pelas forças da China de Mao em 1950). Foto: Getty Images via BBC - G1 de 23.07.21


Lembro bem, no inicio da década de 80, compartilhando um escritório com um advogado muito religioso, aqueles que nos fins de semana saíam com a Bíblia debaixo do braço procurando fiéis, disse-me ele, dentro de sua crença, que a China seria o agente do mal para o mundo, a mente do anticristo o qualificativo que ele dava, então.

Pois não fazia muito, a China com a mão de ferro de Mao Tse Tung, falecido em 1976 com sua violência e reformas fracassadas, levaram o imenso país ao caos, significando perseguições políticas ou não, nestes os intelectuais, milhares de mortos pelo regime e, principalmente, a fome generalizada.

Ninguém me disse, mas minha conclusão elementar é de que vêm daqueles tempos morcegos e ratos, escorpiões no espeto e baratas como alternativas alimentares. E ainda hoje, nos seus mercados a céu aberto se constata quão nauseantes são alguns alimentos oferecidos, locais sem higiene. E até digo sem medo de errar, qualquer animal era ou é oferecido e alguns trucidados na frente do freguês.

Mas, então, já com Deng Xiaoping no poder, ele começa a mudar radicalmente toda a estrutura caótica de Mao. Em 1979 visita os Estados Unidos e não é possível avaliar o que pensara ao ver de perto a modernidade americana naqueles tempos, aquelas cidades suntuosas, o progresso técnico, a modernidade, a liberdade.

Então, voltando aos primeiros anos da década de 80, mostro ao meu amigo religioso, a manchete estampada no jornal que daqui a poucos anos completará 150 anos de circulação:

"A China abre-se para o mundo!"

E assim, nessa luta pela abertura de mercado, pelo que eu me lembre, vinha da China tudo quando era quinquilharia, de má qualidade, mas tenho comigo uma frase de Sun ‘Tzu no livrinho “A Arte da guerra”:

“Aparente inferioridade e provoque a arrogância do adversário”.

Com o passar dos anos, a China foi se inserindo no mercado em todas as atividades econômicas, apreendendo as prioridades do mundo globalizado e partindo para dominar muitas atividades de interesse para o mundo e avançando para a alta tecnologia.

Nestes tempos de pandemia, a par de acusações que lhe são feitas de que o vírus escapara de algum dos seus laboratórios, a China se tornou referência no fornecimento de insumos sem os quais as muitos milhões de vacinas não poderiam ser produzidas. Neste ano de 2021, seu pequeno veículo “rover” pousou com êxito em Marte como já fizera e faz a NASA.

A China, pode-se dizer, produz tudo, inclusive veículos de qualidade. O país não perde tempo em conhecer e criar tecnologias.

Essas são realidades notórias hoje.

Mas, e a atuação politica de modo global?

Marx e Hengel, presenciado a classe trabalhador aviltada pelo capital nascente em meados do século 19, desenvolveram a tese que seria conhecida como marxismo, que consistia no controle dos meios de produção pelo Estado que propiciaria um quadro de vida mais saudável ao proletariado, inclusive com educação gratuita para todos. E esta ameaça:

"Que as classes dominantes tremam à ideia de uma revolução comunista! Os proletários nada têm a perder a não ser suas cadeias. Têm um mundo a ganhar."

Essas ideias de um modo ou outro tiveram influência em todo o mundo. Com o passar dos anos, melhoras foram sendo introduzidas no mercado de trabalho capitalista por força de teses socialistas.

Em 1917 eclodiu a Revolução russa que implantou o comunismo que pouco tempo depois se constituiria num regime ditatorial violento, comandado por Stalin. Para ele, a solução para seus opositores era a assassinato. Opositor importante, Trotsky exilado no México, foi assassinado em 1940.

Com a morte de Stalin, em 1953, seus sucessores voltaram-se gradativamente para o Ocidente, mas sempre mantendo o regime comunista centralizado. Com o passar do tempo, porém, com o desmantelamento da União Soviética em 1991classifica-se hoje o regime russo como uma republica. A Rússia não é mais comunistas? Não é, mas tem ranços após décadas de um regime cruel imposto pelo stalinismo e sucessores mais moderados. Putin de um modo ou outro está no poder desde 1999 mas pode disputar a reeleição mais duas vezes podendo governar até 2036 (!)

E a China? Voltemos a ela, agora que o Partido Comunista Chinês completa neste ano, um século. Da China do pragmático Xi Jinping.

As notícias que de lá vêm dão conta de que o regime, autoritário como é, tem se voltado a um processo de oferecer uma melhora na vida do povo chinês como por exemplo, aboliu os impostos rurais a par de criar "um sistema de bem-estar que fornece pensões e assistência médica subsidiada a todos”, mesmo que com limitações, mas agradando a maioria. Afirme-se, contudo, que a jornada diária de trabalho chinesa ainda é extensa.

E mais,

“Se a declaração de independência dos EUA diz que os homens livres devem buscar a felicidade como lhes parece melhor, a mídia chinesa afirma que o partido busca “felicidade do povo” algo que virá de cima para baixo.” (“Estadão” via “The Economist” de 07.07.2021),

[Não dá para comparar a China de hoje, com o comunismo sufocante de antes que se mantém na Coreia do Norte, país que o povo tem que chorar quando o ditador “chora”].

Eu acho que esse socialismo do bem-estar como se desenha na China, ou como apregoado, pode ser sintetizado pelo que disse o embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming:

"No primeiro centenário, o país construiu uma sociedade modernamente próspera. Inicia no segundo a transformação num país moderno e poderoso. O socialismo com características chinesas é o caminho assentado em sintonia em sintonia com a realidade nacional e a tendência dos tempos. Os diferentes percursos históricos deram origem  a uma profusão de culturas e sistemas sociais, o que faz com que existam vários modelos de democracia. Para 2049 (100 anos da República Popular), o governo cria um novo paradigma de desenvolvimento e eleva seu nível de reforma e abertura ao exterior. Sozinho, nenhum país estará imune aos riscos e desafios globais". ("Estadão" de 18.07.2021),

O embaixador ainda fala na preocupação chinesa com as severas alterações climáticas destes tempos e também: "Solidariedade e convivência harmoniosa são a única alternativa para a humanidade. A China trabalhará com todos os países do mundo para promover os valores comuns de paz, progresso, equidade, justiça, democracia e liberdade, praticar um verdadeiro multilateralismo,,,"

Esse socialismo de bem-estar, nem sei se imaginado por Marx-Engel nesses termos, aliado à sua tecnologia excepcional, seu poderio econômico, suas necessidades de alimentos para mais de 1 bilhão de chineses, tolerante com algumas regiões, principalmente as de sua tradição, de que modo influenciará a mundo todo, considerando que não parece querer mudar seu regime comunista autoritário?

E o confronto com os Estados Unidos que, tudo indica a China os superará brevemente nos campos tecnológicos e econômico?

Porque diz o Partido Comunista da China que merece governar por causa das coisas incríveis que faz. 

Ainda não esqueci a preocupação  daquele advogado religioso que vaticinou a China como o grande vilão espiritual do planeta.

Talvez não chegue a tanto. Uma incógnita  que os próximos anos poderão responder. 

 











sexta-feira, 18 de junho de 2021

A VOLTA DO VOTO IMPRESSO

Este tema está, na melhor gíria, "bombando". Já comentei essa volta aos tempos do Fiat-147, máquinas de escrever Olivetti, cópias em carbono e tal. Há vozes autorizadas criticando o projeto de emenda constitucional. Então, decidi repaginar minhas impressões de modo mais resumido. A minha presença surda e solitária em apontar um país que não tem jeito nem jeitinho:

(Gazeta de Piracicaba de 13.06.2021)

Texto completo:

O voto impresso, aquele que no passado, antes de 1996 indicado na cédula com um “x” ao lado do nome do candidato era, sim, neste país imenso, naqueles rincões nos quais o Sol também brilha, sujeito a fraudes porque tudo era computado manualmente, com máquina de somar, muitas com rolos de papel e os mapas e as atas das urnas eram, igualmente, preenchidos a mão após a contagem dos votos.

Gostaria de dizer que fui escrutinador nos tempos do voto de papel, em São Caetano do Sul, na década de 70. De lá até a década de 90 nada mudara. Claro que ninguém naquela cidade do ABC pensaria em fraudar votos nas várias bancas instaladas, responsáveis por abrir as urnas confrontando com o número de votantes constantes da respectiva ata.

Causava estranheza, por exemplo, numa determinada urna a contagem de dezenas de votos a um mesmo candidato a vereador. A explicação é que se tratava de urna de determinado bairro no qual o candidato era popular...

No voto impresso podem até negar, mas estava presente o convite à fraude.

Eis que a implantação das urnas eletrônicas deram agilidade às eleições e aos resultados. Não houve qualquer denúncia de fraude que pudesse comprometer os resultados finais anunciados nas várias eleições. Metaforicamente, seria o efeito das vacinas contra a covid-19 em relação à cloroquina, ineficaz – no caso o voto de papel.

Então, a volta do voto impresso qualquer que seja a modalidade, é um retrocesso, é negar a eficiência tecnológica implantada. Tecnologia que vai regendo o Planeta.

O projeto de emenda constitucional que deve ser aprovado pela Comissão Especial da Câmara, de n° 135 é de autoria da deputada Bia Kicis, que nas suas justificativas se refere aos inúmeros projetos frustrados de controle das eleições pelo voto eletrônico. Essa PEC acrescenta o §12 no art. 14 da Constituição:

§ 12 No processo de votação e apuração das eleições, dos plebiscitos e dos referendos, independentemente do meio empregado para o registro do voto, é obrigatória a expedição de cédulas físicas conferíveis pelo eleitor, a serem depositadas, de forma automática e sem contato manual, em urnas indevassáveis, para fins de auditoria.

Na regulamentação desse dispositivo, a urna eletrônica emitará a comprovação do voto em papel, cabendo ao eleitor introduzi-lo numa urna de material acrílico, como se comenta.

Ao fim da votação, a urna eletrônica emite um relatório que é confrontado com a contagem dos votos introduzidos na “urna acrílica”.

Com tudo isso, para que, então, a urna eletrônica? Não bastaria a contagem dos votos em papel como no passado? E se houver divergências, sempre possível, haverá acertos na ponta da caneta? Não fora assim no passado?

Claro que isso tudo implicará em atrasos significativos na divulgação dos resultados finais. Essas propostas, pois, são a negação dos sistemas eletrônicos predominantes que vão se aperfeiçoando.

Tem razão o ministro Luiz Roberto Barroso, presidente do TST aos ataques às urnas eletrônicas, como disse há dias:

"O sistema brasileiro de urnas eletrônicas é auditável do primeiro ao último passo. O papel da Justiça Eleitoral é zelar pela segurança do sistema. Agora, o país é livre, e as pessoas falam o que pensam. Já passou o tempo de golpes, quarteladas, quebras da legalidade constitucional. Ganhou, leva. Perdeu, vai embora. (Donald) Trump, nos Estados Unidos, esperneou muito, mas está na Flórida, não em Washington", que ressaltou ser “mentirosa a afirmação de que as urnas eletrônicas não permitem recontagem de votos."

Há, ainda alguma esperança que essa proposta cuja implantação é muito cara ao final seja rejeitada pelo Congresso porque as urnas eletrônicas têm sido um êxito no Brasil e, melhor, sem comprovação de fraudes. As denúncias sem provas até agora, para muitos que as fazem, tem um cunho eleitoral porque deixam espaço para tentar o tumulto como se deu nos Estados Unidos de Trump.

Mas, pelo andar da carruagem, por isso, o país retrocede aos tempos das máquinas de escrever Olivetti.