quarta-feira, 15 de julho de 2020

LUCUBRAÇÕES TENEBROSAS

A "arte" de escrever para mim mesmo

Esses pesadelos noturnos que me atacam

Há pouco me dera em dar uma olhada na ascensão de Hitler – o Führer - no governo alemão e, a seu lado, um fiel escudeiro, Goebbels – aquele de célebre frase, “uma mentira contada mil vezes, torna-se uma verdade”. Não só, mas ambos com a insistente propaganda de elevação ao extremo do culto à personalidade, fez de Hitler uma presença sonambúlica na mente da grande massa alemã.

E dele um desastre mundial.

Os alemães nos tempos do nazismo, perderam a censura aos atos de violência e extermínio porque qualquer um que não fosse medido nas réguas da raça superior ariana faria parte da fila do extermínio inapelável.

Essa fila significou milhões de pessoas mortas nas câmaras de gás, vítimas de fuzilamento e o que mais pudesse ser aplicado naquele momento.

Eu me refiro a essa tragédia humana apenas para destacar o culto à personalidade e a obediência cega, mas, sobretudo, a atitude de homens e mulheres que se tornam obcecados pelos seus líderes.

E não há efeito nenhum ao ser demonstrada a verdade dos atos ignominiosos praticados por certos líderes, porque a “mentira os libertará”.


                                    

Do livro “1984” de George Orwell destaco este trecho de minha resenha:

“Orwell não dá esperanças: Winston, o herói "dissidente", como desejado, submetido a todas as torturas e sofrimentos, "espontaneamente", com convicção, se convence que "dois e dois são cinco". O seu axioma antes fora: "A liberdade é a liberdade de dizer que dois e dois são quatro; admitindo-se isto, tudo o mais decorre". 
No auge de sua "recuperação" passa a amar o "Grande Irmão".

 Amar o grande irmão a força, mas a grande massa, submetida a intensa propaganda pela “teletela, é incentivada ao não raciocínio porque o “Grande Irmão zela por ti”. (*)

Já disse isso, escrevi sobre isso, sobre “ O Anticristo”, um livro que li há pouco para conhecer um dos pensamentos delirantes de Friedrich Nietzsche que não pode ser subestimado pela legião de estudiosos de sua obra.

Mas, nesse livro, além da crítica implacável ao cristianismo, o autor destaca que o “homem superior” não pode ter compaixão, porque esse sentimento o enfraquece. E, nesse diapasão, a tragédia humana haveria que ser encarada com absoluta indiferença pelos circunstantes.

Não é, todavia, hipócrita, Nietzsche. Ele não faz “média” a qualquer religião embora informe numa das suas linhas, que o islamismo, por desprezar o cristianismo, é constituído de verdadeiros homens. (**)

Entendo que o cristianismo “puro” é um conceito interior, de espiritualidade. Não convence, salvo aos obcecados que acreditam que “a mentira os libertará”, gritar-se cristão e agir contra o cristianismo nos seus ensinamentos mais elementares. E porque ele conta, sobretudo, com a compaixão.

O Brasil de hoje

Primeiro a pandemia do novo coronavírus. Decisão acertada transferiu o STF aos Estados e Municípios o controle das medidas de prevenção da doença e, claro, ficando o Poder Central com as medidas de apoio e de coordenação pelo Ministério da Saúde.

A doença de modo vagaroso, mas sistemático vai fazendo vítimas.

O governo Bolsonaro, contrariado pela exclusão de tais medidas em nível nacional, até porque pretendia implantar medidas temerárias de prevenção “vertical” que consistiam em isolar apenas os indivíduos em grau maior de risco – critério desmentido pela realidade da pandemia que atinge todas as idades – não se cansou de sabotar qualquer tentativa séria de isolamento proposto pelos governadores.

Não assumiu como seria o seu dever dar o exemplo quanto ao isolamento e uso de máscaras e sistematicamente promoveu aglomerações, sem se preocupar com os riscos que corriam aqueles que o bajulavam. Quantos desses foram para os hospitais em Brasília?


                                    
                           Bolsonaro a cavalo por ocasião dos 30 mil mortos, vítimas da pandemia. Depois, aglomerações.

Beirando neste instante das 75 mil mortes (em julho a “meta” será 100 mil? - “E dai?”), sua propaganda desqualificada atribui aos prefeitos e governadores a culpa pelo desemprego e pelo avanço da doença. 

Uma postura censurável sob todos os pontos de vista, mas aceita pelos obcecados defendendo seu modo de agir, ainda que indiretamente negando o cristianismo que alega professar porque seu vocabulário de baixo calão do pior nível não pode atrair divindades relativas ao “deus” que invoca.

Não se espera sua santidade, apenas coerência.

E não somente nesse tema as mensagens mentirosas (as “fake news”) rodaram às centenas, algo parecido com a repetição da mentira se tornará uma verdade (“a mentira os libertará” – os seus homens obcecados vibram com elas porque têm como confirmar o seu “amor” pelo líder “espezinhado pelos inimigos”).

[As mentiras e distorções chegaram a tal ponto que o "Facebook", dos bolsonaristas, excluiu dezenas de páginas provindas do denominado "gabinete do ódio"]

Pior que a propagação das “fake news” seria uma forma de liberdade de pensamento. Hoje há entre os obcecados do presidente e outros que defendem essa distorção. Um absurdo ao aceder ao princípio de que a mentira significa "liberdade de expressão"!

Não, nesse emaranhado todo, não houve tempo para ou interesse à compaixão. Então, o “homem superior” de Nietzsche no seu “O anticristo” prevaleceu, nos atos e nas palavras de Bolsonaro.

֍                                                                                         ֍

A segunda questão que neste meu canto me leva à emoção é a destruição irresponsável da Amazônia, como política bolsonarista.

A insanidade chegou a tal ponto, nesta hora que escrevo, que até empresários nacionais e internacionais - afeitos à linguagem do dinheiro - fazem apelos sinceros no sentido de acabar com as queimadas e grilagens na floresta, preservar a Amazônia e a vida indígena que lá sobrevive. Quanto a esta, o desprezo constatado no dia a dia parece ir se materializando - eu não digo (ainda) em prática genocida silenciosa.

Todos se emocionam em ver um animalzinho doente, maltratado pelas ruas, abandonado. Imaginaram os milhões deles, de múltiplas espécies que são ceifados pelos incêndios e devastações das matas, seu habitat natural? E o que mais choca é o bolsonarismo não se dar conta disso na sua “religiosidade”. (***)

É que há a consciência de que o planeta e sua natureza não agem de modo estanque. Tudo está ligado com tudo e à ação criminosa, como se dá no ataque ao ambiente, há a reação planetária e, nesse diapasão, a pandemia de agora que os maiores cientistas ainda não a explicam de modo convicto. 

Muitos são os que acreditam nessa correlação, mas silenciam para não parecerem "esotéricos" demais, neste mundo da linguagem do dinheiro, das coisas materiais, embora a vida seja curta e, à sua extinção, também ninguém explica.

No que se refere, porém, às mudanças climáticas para pior que vem se agravando com a poluição do ar, dos oceanos e com a perda dos fenômenos que a mata produz em relação à melhoria do clima, todos os que tenham um mínimo de discernimento, sabem disso. E, também, há que se pensar nas gerações futuras.




                                   O desprezo ambiental exacerbado na Amazônia pelo governo Bolsonaro

Enquanto isso, em matéria de vida e morte o coronavírus vai ceifando vidas sem cessar especialmente no Brasil e Estados Unidos.

Por tudo que tenho visto e lido nestes últimos dias os bolsonaristas radicais e obcecados pela postura do seu líder que tudo o que fala por pior que seja a falsidade ou a distorção, é retratado como verdade a ser divulgada de modo até irresponsável.

“A mentira vos libertará”. Repita-a muitas vezes e ela será a “tua” verdade.

Na questão ambiental, aqui no meu canto como costumo dizer, tenho o direito de dizer, “eu não disse?” no tocante à desastrosa política ambiental do governo Bolsonaro tão predador quanto seu ministro anti-ambiental por tudo o que escrevi desde a posse.

Os tempos são de temor, de trevas e de ignorância razões que clamam a luta a ser empunhada pelos que, como eu, não aceitam esse descaso.

Porque todos aqueles que percebem estes tempos turvos, percebem essa nuvem negra encobrindo o planeta "materializada" por essas forças vandálicas que predominam nestes tempos.

A guisa de conclusão

1. Aquela introdução acima tem a ver com a falsidade oficializada no regime nazista – “a mentira repetida muitas vezes se torna verdade” – o culto obsessivo à personalidade do líder por uma massa de milhões levada a sequer a não pensar na tragédia diante dos seus olhos, anulada pelos seus encantos de poder;

2. A perda de liberdade em dizer que dois e dois são quatro - qualquer mentira proferida e repetida afeta essa liberdade;

3. E a indiferença com o sofrimento alheio rareando a compaixão, faltando aquele sentido superior da religiosidade.


Explicando, por fim...

No tocante ao bolsonarismo e o culto à personalidade de seu líder, além do já exposto, cheguei à conclusão de que há, realmente, um quadro obsessivo em relação a Bolsonaro ao constatar a reação de amigo de mais de meio século que comigo enfrentou desafios interessante na vida estudantil em São Caetano do Sul, que se valeu do baixo calão – uma característica do bolsonarismo – porque talvez não tivesse meios de combater meu posicionamento em artigos diversos em relação ao governo atual ou se tivesse, não quis perder tempo expondo suas ideias faltando com o padrão de debate sadio pelo menos em homenagem à longa amizade. Preferiu o  baixo calão.

Referências no texto:

(*) "1984" de George Orwell.
Acessar: https://resenhadoslivrosqueli.blogspot.com/2017/07/12-1984-de-george-orwell.html

(**) "O Anticristo" de Friedrich Nietzsche.
Acessar: https://resenhadoslivrosqueli.blogspot.com/2020/06/o-anticristo-de-friedrich-nietzsche.html

(***) Meu artigo "A alma da floresta e os animais viventes".
Acessarhttps://martinsmilton.blogspot.com/2020/05/a-alma-das-florestas-e-os-animais-almas.html


domingo, 5 de julho de 2020

VARIEDADES TEMÁTICAS (VII) E O BOLSONARISMO



1. FATOR GNUS

Nestes dias, em que continuam na média pouco mais de mil mortes por dia, os municípios e os estados, responsáveis pela política de controle do coronavírus, cansados das idas e vindas das infecções do vírus, do fecha e abre a atividade comercial e industrial resolveram ceder e rompem com as medidas preventivas e de isolamento.

Então, principalmente no Rio de Janeiro, há alguns dias, os bares estouraram. Os frequentadores na maioria não mantiveram qualquer cuidado, mesmo o uso de máscara.

Há dias fiz uma analogia que é esta:

FATOR GNUS”. Gnu é um animal do tipo “bovino” – para facilitar a compreensão –,  que prolifera nas ditas savanas africanas. Para encontrar melhores pastos se obrigam a atravessar rios e pântanos repletos de predadores, os crocodilos. Então, toda a manada avança sobre as águas, para confundir os predadores, mas “sabendo” que alguns ou muitos serão abatidos pelos crocodilos. Essas idas e vindas no que se refere ao relaxamento do isolamento e da quarentena conduz os invasores ao “fator gnus” – muitos serão abatidos pelo predador chamado coronavírus. Mas, arriscam.




2. FATOR BOLSONARO

Contrariado com a decisão do STF que atribuiu aos Estados e Municípios o controle da pandemia, o capitão atua no “vácuo” das hoje mais de 60 mil mortes: “esperto” como é se vale da impossibilidade de se saber a como estaríamos hoje se a política de prevenção fosse somente de natureza vertical como ele “queria”, isto é, cuidando apenas dos indevidos com grau maior de risco.

E para piorar a situação, desautoriza qualquer medida preventiva para alegria de seus defensores deslumbrados que veem nele o “mito”, muitos deles internados por causa da covid-19.

E talvez pela sua formação militar – embora não fora um exemplo a ser seguido na caserna – dá de ombros com as mortes causadas pela doença. Sim,

com as primeiras mil vítimas fatais, seu comentário lacônico fora “E daí?, nas 10 mil mortes, passeio de jet-ski lembrando Collor que fazia esses passeios, claro, não para tripudiar uma crise dessas, nas 30 mil mortes, passeando de helicóptero valendo-se das mordomias da presidência, do alto fez acenos para os deslumbrados lá embaixo e depois, no chão, dando uma de cavaleiro, tomou emprestado um cavalo e saiu entre eles cavalgando do modo mais despropositado. Porque na sua marrinha de ignorar a pandemia, não toma qualquer cuidado nem como exemplo e incentiva seus deslumbrados a fazerem o mesmo.

Agora, o tema é desmerecer os efeitos das máscaras.

OK. Nos rumos das 100 mil mortes com a ajuda do “fator Bolsonaro”. Mesmo que se consiga a vacina apressada.

3. “O ANTICRISTO”

Tenho um blog que é hoje por mim tratado “carinhosamente”, “Dos livros que li”.
Ao ler o 73º livro, no caso do “O Anticristo” de Friedrich Nietzsche, depois de comentado e resenhado, não pude escanear a capa do meu exemplar porque muito desgastada.

Então abri o Google para localizar a imagem de capa e ao inserir “o anticristo”, apareceu algumas fotos de Bolsonaro como tal.

Uma surpresa, mas o qualificativo partiu, claro, predominantemente, de adeptos da “esquerda” e nem tanto. E quais os motivos a partir do que disse a respeito o escritor atormentado:

a.) Eliminar a compaixão porque ela enfraquece o "homem superior";
b.) Renunciar ao cristianismo.

No tocante à falta de compaixão, a atitude do capitão em relação aos mortos, com o seu “E daí?” deixa entrever que a morte chega, ora, ora. Quanto ao cristianismo, ele se diz fiel, mas suas atitudes não demostram a fé: as divindades não podem estar permanentemente ao lado de quem mistura o seu “deus” com o que há de pior no vocabulário chulo – e muitos são os religiosos que defendem o “santo” –  e o desdém com a preservação ambiental aqui incluídas as matas virgens sequer entendidas em relação ao equilíbrio do planeta, a vida dos animais selvagens e sua política anti-indigenista.

E dado aos gestos de armas e pretende dotar a população toda de armas e, indiretamente, incrementando a violência porque entre os “santos” armados, há uma horda de desequilibrados que não perdem a oportunidade para o crime.
Teria o capitão esse perfil anticristo? (*)

[Do ponto de vista universal – onde residem as Divindades - essa nuvem negra que encobre o planeta chamada pandemia, tem tudo a ver com o que fazemos contra ele: o poluição dos mares, do ar, o descaso com as florestas, reduzidas ao vil metal – uma irresponsabilidade – e nesse caso, a violência contra os animais. A "causa e efeito" é infalível, mas os que dormem na vida não se dão conta ou ignoram. Isso é coisa de “filósofo”. Aqui a linguagem é do dinheiro, o resto é bobagem!]. (**)

Acessar:


Em âmbito praticamente planetário o “Facebook” e outras redes do grupo vêm perdendo anunciantes de peso porque suas páginas não “coíbem” mensagens de ódio, principalmente, num processo que dissemina, em última instância, a reação e a vingança.

E aí o ódio se torna de dupla mão, podendo gerar simplesmente a violência e a tudo o que de pior que sobre-existe na mente humana.

Por aqui, no mesmo Facebook houve o tal “gabinete do ódio” alimentado nos subterrâneos do Planalto, que divulgou (e ainda divulga, em menor quantidade hoje) falsidades, distorções e mentiras à exaustão.

Imaginavam ou imaginam esses bolsonaristas radicais que a divulgação intensa desse “lixo” pudesse convencer os antibolsonaristas a aderirem ao nome do capitão.

Mas, não, deu-se o efeito contrário. Tantas as falsidades que simplesmente fazia e faz crescer o repúdio aos métodos do capitão porque ela compactua com essas aberrações.

Agora, com o projeto antifalsidades aprovado no Congresso, essa turma reclama que ele pode ensejar a censura, interpretações ambíguas na acusação da falsidade - inibindo a livre manifestação. Isso pode acontecer, é uma preocupação verdadeira, mas muito do projeto foi sustentado pelo bolsonarismo insano e a propagação de dezenas de “fake news.






domingo, 31 de maio de 2020

A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM

Um quadro preocupante nos tempos do bolsonarismo… radical



1ª Premissa

Se metade do que acusam Lula e o PT for verdade e tudo se encaminhou para a confirmação da corrupção havida nos seus mandatos, o ex-presidente sindicalista, uma esperança de melhores dias em termos de igualdade social quando eleito, merecera a condenação e, no mínimo ser relegado ao ostracismo até por seus apoiadores, aos milhões.

Mas, na linha da esquerda inconformada, a culpa fora do juiz e do Judiciário em suas instâncias. Ele sempre fora inocente….

2ª Premissa

Os que não aceitavam o sindicalista e diante da corrupção denunciada e muitas provadas, surgiu um militar medíocre, um deputado trintenário medíocre que defendia a bandeira radical da direita, Jair Bolsonaro, que elogiou em momento o mais descabido (na sessão do impeachment de Dilma), o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um notório torturador dos tempos dos militares, nos porões do DOI-CODI vinculado ao II Exército. E repetiria os elogios ao coronel em outros momentos.

Apresentou-se como candidato para as eleições de 2018 como representante da extrema direita.


Então, a campanha...

A campanha do capitão fora a de mudar tudo o que havia, o fim de lulopetismo, o fim da corrupção, o fim do apadrinhamento, o fim de acordos com partidos para obtenção de apoio e, nesse diapasão, o fim da distribuição de cargos como moeda de troca.

Aos saudosistas de 64 e os que ojerizavam o petismo e a esquerda, foi um recado muito convincente: quem sabe não seria a repetição da ditadura de 64 com a reprise do AI-5?

Esquecem e não se perguntam todos esses já no “outono” de sua vida por que os militares, conhecendo todas as manobras da esquerda no poder, a aproximação com Cuba, investindo em obras por lá, com a Venezuela de Hugo Chaves, que fez do país isso que está aí com seu sucessor, apoio ao “Foro de São Paulo” e o que mais para não estender a lista, mas se mantiveram silentes nos quartéis, sem reação alguma, apenas obedecendo sua missão constitucional.

Com a chegada do capitão ao poder, aviventaram-se essas esperanças, as esperanças da “solução militar” sem qualquer crítica à omissão dos quartéis que se dera nos tempos do petismo!

Voltemos às eleições de 2018.

O PT como de costume, por seu líder maior, não quis apoiar qualquer outro candidato de esquerda, o Ciro Gomes, por exemplo, que poderia ser um candidato forte, então, mas que não convence os eleitores à esquerda com a projeção que seria exigida, optando por indicar um candidato improvisado, o Haddad, iniciando-se com ele uma campanha bastante expressiva, apesar de tudo o que de ruim tinha o PT a responder.

Sem o Lula disponível, que estava preso, com todas as denúncias e obrigado a permanecer na defensiva, obteve, o “poste” 47 milhões de votos. O candidato da direita, no caso o capitão Bolsonaro, 57 milhões.

Nessas eleições, ficou claro que o petismo e a esquerda não estavam mortos: 47 milhões de votos foram muitos, muito além do que se esperava.

Eleito Bolsonaro, os prognósticos eram otimistas. Moro fora chamado para o Ministério da Justiça, como um avalista do novel governo considerando sua fama internacional no julgamento dos processos intrincados da lava-jato.

Mas, aí, com o poder da presidência, algum tempo depois, passou a fazer discursos polêmicos, atacando os demais poderes que o enfrentavam, em muitos casos segurando seus excessos e, numa linha de defender seu governo, há alguns meses, fora instituído, nos porões do Planalto aquele que se chamou “o gabinete do ódio” por onde circulam mensagens as mais absurdas, falsidades, distorções, aberrações de natureza religiosa – como a imagem de Jesus Cristo segurando sua mão, salvando-o do afogamento que lhe era imposto pelos adversários —, ataques a estes criando um clima, no país, não de ideias – que lhe falta –, mas de permanente confronto entre “nós” e “eles”, como se dera nos tempos do petismo.

Aliás, a aproximação no modo de agir que se constata hoje entre Bolsonaro e seus adeptos e o petismo de Lula muitos são os pontos em comum. Já se disse, os extremos se atraem e se tocam.

Mas, das maiores omissões ou atos propositados, se dá na administração do meio ambiente que demonstra que essa riqueza natural não lhe causa emoção nenhuma. Desaparelhando os órgãos de fiscalização, mantendo um ministro incompetente que não ousa contrariá-lo nessa política de predação, a Amazônia vai sendo exterminada gradativamente e, se não bastasse, há ataques à “Mata Atlântica”, isto é, ele e seu ministro, são ameaças à desertificação de imensas áreas do modo mais vil. Não pensam no futuro da descendência.

Penso que ele numa autocrítica, incluindo seus filhos, reconhecendo mentalmente seus desvios de personalidade cercou-se de militares para servirem de anteparo às críticas e mesmo a processos de impedimento possível, que os defendem a despeito das aleivosias que proferem, se omitem quando proclamam a volta da ditadura, a intervenção no Congresso e no Judiciário nos moldes do que se dera em 1968, com o AI-5 ditado por Costa e Silva.

E se não bastasse, sua união ao grupo do “Centrão” aquele que age nos fundões do Congresso, para ter seu apoio em embates que podem ser graves, passou a distribuir cargos, exatamente contrariando o ponto central de suas promessas de campanha.

Isto é, as manobras espúrias das quais sempre se valeu o petismo.

Quem foram os traídos e o traidor?

No tocante à pandemia do coronavirus sua atenção tem sido, digamos, de indiferença às mortes, às vítimas afetadas gravemente pelo doença. Ora se morreram pessoas, “E dai?”, ironizou. Morreram 10 mil vítimas, há que comemorar com um passeio de jetski no Lago Paranoá. Nos quase 30 mil mortos, uma andança a cavalo no meio de sua torcida organizada em Brasília, como se a pandemia não fosse com eles.

Há no seu inconsciente a figura de Ustra.

E o pior é que se diz religioso!

Se em junho/2020 as vítimas fatais continuarem nesse ritmo, no final do mês beiraremos 70 mil mortes pela Covid-19. E ele jamais apoiou o isolamento que o mundo praticava. Ao contrário, pela sua rebeldia infantil desautorizava esses cuidados criticando os governos estaduais que o praticavam. Nunca saberemos, mas quantas seriam as vítimas sem o isolamento?

E nessa incerteza que ele age.

Muita das ameaças radicais que faz, tem a ver com a pressão da Polícia Federal e do Judiciário em apurar malfeitos de seu filho mais velho (Queiroz e as “rachadinhas”, lavagem de dinheiro) e outras acusações de menor escala mas relevantes com acusações a outros membros da família.

Mencionei acima os saudosos de 64. Eu sou daquele tempo. E na minha opinião, havendo um golpe tipo AI-5, não serão aqueles esquerdistas precipitados que reagirão. Haverá uma parte imensa da sociedade, a maioria, que reagirá a tal ato insensato porque Bolsonaro não tem o apoio que teve o golpe de 64 tanto pelos arroubos comunistas de deslumbrados como o apoio americano havido então às voltas com a guerra fria.

Os tempos são outros. E um ditador sem equilíbrio como ele? A história já não narrou casos parecidos e que se tornaram catástrofes políticas e humanas?

Mas, vamos pensar de modo positivo e esperar que Bolsonaro, que se invista de responsabilidades (!?) proximamente, sobreviva até 2022 e concorra à reeleição.

Com tudo o que ele tem propiciado, ele já inscreveu um grosso volume para a campanha de 2022… contra ele.

Seus adversários, ou a esquerda, como queiram, farão a festa com material tão rico para derrotá-lo do mesmo modo como se deu em 2018 com o PT. Ele e seus adeptos “pensam” que ainda poderão contar com 57 milhões de votos!

E será ele o cabo eleitoral inconsequente para proporcionar a gloriosa conclusão:

A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM

quarta-feira, 20 de maio de 2020

SOBRE O CORONAVIRUS E OS ATOS DIABÓLICOS DE BOLSONARO

O capitão que acredita em "deus".


COVID-19

“ADMINISTRAÇÃO DA PANDEMIA POR AQUI”


1ª Hipótese


Se Bolsonaro largasse a teimosia infantil da gripezinha e assumisse o isolamento desde o início junto com os governadores e prefeitos.

Como estaríamos hoje em relação ao contágio?

Teríamos esse número crescente de vítimas mortais – cuja divulgação irrita os mais “sensíveis” – ou estaríamos nos preparando para abertura gradual da atividade comercial?

Para mim já estaríamos saindo do pior.

Mas, não, até agora de modo insensato o que faz é desfeita aos esforços hospitalares na cura dos doentes, tanto que no marco das 10 mil mortes de modo inconcebível saiu a passeio de jetski imitando Collor. Está deslumbrado com as mordomias da presidência.

Não dá para saber mas estaríamos melhores se o isolamento fosse assumido por ele, em lugar de ficar toda hora falando da cloroquina de modo insano.

E teria impedido seus adeptos acéfalos de causar o nervosismo e a instabilidade emocional no país inteiro via redes sociais


2ª Hipótese


Tratar até agora a pandemia como gripezinha…

Qual seria o número de mortos hoje? O dobro do até aqui registrado? Ou mais?

E o que diria ele? “E DAI?”

Ele é tão limitado por não perceber ou se faz de ignorante no tocante ao isolamento parcial que o salvou de ser culpado de número muito maior de mortes.

Basta pensar um pouco: se o isolamento, não incentivado por ele, já chegou a mais de 13 mil vítimas fatais, qual seria o número hoje com a livre atividade comercial e industrial que ele defende de modo irresponsável? Na base do que quero por que quero!

Muito mais vítimas, e além do “e dai?” ele diria que “todo mundo morre um dia”…

Mas, na facada que levou ele lutou o que pode para preservar sua vida.

CONCLUSÃO: Sendo educado, o capitão-centrão é um desqualificado, com limitações de raciocínio. E que não venham falar em ser religioso.


O IMPASSE: COM O ISOLAMENTO ATRASADO, SEM INCENTIVO DO CAPITÃO QUE O SUBESTIMA E A DOENÇA FAZENDO MAIS VÍTIMAS, COMO ABRIR A ATIVIDADE COMERCIAL / INDUSTRIAL? ESSE IMPASSE, O PREÇO DA NEGLIGÊNCIA OFICIAL. O CAPITÃO DEVERIA FALAR COM MAIS RESPONSABILIDADE.


Avaliação


Uma sucessão de erros:


1. O médico da Globo disse que o coronavirus era uma gripezinha, salvo grave engano meu, duas semanas antes do Carnaval;
2. O capitão pegou essa da gripezinha como heroi de papel e saiu por aí, fazendo aglomerações, e debochando do isolamento;
3. A gripezinha foi se agravando e o capitão continou com seu discurso anti-isolamento e aí achou a “fórmula mágica” válida somente para o Brasil: a cloroquina. Por causa dela demitiu dois ministros da saúde;
4. Enquanto isso os bolsonaristas radicais faziam de modo a não pensar em nada tudo o aquilo que o capitão fazia;
5. Falam do decreto. Quem não o seguiu, ou melhor, não o cumpriu foi o capitão. Ele praticamente revogou o decreto pelos seus atos impensados;
6. Nessa confusão toda “do sim e do não”, deve hoje passar de 17 mil mortos.

E eu me pergunto se o capitão apoiasse o isolamento nacional desde pós carnaval por um tempo, pelo menos, como estaríamos hoje? Se parasse de fustigar todo mundo que o contesta, se não levasse seus adeptos radicais a “enervar” o país com aquelas mensagens de rancor e ódio, quem sabe, com a diminuição das vítimas fatais, já não teríamos recomeçado a atividade comercial-industrial.

Nunca saberemos ao certo mas me parece que estaríamos nua situação melhor do que hoje.


Pela sua teimosia e inconsequências o representante do Governo Federal, o capitão com seus desequilíbrios tem muita responsabilidade nisso tudo que ora beira o caos e sem definição do que exatamente fazer.