Um
quadro preocupante nos tempos do bolsonarismo… radical

1ª
Premissa
Se
metade do que acusam Lula e o PT for verdade e tudo se encaminhou
para a confirmação da corrupção havida nos seus mandatos, o
ex-presidente sindicalista, uma esperança de melhores dias em termos
de igualdade social quando eleito, merecera a condenação e, no
mínimo ser relegado ao ostracismo até por seus apoiadores, aos
milhões.
Mas,
na linha da esquerda inconformada, a culpa fora do juiz e do
Judiciário em suas instâncias. Ele sempre fora inocente….
2ª
Premissa
Os
que não aceitavam o sindicalista e diante da corrupção denunciada
e muitas provadas, surgiu um militar medíocre, um deputado
trintenário medíocre que defendia a bandeira radical da direita,
Jair Bolsonaro, que elogiou em momento o mais descabido (na sessão
do impeachment de Dilma), o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra,
um notório torturador dos tempos dos militares, nos porões do
DOI-CODI vinculado ao II Exército. E repetiria os elogios ao coronel
em outros momentos.
Apresentou-se
como candidato para as eleições de 2018 como representante da
extrema direita.
Então, a campanha...
A
campanha do capitão fora a de mudar tudo o que havia, o fim de
lulopetismo, o fim da corrupção, o fim do apadrinhamento, o fim de
acordos com partidos para obtenção de apoio e, nesse diapasão, o
fim da distribuição de cargos como moeda de troca.
Aos
saudosistas de 64 e os que ojerizavam o petismo e a esquerda, foi um
recado muito convincente: quem sabe não seria a repetição da
ditadura de 64 com a reprise do AI-5?
Esquecem
e não se perguntam todos esses já no “outono” de sua vida por
que os militares, conhecendo todas as manobras da esquerda no poder,
a aproximação com Cuba, investindo em obras por lá, com a
Venezuela de Hugo Chaves, que fez do país isso que está aí com seu
sucessor, apoio ao “Foro de São Paulo” e o que mais para não
estender a lista, mas se mantiveram silentes nos quartéis, sem
reação alguma, apenas obedecendo sua missão constitucional.
Com
a chegada do capitão ao poder, aviventaram-se essas esperanças, as
esperanças da “solução militar” sem qualquer crítica à
omissão dos quartéis que se dera nos tempos do petismo!
Voltemos
às eleições de 2018.
O
PT como de costume, por seu líder maior, não quis apoiar qualquer
outro candidato de esquerda, o Ciro Gomes, por exemplo, que poderia
ser um candidato forte, então, mas que não convence os eleitores à
esquerda com a projeção que seria exigida, optando por indicar um
candidato improvisado, o Haddad, iniciando-se com ele uma campanha
bastante expressiva, apesar de tudo o que de ruim tinha o PT a
responder.
Sem
o Lula disponível, que estava preso, com todas as denúncias e
obrigado a permanecer na defensiva, obteve, o “poste” 47 milhões
de votos. O candidato da direita, no caso o capitão Bolsonaro, 57
milhões.
Nessas
eleições, ficou claro que o petismo e a esquerda não estavam
mortos: 47 milhões de votos foram muitos, muito além do que se
esperava.
Eleito
Bolsonaro, os prognósticos eram otimistas. Moro fora chamado para o
Ministério da Justiça, como um avalista do novel governo
considerando sua fama internacional no julgamento dos processos
intrincados da lava-jato.
Mas,
aí, com o poder da presidência, algum tempo depois, passou a fazer
discursos polêmicos, atacando os demais poderes que o enfrentavam,
em muitos casos segurando seus excessos e, numa linha de defender seu
governo, há alguns meses, fora instituído, nos porões do Planalto
aquele que se chamou “o gabinete do ódio” por onde circulam
mensagens as mais absurdas, falsidades, distorções, aberrações de
natureza religiosa – como a imagem de Jesus Cristo segurando sua
mão, salvando-o do afogamento que lhe era imposto pelos adversários
—, ataques a estes criando um clima, no país, não de ideias –
que lhe falta –, mas de permanente confronto entre “nós” e
“eles”, como se dera nos tempos do petismo.
Aliás,
a aproximação no modo de agir que se constata hoje entre Bolsonaro
e seus adeptos e o petismo de Lula muitos são os pontos em comum. Já
se disse, os extremos se atraem e se tocam.
Mas,
das maiores omissões ou atos propositados, se dá na administração
do meio ambiente que demonstra que essa riqueza natural não lhe
causa emoção nenhuma. Desaparelhando os órgãos de fiscalização,
mantendo um ministro incompetente que não ousa contrariá-lo nessa
política de predação, a Amazônia vai sendo exterminada
gradativamente e, se não bastasse, há ataques à “Mata
Atlântica”, isto é, ele e seu ministro, são ameaças à
desertificação de imensas áreas do modo mais vil. Não pensam no
futuro da descendência.
Penso
que ele numa autocrítica, incluindo seus filhos, reconhecendo
mentalmente seus desvios de personalidade cercou-se de militares para
servirem de anteparo às críticas e mesmo a processos de impedimento
possível, que os defendem a despeito das aleivosias que proferem,
se omitem quando proclamam a volta da ditadura, a intervenção no
Congresso e no Judiciário nos moldes do que se dera em 1968, com o
AI-5 ditado por Costa e Silva.
E
se não bastasse, sua união ao grupo do “Centrão” aquele que
age nos fundões do Congresso, para ter seu apoio em embates que
podem ser graves, passou a distribuir cargos, exatamente contrariando
o ponto central de suas promessas de campanha.
Isto
é, as manobras espúrias das quais sempre se valeu o petismo.
Quem
foram os traídos e o traidor?
No
tocante à pandemia do coronavirus sua atenção tem sido, digamos,
de indiferença às mortes, às vítimas afetadas gravemente pelo
doença. Ora se morreram pessoas, “E dai?”, ironizou. Morreram 10
mil vítimas, há que comemorar com um passeio de jetski no Lago
Paranoá. Nos quase 30 mil mortos, uma andança a cavalo no meio de sua torcida organizada em Brasília, como se a pandemia não fosse com eles.
Há
no seu inconsciente a figura de Ustra.
E
o pior é que se diz religioso!
Se
em junho/2020 as vítimas fatais continuarem nesse ritmo, no final do
mês beiraremos 70 mil mortes pela Covid-19. E ele jamais apoiou o
isolamento que o mundo praticava. Ao contrário, pela sua rebeldia
infantil desautorizava esses cuidados criticando os governos
estaduais que o praticavam. Nunca saberemos, mas quantas seriam as
vítimas sem o isolamento?
E
nessa incerteza que ele age.
Muita
das ameaças radicais que faz, tem a ver com a pressão da Polícia
Federal e do Judiciário em apurar malfeitos de seu filho mais velho
(Queiroz e as “rachadinhas”, lavagem de dinheiro) e outras
acusações de menor escala mas relevantes com acusações a outros membros da família.
Mencionei
acima os saudosos de 64. Eu sou daquele tempo. E na minha opinião,
havendo um golpe tipo AI-5, não serão aqueles esquerdistas precipitados que reagirão. Haverá uma parte imensa da sociedade, a
maioria, que reagirá a tal ato insensato porque Bolsonaro não tem o
apoio que teve o golpe de 64 tanto pelos arroubos comunistas de
deslumbrados como o apoio americano havido então às voltas com a guerra fria.
Os
tempos são outros. E um ditador sem equilíbrio como ele? A história
já não narrou casos parecidos e que se tornaram catástrofes
políticas e humanas?
Mas,
vamos pensar de modo positivo e esperar que Bolsonaro, que se invista
de responsabilidades (!?) proximamente, sobreviva até 2022 e
concorra à reeleição.
Com
tudo o que ele tem propiciado, ele já inscreveu um grosso volume
para a campanha de 2022… contra ele.
Seus
adversários, ou a esquerda, como queiram, farão a festa com
material tão rico para derrotá-lo do mesmo modo como se deu em 2018
com o PT. Ele e seus adeptos “pensam” que ainda poderão contar
com 57 milhões de votos!
E
será ele o cabo eleitoral inconsequente para proporcionar a gloriosa
conclusão:
A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM.