domingo, 17 de agosto de 2014

SÃO PAULO E A ESCASSEZ DA ÁGUA


Tenho por hábito, aos domingos caminhar pelo Parque da Rua do Porto – Piracicaba. Do outro lado da avenida, a Rua do Porto, ponto turístico - gastronômico e à direita o rio Piracicaba.




O Rio mostra suas entranhas, as pedras fazem seu fundo à mostra, o que eu jamais vira em 30 anos morando em Piracicaba.
Chego numa espécie de ancoradouro que, no passado recente no final do cimentado a água do rio por ali se limitava. Houve, bom que se lembre, há alguns anos enchentes de grande monta avançando sobre a rua do Porto metros acima causando grandes prejuízos aos comerciantes e sobre o Parque com aquela lama malcheirosa desanimando ou impedindo os caminhantes de fim de semana.




Mas, desta vez a água fétida está a cerca de 30 metros daquele ancoradouro. Vou a pé até as águas que restam. Um senhor idoso com 75 anos de idade, piracicabano, estacionou seu carro ali. Foi categórico: nunca em sua vida vira crise igual a esta no Rio, orgulho da cidade.  Aqui à direita uma poça de água parada "podre", certamente que um criadouro privilegiado de mosquitos da dengue. E os agentes de saúde esta semana estiveram no meu bairro a procura de latinhas e vasos com água armazenada, possíveis criadores do mosquito...


Do ponto de vista político, houve é há críticas ao Governador Geraldo Alckmin porque não teria investido o suficiente em novos reservatórios ou alternativas criativas para geração de água para o grande Estado de São Paulo e sua capital, a cidade mais importante do país.
Nesta época de campanha, ele deve ser reeleito. E espero que seja.
Essa crise da água haverá que ser, em seu novo mandato, um alerta, um desafio.
Ora, a chuva é a dádiva dos céus que enchem os reservatórios, avolumam os rios e tudo o mais.
E a chuva não veio e há meses se ora por ela.
Até que ponto, com tanta devastação e desvios ambientais que se assistem, as chuvas futuras encherão os reservatórios e em que limite suportarão o volume de água para abastecer a região metropolitana de São Paulo com destaque para a capital?
São Paulo é uma cidade que não para realmente de crescer. E isso não se constitui numa frase de orgulho para este 'antigo' paulistano.
É que, com tantos edifícios sendo construídos, exigindo água potável em grandes volumes e tratamento de esgoto correspondente, qual e quando será o próximo colapso?



Há, então, posta, uma advertência no ar.

Quais medidas serão necessárias daqui para o futuro?

Quaisquer que sejam os investimentos serão imensos.

Incluo a potabilidade do Rio Tietê em toda sua extensão.

Por outra, tomo como exemplo – porque há outros - a imensa usina de dessalinização de Israel. A tecnologia avançada lá está. Mas, o que realmente me desanima um pouco é que ela é movida por combustíveis fósseis, no caso o gás natural.
De natural, então, não há nada. Mas, a água potável que produz é elemento essencial para a vida.
Por aqui, exatamente pelos reservatórios vazios, as usinas termoelétricas são movidas a diesel. Quer coisa pior?

O discurso da oposição contra a falta d´água em São Paulo pode até ter alguma relevância porque até hoje só se acreditava na constância da chuva abundante que a tudo movia.
Mas, como disse, há posta uma advertência nessa crise grave.
E ela é assim tão expressiva que a hidrovia Tietê – Paraná está praticamente paralisada desde fevereiro, impedindo o transporte de grãos, causando grandes prejuízos aos produtores e à população porque o transporte por caminhões afeta o preço.
Fala-se em 2,5 milhões de toneladas de grãos que deixaram de ser transportadas por esse meio, pelo que exigem o concurso de 45 mil carretas nesse período já longo de estiagem que circulam pelas estradas de São Paulo e no caso das exportações da soja, até o porto de Santos, principal escoadouro desse grão.

Os jornais relatam crise dentro de agências do Governo Federal. A ANTAQ - Agência Nacional de Transportes Aquaviários acusou a ANA – Agência Nacional de Águas de ter sido omissa em garantir o uso da água para diferentes propósitos como abastecimento (primeiramente para consumo humano e animal), geração de energia e transporte de carga. Haveria, então, até agora, o prevalência da produção de energia sobre todo o resto.
Um desvio de prioridades.

As coisas estão mal aparadas como se vê. “Casa onde não tem água, todo mundo reclama e ninguém tem razão.”

Se as chuvas em profusão não vierem logo as coisas ficarão mais complicadas, algo como menos energia e mais bebedouros.
E mais conflitos oficiais. 
                        

Fotos

(1) Rua do Porto numa segunda-feira. Nos fins de semana ela se torna movimentada com turistas e locais apreciando os pratos oferecidos pelos vários restaurantes.
(2) Rua do Porto alegada.
(3) Imagem do Rio Piracicaba neste mês de agosto de 2014.



                         
                       

                        

terça-feira, 8 de julho de 2014

FULECO: AOS SUPERSTICIOSOS

E AOS QUE ACREDITAM EM MÁS INFLUÊNCIAS

COPA DO MUNDO - BRASIL

Dia 08.07.2014 - Belo Horizonte

 Fomos brutalmente fulecados pela Alemanha: 7 x 1

Mas,
Agora não tem jeito, de achar culpados ou de quem foi a falha, mas o Felipão não fazia muito, ao ser escalado para a seleção, havia afundado o Palmeiras, praticamente assumindo que o seu time poderia ir para a “segundona” no “brasileirão”, como acabou ocorrendo.
E, mesmo assim, foi escolhido técnico da seleção.
Como palmeirense, que acompanhei de perto tudo aquilo, estranhei muito a escolha dele.

FULECO
A origem etimológica do nome “Fuleco” é a junção das palavras “futebol” e “ecologia”. Inspirado no nosso tatu-bola:
FULECAR no “Dicionário Caldas-Aulete: perder todo o dinheiro que se leva no jogo;
FULECO no “Dicionário “on line” de português: ação de fulecar, ato de perder, ao jogo, tudo aquilo que possuía ou levava.

O time brasileiro é composto de jogadores muito emotivos, sentindo a responsabilidade – faltaram alguns veteranos que poderiam dar um equilíbrio, o Kaka, por exemplo – vaidosos (pintam o cabelo, deixam e tiram o bigode, fazem unha – tudo ‘engraçadinho’) [+ € e US$] e endeusados, principalmente por mérito da Rede Globo, de vários dos seus comentaristas e repórteres deslumbrados.

COMO DIZ O MURICY RAMALHO: “É preciso trabalho, trabalho” – e tudo retorna aos brasileiros no primeiro dia útil do batente após a fragorosa derrota, enfrentando a barra da assistência médica deficiente, transporte público ruim, educação falha e violência. A vida do povão no dia-a-dia volta sem ilusões.



Pobre tatu-bola, esquecido e em extinção. E virou fuleco, uma palavra que exprime derrota.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

JANGO: Vacilações e a deposição

EXPLICAÇÃO:


João Goulart, o Jango, voltou forte ao noticiário da imprensa, por causa da exumação do seu cadáver par apuração da causa de sua morte sob suspeita de envenenamento. Seus restos foram recebidos com honras de chefe de estado.
O texto abaixo, escrito em 1995 foi extraído do meu livro "Sindicalismo e Relações Trabalhistas" - 4ª edição que trata dos episódios centrais de sua deposição.
Quase duas décadas depois de escrito esse texto, talvez hoje pouco o modificasse, salvo aprofundamento de alguns episódios importantes e, principalmente, refletir um pouco mais sobre a conspiração que se instalou no seu tempo.




Passado o plebiscito, que pelo voto decretou a volta do regime presidencialista, o país entrou num processo gradual de desordens provocadas por seguidas greves, pelas vacilações e pela crise de autoridade do governo.

A grande imprensa aliava-se em denunciar o perigo comunista, assombrando a classe média. A época era muito propícia para esse tipo de campanha porque a “guerra fria” se constituía num polo de influência ao maniqueismo político: o sim e o não, o bem e o mal.

Alguns paradoxos  foram notáveis. A saudosa deputada Ivete Vargas, quando inquirida sobre quem dominava o movimento sindical à época de Jango, se ele próprio, a sua oposição dentro do PTB ou o PC, sustentou:

"Olhem, era tudo tão confuso e contraditório, a briga dentro do movimento sindical era tão grande, que é muito difícil saber. Dou-lhes um exemplo. Um dia chego em casa, ligo a televisão e vejo que Luiz Carlos Prestes estava dando uma entrevista. Como não estava com vontade de ouvi-lo, mudei de canal. Também ela transmitia a entrevista. Mudei para outro e foi a mesma coisa. Aí minha curiosidade cresceu, pois Luiz Carlos Prestes numa cadeia de televisão era um fato digno de registro. Foi quando ele disse que os comunistas ainda não estavam no poder, mas já estavam no governo. No intervalo, a minha surpresa cresceu, porque o programa era patrocinado pela Willys Overland. Como vêem, o governo Jango é cheio de mistérios e contradições”.

No final de 1963 a conspiração estava em marcha, nos Estados de São Paulo, Minas e Guanabara. Ela seria colocada nas ruas no tempo certo. O momento amadurecia, os acontecimentos iam sendo insensatamente fabricados: havia, afinal, o CGT, o PAC, as Ligas Camponesas no Nordeste, organizadas por Francisco Julião, que visitara Cuba, proclamando-se defensor do socialismo de Fidel Castro como solução para os problemas do campo e o movimento estudantil, comandado pela UNE.
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O então presidente da UNE, José Serra, em entrevista 30 anos depois desses eventos, negava ser a entidade estudantil um “braço de agitação dos comunistas”, mas “um instrumento de agitação dos estudantes e não de um partido, particularmente, como o PCB”. E o que representava Cuba para os estudantes? Segundo Serra, “Cuba era para nós importante por ter-se libertado de uma ditadura, pôr ter feito a reforma agrária, afrontando os Estados Unidos. Eram coisas menos relacionadas com o socialismo. Sensibilizava bastante a juventude politizada”. [1]
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Novos eventos abreviavam a queda de Jango:

    . Em setembro de 1963, cerca de 500 sargentos se rebelaram em Brasília protestando contra decisão do Supremo Tribunal Federal que negou reconhecimento à candidatura desses militares. O movimento foi logo dominado, mas alertou setores do Exército para a indisciplina demonstrada pelos sargentos e também porque o CGT se posicionara a favor deles;

    . No início de outubro, o governador Carlos Lacerda, em entrevista ao jornal norte-americano “Los Angeles Times” acusou os militares de estar discutindo, quanto ao governo Goulart, se “seria melhor tutelá-lo, patrociná-lo, colocá-lo sob controle até o término do seu mandato ou destruí-lo agora mesmo”.[2] 

Essa entrevista foi considerada injuriosa pelos ministros militares. 

Diante da indignação demonstrada por eles, Goulart propôs ao Congresso, a decretação do estado de sítio de tal maneira que pudesse intervir no Estado da Guanabara, destituindo o governador Lacerda. Essa intenção, pela forte oposição recebida de todos os lados, inclusive do CGT e do PUA - receando tornarem-se impedidos de promover as greves de rotina - não  prosperou.

Praticamente sem apoio, o governo de Jango ia se arrastando. O ano de 1963 registrou 81% de inflação, índice alardeado pela imprensa e por seus críticos.

Em 13 de março de 1964, em grande comício no Rio de Janeiro, com cerca de 200 mil pessoas, com a participação de inúmeras entidades sindicais, incluindo o CGT, o presidente assinou dois decretos: um que considerava de “interesse social para efeito de desapropriação as terras que ladeiam eixos rodoviários, leitos de ferrovias, açudes públicos federais e terras beneficiadas por obras de saneamento da União”, com o objetivo de “tornar produtivas áreas inexploradas ou subutilizadas, ainda submetidas a um comércio especulativo e odioso” e outro determinando a encampação das refinarias particulares, “que passam a pertencer ao povo, passam a pertencer ao patrimônio nacional”.

Adhemar de Barros, Governador de São Paulo, que com Carlos Lacerda, Governador da Guanabara e Magalhães Pinto, Governador de Minas Gerais, conspirava abertamente contra o governo Jango, após o discurso disse abertamente estar empenhado, “no momento, como todo o povo brasileiro, na luta em defesa das liberdades democráticas, tão seriamente ameaçadas depois do pronunciamento do Presidente da República no último dia 13”.[3]

Carlos Lacerda, no Rio, como esperado fez, também, ao seu estilo, críticas veementes ao discurso do dia 13.

Parte da imprensa, com manchetes garrafais, formava a opinião pública do perigo que representaria a vitória do comunismo no Brasil.

Em comunicado aos seus subordinados, o Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, general Castello Branco declarara ser uma ameaça “o desencadeamento em maior escala de agitações generalizadas do ilegal poder do CGT”.

No dia 19 de março, saindo da praça da República, encerrando-se na praça da Sé, foi organizada em São Paulo, a “Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade”. Gradativamente engrossada em seu trajeto, cerca de 500 mil pessoas manifestaram seu repúdio ao “avanço comunista”. Uma manchete moderada: “São Paulo parou ontem para defender o regime. Povo, pela Constituição”.[4]
Comentários de Goulart, a propósito:

“Nas grandes passeatas os cartazes não eram dirigidos contra a pessoa do Presidente ou contra as reformas de base por ele preconizadas. Todos visavam a atingir o sentimento profundamente religioso do povo e mostrar o perigo iminente da tomada do poder pelos comunistas”.[5]

Cinco dias depois, ocorreu séria questão disciplinar na área do Ministério da Marinha. Contrariando ordens do ministro, os marinheiros decidiram comemorar o aniversário de sua associação. 

Diante do ato de indisciplina, ordenada a prisão dos organizadores, todos se refugiaram na sede do Sindicato dos Metalúrgicos carioca. 

Os ânimos se exaltaram. O CGT presente ameaçou com a greve geral. Demitiu-se o ministro da Marinha. Goulart, incapaz de impor a autoridade de seu mandato, decidiu não punir os marinheiros. 

Nova crise nas Forças Armadas com a manifesta onda  de indisciplina atravessando, sem controle,  os portões dos quartéis.

Aparentemente superado o incidente, no dia 30 de março, Jango compareceu à solenidade em comemoração ao aniversário de fundação da Associação dos Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar da Guanabara. Ao discursar, reafirmou sua intenção de viabilizar seu programa de reformas, oportunidade em que criticou duramente seus opositores.

Foi o sinal esperado para se concretizar movimento com o objetivo de derrubá-lo. Minas declarou-se em “estado de beligerância”. À sublevação aderiram os governadores de São Paulo e Guanabara, contando com o apoio do Rio Grande do Sul, Goiás, Paraná e Mato Grosso.[6]

Na noite desse dia, Goulart recebeu um telefonema de Amauri Kruel, comandante do II Exército, comunicando que sua permanência no governo ficava condicionada a ações no sentido de dissolver o CGT, prender seus principais dirigentes e ações no mesmo sentido contra a UNE e seus dirigentes.[7]

Goulart, lembrando suas origens, sempre ligado aos trabalhadores, recusou-se a quaisquer dessas providências.

Consumou-se, então, o golpe. Ao conhecer a extensão das manobras, o CGT tentou reagir com mais uma greve geral. Mesmo atingindo o movimento algumas atividades em São Paulo e Rio, de nada adiantou.

Os dirigentes sindicais ligados ao CGT entraram para a clandestinidade, outros deixaram o país e alguns presos, caso de Clodsmith Riani, presidente da entidade que, mesmo se entregando à 4a. Região Militar de Minas, permaneceu preso 5 anos e 8 meses.

Foi decretada a intervenção em centenas de entidades sindicais, incluindo federações e mesmo confederações, cujos dirigentes foram identificados como simpatizantes das teses comunistas ou meros suspeitos.

Goulart refugiou-se no Uruguai.
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Encerrou-se com a queda de Goulart, pelo maior deles, um longo período de golpes, de tentativas frustradas e de golpistas irrequietos, eternos insatisfeitos.

Desconhecemos levantamentos econômicos apurando o custo de todos esses desvios políticos para o país.

Basta lembrar, embora também por mérito de sua personalidade, o governo Kubitschek que teve começo, meio e fim. Houve progresso e desenvolvimento dentro da democracia e da liberdade. 

Hoje, um ponto de referência.

Esse precedente atesta quanto teria ganho o país se os governos  fossem mais  estáveis e, nesse passo, tivesse havido um mediano empenho em resolver os problemas nacionais.

O golpe fracassado de Jânio Quadros produziu a subida de João Goulart, sabidamente “suspeito” não só pelos militares, mas por segmentos influentes das chamadas “elites”.

A queda de Jango, passados tantos anos, é só compreensível pela desordem reinante. A propaganda e a atuação comunista eram eficientes. Mas, esses militantes eram conhecidos. Não poderiam significar qualquer ameaça, até porque as Forças Armadas repudiavam  incondicionalmente o regime.

É verdade que as rusgas  da “guerra fria” se irradiavam, apresentando-se a União Soviética como o polo negativo, o da ameaça à estabilidade do mundo.

Esse ponto foi muito aproveitado na propaganda anticomunista resultando nas manifestações populares de rua.

Mas, não havia ameaça real da ascensão comunista. Havia, certamente, o cansaço pela seqüência até irresponsável de movimentos paredistas. E havia, também, um presidente indeciso, apenas  mal tolerado, sem apoio.

Há algum tempo, num programa de televisão, sua viúva Maria Tereza reclamava que o único ex-presidente não “reabilitado” politicamente, era exatamente João Goulart, até hoje olhado com indiferença.

Muitos dos seus projetos de reformas seriam mais tarde, num momento político mais propício, melhor compreendidos. Havia neles um apelo para o encaminhamento de soluções para problemas que afetavam os mais carentes, um deles, a reforma agrária. Embora pouco tenha sido feito até hoje, existe  a crença sensibilizando cada vez mais as pessoas: a da necessidade do  combate à miséria que se amplia assustadoramente.

Depois, Goulart perdeu o governo por manter fidelidade aos seus princípios e aos seus aliados (ainda que supostos).

Há, nessa postura, méritos a serem considerados. Procurados imparcialmente, outros aparecerão.

LEGENDAS
[1] - “Folha de São Paulo” de 27.3.1994 (Entrevista de José Serra)
[2] - Moniz Bandeira, "O Governo João Goulart [As Lutas Sociais no Brasil (1961/1964)]
[3] - “O Estado de São Paulo”, de 17.3.1964
[4] - “Folha de São Paulo” de 20.3.1964
[5] - Moniz Bandeira, obra cit.
[6] -  “Folha de São Paulo” de  l.4.1964.
[7] - Esse diálogo é mencionado nos livros de Moniz Bandeira, cit., e de Hércules Corrêa ("A Classe Operária e seu partido"). Quanto a este último, afirmou tê-lo ouvido, autorizado por Jango, numa extensão telefônica  porque, naquele instante, se encontrava no Palácio das Laranjeiras.

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AOS INTERESSADOS NO TEMA VER / LER TAMBÉM ARTIGO CORRELATO: "31 DE MARÇO - 1° DE ABRIL: DIAS DO GOLPE CONTRA JOÃO GOULART" DE 31.03.2013

sexta-feira, 26 de julho de 2013

“CONSTATAÇÕES INSUPORTÁVEIS”


Além da aquisição inexplicável duma refinaria lesiva aos interesses do país pela Petrobrás, explano sobre a administração "mais ou menos" do Rio de Janeiro, o "clamor das ruas" e a explicação "oficial" descabida e também sobre os aviões da FAB como turismo.
Entre as "constatações suportáveis", a intromissão dos hackers. 


PETROBRÁS – UM ESCÂNDALO A SER ESCLARECIDO... E PUNIDO?                                                   
Já não de agora, fala-se de aquisição, pela Petrobrás, de usina de refino de petróleo em Pasadena – Texas  que se revela altamente lesiva aos interesses nacionais.

Essa transação deu-se na gestão de José Sergio Gabrielli não só amigo, como protegido de Lula que o manipulava segundo os interesses governamentais, muitos tão desastrosos como essa aquisição.


O deputado Mendes Thame (PSDB) em artigo há pouco publicado explica essa operação, nestes termos:
                                                                                                                                      
A empresa brasileira enredou-se com a questão e fechou um acordo extrajudicial com os belgas, o que lhe custou mais de US$ 820 milhões para encerrar os litígios, em junho de 2012. Ou seja, a refinaria que havia custado US$ 425 milhões para a Astra, estourou em US$ 1,18 bilhão os cofres da Petrobras.
É cada vez mais complicado compreender quais foram os interesses que suscitaram tão suspeitos negócios, levando-se em conta que, a preços de mercado, Pasadena não vale hoje mais do que US$ 100 milhões. Trata-se de uma refinaria obsoleta, que para produzir a contento, dentro dos padrões internacionais, vai exigir novos e altos investimentos do governo brasileiro.
Buscando respostas para o caso, o deputado Antônio Imbassahy (PSDB-BA) sugeriu e teve aprovado, em março deste ano, requerimento convocando a presidente da Petrobras, Graça Foster, para esclarecer a lesiva operação, na Comissão de Segurança Pública, já que há suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Nessa audiência, em 21 de maio, as explicações da presidente da Petrobras, apesar dos esforços para apresentar dados positivos, não convenceram. Questionada, Graça Foster chegou a afirmar que “não participou da decisão.” (1).

Já havia em artigos anteriores me manifestado sobre esse tema escabroso e até agora sem uma explicação com um mínimo de seriedade por quem deveria dá-la.     
                                                                                                                  
O ex-presidente da Petrobrás, Gabrielli, deverá, segundo o deputado, comparecer à Câmara em agosto próximo para explicar detalhes dessa aquisição desqualificada.

Esperemos.

RIO DE JANEIRO: ADMINISTRAÇÃO MAIS OU MENOS

No auge dos protestos de rua nos quais houve abusos dos predadores de bens públicos e privados e agora na visita do papa Francisco, conclui-se que, no Rio de Janeiro sua administração tem sido:

● Mais ou menos na ação policial que “não deu a cara para bater” e não enfrentou os predadores que ficaram livres para seus ataques a bens públicos e privados, especialmente no Leblon;

[No dia 26.07.2013 em depredações na Av. Paulista, a policia paulista só chegou ao local depois que dez agências bancárias haviam sido depredadas por vândalos - imitou a do Rio

● Por isso José Mariano Beltrame, secretário de segurança pública do Rio, tão enaltecido, agora constrangido, está mais ou menos;

● As favelas pacificadas estão mais ou menos;

● Os meios de transporte aos jovens peregrinos nos primeiros dias da visita do papa, estiveram mais menos do que mais;

● Não houve cuidado com o trajeto do papa após sua chegada ao Rio ficando a comitiva no meio de congestionamento, o que se revelou desorganização muito mais do que menos;

● O governador é mais ou menos e vem sendo repudiado e mal avaliado;

● O prefeito “reza” para que novas trapalhadas não ocorram de modo que o obrigue a novas desculpas constrangedoras, mais depois do barreiro em Guaratiba que inviabilizou o encontro de milhares de jovens com o papa naquele local ponto alto da JMJ;

● Planejamento geral da visita do papa: até agora menos ou menos.

O “CLAMOR” DAS RUAS

O povo brasileiro humilde, humilhado nos postos médicos e hospitais brasileiros, esperando por horas, dias e meses por assistência médica, aproveitou os recentes protestos jovens contra o aumento das passagens de ônibus para colocar em pauta esse descalabro.

A Dilma, omissa, não pode ignorar o que se passava, porque até a Rede Globo, em seguidas reportagens mostrava com frequência o escândalo para todas as suas retransmissoras.

A essa questão crucial, somou-se o mau desempenho da educação e o protesto à corrupção sem freio em volta do seu governo.

Aí, com os protestos pelo país todo, quebra-quebras, vem ela dizer que está ouvindo o clamor das ruas. Mas, para sair pela tangente, inventou a proposta descabida e inviável de um plebiscito de reforma política.

Com sua omissão, sua popularidade vem caindo muito.

Em vez do plebiscito, deveria ter diminuído seu ministério de 39 ministros atualmente e diminuído o contingente de funcionários contratados, cabide de emprego de petistas.

E para tentar ajudá-la, seu padrinho se sai com um argumento falso qual seja o de que houve melhora no padrão de vida dos brasileiros e, por isso, agora exigem mais como visto nas passeatas.

Ora, é possível acreditar-se que apenas a concessão do ‘bolsa família” e outras gorjetas resultou nesses protestos por melhoras na  péssima e vergonhosa assistência médica?

É demais da conta acreditar-se nisso e, pior, divulgar esse besteirol.

E nesse meio, aguentar-se a arrogância da FIFA com seu poder de futebol-circo, exigindo mundos e fundos, estádios suntuosos como é o de Brasília que terá pouco uso, enquanto os brasileiros mendigam uma consulta, muitos morrendo nas filas dos postos de atendimento.

Dilma nunca viu isso?

AVIÕES DA FAB - TURISMO

Será que ninguém controla o abuso desses ministros e políticos medíocres e irresponsáveis em se valer de aviões da FAB para viagens particulares a custa do dinheiro do povo brasileiro?

Agora se revelou que Aldo Rabelo o comunista que abusa da “nomenclatura”, foi com a mulher e filho, nos dias do Carnaval passado, a Cuba, para um passeio “oficial”. O que ele lá fez seria possível resolver pelos recursos da internet que certamente para ele seria liberada por Cuba.

Será que no governo Dilma - useira e vezeira em passar “esporros” nos ministros [essa palavra chula não é minha, mas segundo consta do ministro Gilberto Carvalho] -, nem ela nem ninguém coíbe (m) esses abusos?

Por tudo isso, não creio que os protestos parem. E que não parem porque a vadiagem política é demais nesses escalões.


CONSTATAÇÃO SUPORTÁVEL

Hacker

Todo mundo perplexo com a espionagem americana no mundo sob o argumento de que se trata de ação global antiterrorista.

Dizem que não é novo o processo técnico de incursão externa em computadores de terceiros por empresas do ramo devidamente autorizadas pelo usuário.

Para mim fora experiência nova!

Então, precisando de regulagem num equipamento que adquiri para atender ao sistema digital implantado pelos Tribunais de São Paulo (escaneamento + PDF), acionei a empresa fornecedora.

O atendente, depois que localizei o portal indicado por ele, fez aparecer no meu computador uma tela e nela uma senha que me pediu que a revelasse.

Feito isso passou esse profissional a trabalhar pelo computador dele em São Paulo no meu computador no interior do Estado a cerca de 180 quilômetros de distância.

E com essa incursão, resolveu a deficiência do equipamento – que se revelou muito eficiente.

A senha que passei, segundo o atendente, só serviria para aquele serviço, mas minha perplexidade passou da conta.

Imaginem essa possibilidade de acesso remoto – com, senha, diga-se, no meu caso – com a tecnologia dos Estados Unidos e seus “hacker oficiais” que tudo podem. (2)

Sem dúvida que o acesso a dados secretos em sistema de computadores – internet, tendem a ser facilmente desvendados por esses especialistas [hacker] espiões – sem senha, é claro.

É bom lembrar que há hackers de "baixo perfil” que por simples diversão conseguem isso em sistemas os mais diversos.

O Grande Big Hacker fuçando em nossos segredos, irmão!

Referências

1. “Jornal de Piracicaba” de 19.7.2013

2. Sentido da palavra “hacker” segundo a Wikipédia:
“Na língua inglesa, a palavra deriva do verbo to hack, que significa "cortar grosseiramente", por exemplo, com um machado ou facão. Usado como substantivo, hack significa "gambiarra" — uma solução improvisada, mais ou menos original ou engenhosa.
Esse termo foi apropriado pelos modelistas de trens do Tech Model Railroad Club na década de 1950 para descrever as modificações que faziam nos relês eletrônicos de controle dos trens. Na década de 1960, esse termo passou a ser usado por programadores para indicar truques mais ou menos engenhosos de programação, por exemplo usando recursos obscuros do computador. Também foi usado por volta dessa época para manipulações dos aparelhos telefônicos com a finalidade de se fazer chamadas grátis.
O termo "decifrador" foi introduzido na década de 2000 por empresas de informática no Brasil...”