quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

VARIEDADES TEMÁTICAS


1. Homofobia – o voto quilométrico de Celso de Melo

Depois de tantos anos na advocacia – mesmo quando na administração empresarial nunca me afastei totalmente dela – nunca vi Supremo Tribunal Federal tão ruim como esse.

Um tribunal que sustenta um ministro como Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski não pode ser bem qualificado. Por outra, é muito ruim porque repleto de ideais ideológicos em casos em prejuízo de proposições jurídicas.

Mas, há um outro ministro que não tem autocrítica, é o Celso de Melo. O voto condenando a homofobia consumiu 154 páginas.

O calhamaço de proposições prolixas chegou ao ponto de repetir aquela de menino veste azul e menina veste rosa uma convenção que se dá na porta dos nascituros nas maternidades.




"Joana rosa - menina e Gustavo azul - menino". Sexo natural desde o nascimento, simples assim.





E nesse momento fez solene expressão fisionômica de sapiência.

Como esperança próxima, deixará o Tribunal em novembro de 2020.

O tempo passa rápido.

O pior são esses outros ministros que terão muito tempo de “casa” antes dos 75 anos.


2. Hino Nacional nas escolas

Esse ministro da Educação colombiano-brasileiro, Ricardo Vélez é dado aos excessos.

Ele não se deu conta ainda de que qualquer deslize significa o delírio de uma oposição despeitada pela derrota fragorosa nas últimas eleições.

Ao propor que os alunos cantem o hino nacional, tem um sentido positivo.

Será um modo, desde a tenra idade, lembrar aos alunos que há uma Pátria a preservar e, com o tempo, informar que a corrupção institucionalizada nestes últimos anos é crime, é desonesto e prejudica toda a nação, especialmente aqueles segmentos mais pobres.

Vejam a confissão de Sergio Cabral, que descaradamente confessa seus crimes para manter sua “consciência tranquila”. Se tiver consciência, nunca será tranquila. A ele se unem centenas de outros políticos que roubaram e roubam o país.

Assim, a esperança é que partir do hino, haja a reconscientização de que vivemos num país sofrido e saqueado e que as coisas têm que mudar.

Agora, no tocante ao slogan da campanha de Bolsonaro ("Brasil acima de tudo. Deus acima de todos") repetido antes ou após o hino é ideia descabida, ridícula mesmo.

Revelou o ministro a vontade de bajular o chefe de modo exacerbado.

Ah, sim, qual o problema de filmar crianças cantando o Hino Nacional?


3. Críticas da oposição

Nesses deslizes as críticas que partem da oposição são ora violentas, ora risíveis.

Lembram, por exemplo, como estão as escolas abandonadas, os professores ganhando mal, agredidos pelos alunos, como se tudo tivesse começado com o governo empossado há dois meses.

Quanto a Bolsonaro e seu governo, não sei até que ponto ainda atrapalham as sequelas da facada e das três cirurgias, mas vejo alguma timidez no modo como vem atuando embora tenha ele tomado posse mesmo, em 18 de fevereiro, dias após a última cirurgia.

Esse governo precisa saber que no Congresso, mesmo com renovações, o jogo é pesado pelo que serão necessárias intervenções agressivas se quiser obter algo. Inclusive dele com participação direta, principalmente nas reformas propostas.

A acomodação pós vitória é uma péssima postura, fadada ao desastre.

Há que acordar e olhar para fora.

Mesmo que sejam mensagens passadas pelas ditas “redes sociais” as quais utilizou com sucesso durante a campanha.

Não apenas pela oposição aguçada que não vai perdoar vacilações, mas pelo êxito do seu governo.


4. Lei nº 13467 de 13.07.2017

Essa a lei que fez a reforma trabalhista, adotando normas antes impensáveis dando-se até mesmo a extinção do imposto sindical.

Nos meus contatos com colegas com forte atuação na Justiça do Trabalho eles afirmam que as ações se reduziram de 50% a 70% porque com a nova lei é possível a condenação de honorários se o empregado perder a reclamatória.

Há relatos de ações julgadas “surpreendentemente” improcedentes.

Não há mais espaço para reclamatórias cujo objetivo era alcançar alguma compensação num acordo.

Os Tribunais do Trabalho divulgaram redução de ações em 1ª instância entre 2017 a partir da vigência da lei e 2018, um ano depois:

TRT do Rio de Janeiro: redução de 35%
TRT de São Paulo: redução de 30%
TRT de Campinas: 32%

Porém, na fase recursal nesses Tribunais, houve aumento de recursos porque muitas ações foram propostas tempos antes da vigência da lei para não sofrerem as restrições que ela traria, como trouxe.

Outros tribunais com maiores demandas também registraram redução de ações.

Algo impensável antes da vigência da lei: o TRT de São Paulo vem aceitando acordos extrajudiciais entre as partes e, ao examinarem seus termos, a maioria tem sido homologada.


5. Reforma da previdência

O projeto é “duro” mas admito que alguma coisa tem que ser feita na instituição “previdência”, claro que incluindo o funcionalismo público.

Mas, a grande vazão se dá entre os congressistas um corja remunerada e aposentada muito acima das possibilidades do país.

E não bastasse esse óbvio que salta às vistas tanto se fala, basta prestar a atenção quando o Congresso está com alta frequência. (513 deputados e 81 senadores) Não se esqueçam: estamos pagando todos esses caras, mais da metade inexpressiva, e todos elegíveis a mordomias não pagas sequer no primeiro mundo.





Congresso: estamos pagando essa turma toda mais as mordomias supra 1º mundo




Vamos esperar o andamento do projeto e esperar sua forma final.

No passado, quando atuava em processos administrativos de aposentadorias, houve inúmeros trabalhadores que fizeram jus à aposentadoria especial, com 48/50 anos de idade porque o nível de ruido industrial considerado insalubre era bem baixo, se não me engano apenas acima de 80 Db.

Essas concessões e outras agora estão batendo no caixa. E a polêmica vem vindo aí.


6. Pedofilia na Igreja Católica

É de perplexidade o número de padres pedófilos que surgem a partir do papado de Francisco.

Pergunta difícil: quantas papas que o antecederam acobertaram essa turma anormal de batina?

Há santos nessa história...secular?


7. Vale do Rio Doce

O que já não se disse sobre a tragédia de Brumadinha? Tudo. 

O que não se disse ou não se assume é envolver criminalmente a direção da empresa.

Havia marcas de que a barragem não era segura como agora alegam.

Disse o seu presidente há dias que a Vale é uma “joia” e não pode ser culpada pelo acidente.


Acidente...joia?

Acho que a Vale não vale nada, joia falsa.

Agora a diretoria se afasta, esperando que para ela, incluindo seu presidente, se abram as portas da cadeia.

Diz-se que a diretoria não seria substituída apenas afastada. Parece ser um modo traquina de não inculpá-la e o crime ir sendo "absorvido" pelos princípios da impunidade.


8. Ambiental

Jurisprudência em tese do Superior Tribunal de Justiça sobre preservação ambiental. Esta é importante é espero que sempre aplicada:

"Causa inequívoco dano ecológico quem desmata, ocupa, explora ou impede a regeneração de Área de Preservação Permanente - APP, fazendo emergir a obrigação propter rem (*) de restaurar plenamente e de indenizar o meio ambiente degradado e terceiros afetados, sob o regime de responsabilidade civil objetiva.”

(*) Propter rem = ‘próprio da coisa’, obrigando no caso a restauração do que degradado.


Rio Nilo

Documentário da BBC revela que o rio Nilo, o segundo maior em extensão, um marco indelével na história da humanidade a partir do Egito, está morrendo pela poluição, pelo desmatamento, pelo aumento da população nos países que ele atravessa.

[Devagar e sempre estamos pondo fim a este “vasto mundo”]

Detalhes sobre o Rio Nilo “morrendo”, acessar:


segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

ESSA QUESTÃO AMBIENTAL QUE PREOCUPA MUITO


Na questão ambiental, Bolsonaro revelou indisposição e críticas às atuais práticas de preservação.
De modo até temerário, certamente que por pressão de produtores rurais, aí fortemente incluídos os criadores de gado, ameaçou deixar o Acordo de Paris cuja proposta é a redução de emissões de dióxido de carbono (gases do efeito estufa) a partir de 2020, objetivando não elevar a temperatura global acima de 1,5% em relação à que prevalecia nos tempos pré-industriais.
Nessa linha de mudança radical no possível descaso ambiental artigo que aqui publiquei, fiz referência ao idoso general Oswaldo Ferreira que dissera que no tempo dele no tocante à devastação florestal, “não tinha MP e Ibama para encher o saco”.
Chamei-o de retrógrado, até porque a devastação se dera para “construir” a rodovia BR-163 que como tenente então, era muito feliz porque derrubava árvores à sua frente sem qualquer impugnação daqueles órgãos. (1)
E o pior é que a BR-163 tem trechos intransitáveis nas chuvas, um desastre.
Com pressões e estranhezas internacionais pela promessa de abandonar o acordo de Paris o governo voltou atrás, afirmando o novo ministro do Meio Ambiente que o país continuaria no referido acordo.
Então, estranhamente, o jornal “O Estado de São Paulo” (2) ao enaltecer o recuo do governo no tocante ao acordo, concluiu editorial assim,
O Brasil, nesse campo, é modelo de sustentabilidade ambiental. Tendo alcançado esse feito com muito esforço e investimentos seria um claro contrassenso que o Brasil denunciasse o acordo de Paris e se apresentasse à comunidade como inimigo do meio ambiente.”
 Surpreende que o jornal assim concluísse porque é em suas páginas que são divulgadas com regularidade graves violações ao meio ambiente principalmente desmatamentos implacáveis na Amazônia.
O que está escrito no plano até pode ser um modelo, mas não a prática cotidiana pelos flagrantes de degradação ambiental, entre madeireiros, pecuaristas e até carvoarias.
Um caso recente revelado pela Revista Consultor Jurídico (3) mas com “final feliz”:
A 1ª Vara da Subseção Judiciária de Tucuruí (PA) condenou pai e filho considerados desmatadores a pagarem R$ 12 milhões de indenização por danos ambientais e a recuperarem cerca de 760 hectares de área desmatada no Pará. Além da dupla, duas empresas das quais os réus eram sócios-ocultos também foram condenadas no processo a recompor o dano ambiental.
O fazendeiro foi, inclusive, flagrado explorando madeira ilegalmente no interior do projeto, sob proteção de homens armados. “
Espera-se que essas penalidades sejam mantidas e outras aplicadas nessas situações.
Essas penalidades não foram aplicadas pelo Ibama, mas pelo Judiciário, até porque o IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, segundo Bolsonaro, se excede na aplicação de multas, seria xiita”, pelo que “ele acabaria com essa festa”.
A despeito dos recuos, o que salta às vistas é o perigo agravado com o governo Bolsonaro.
A nova ministra da Agricultura, Tereza Cristina, defensora do agrotóxico e dos interesses dos pecuaristas e grandes produtores  - e que assumiu atribuição da FUNAI na administração de terras indígenas e quilombolas -, com o intuito de criar um “fato ambiental”, criticou a modelo Gisele Bündechen porque faria ela críticas à degradação sempre noticiadas.Disse a ministra que deveria ser ela, Gisele, embaixadora do país, para dizer “que seu País preserva, está na vanguarda do mundo na preservação, e não meter o pau no Brasil sem conhecimento de causa". (4)A modelo em sua resposta demonstrou não entender bem a referência ao seu nome e, claro, se estiver acompanhando o que se passa no seu país – e agora as ameaças de liberações de desmatamentos -, não poderia ser a embaixadora do Brasil nessa área.

Ora, até há pouco o Brasil ameaçara denunciar o acordo de Paris!
E há situações muito preocupantes: a presença de ex-deputado Valdir Colatto, nomeado diretor do Serviço Florestal Brasileiro, indivíduo defensor da caça de animais e crítico da reserva ambiental que deve ser mantida na propriedade rural. Do Cerrado, como se não houvesse degradação permanente nessa reserva, critica a preservação de sua extensa área:
Será que podemos nos dar ao luxo, por exemplo, de preservar 90 milhões de hectares do Cerrado, que hoje são terras férteis que podem produzir 
alimentos para o Brasil e para o mundo? Até quando? O que nós vamos fazer?” 
Em discurso já se valeu do velho argumento de que os outros países desmataram e agora querem preservar as matas brasileiras. Velho argumento para o aproveitamento dos maus exemplos do mundo.
Nessa linha de raciocínio acusa a Europa de ter cerca de 0,50% de matas preservadas, um vergonhoso equívoco do ex-deputado, porque dados idôneos revelam que a preservação florestal naquele continente alcança 42% (5)
Por outra, notícias recentes informam que Noruega proibiu em seu território a devastação de suas florestas – o Parlamento assumiu a missão de buscar fornecimento de produtos essenciais, incluindo a “carne” - porque proibiu a importação de produtos cuja produção resulte de devastação florestal nos países de origem. (6)
A Finlândia tem mais de 70% do seu território com cobertura vegetal preservada.
Então, o novo diretor do Serviço Florestal Brasileiro pode ser qualificado com a figura da raposa cuidando do galinheiro.
No governo Bolsonaro, pelas primeiras amostras, revelam contradições de quem cuida do quê e uma parte que deveria cuidar é hostil ao meio ambiente.
E esperar para ver as consequências dessas contradições.
Periodicamente, a imprensa trata como positivas notícias de que houve diminuição da derrubada florestal na Amazônia, mesmo sabendo que o que foi degradado, significa a soma de imensas áreas. O quadro anterior agora“diminuído”  fora muito maior, digamos, de 100%. Aí houve diminuição de 20%...
A pecuária, enquanto isso, abre grandes áreas de pastagens, deita a mata, degrada o solo, abusa de recursos naturais, incluindo a água para manter um rebanho imenso e, para o seu sustento, 1/3 da soja produzida que também avança sobre áreas florestais derrubadas.
Até aonde iremos com essas práticas tão devastadoras. Não há ameaças as gerações futuras sujeitas a um clima agravado pelo calor, a escassez de água, ampliação de áreas desertificadas?

Por isso, há um desafio permanente: recuperar as áreas degradadas pelo corte absurdo das árvores, pelas queimadas, pelo pasto imprestável e, obtido o reflorestamento, tornarem-se de preservação permanente.Claro que esse diretor do Serviço Florestal Brasileiro, pelos discursos que fez e posições que assumiu nesse tema tão árduo, não é a “autoridade” mais indicada para isso.
E isso veremos com o passar dos dias.
REFLORESTAMENTO NO CAMBOJA. VOLTA DAS CHUVAS
O noticioso de ONUBR traz informação importante dos efeitos ao clima após o reflorestamento de áreas devastadas pelas madeireiras e outras agentes predadores no Camboja. Com o reflorestamento as chuvas voltaram beneficiando a população ao redor do monte Kulen (7)
O destaque dessa notícia:
Na montanha de Kulen, no Camboja, um projeto apoiado pela ONU Meio Ambiente promove a restauração de ecossistemas devastados e auxilia aldeões a encontrar meios de subsistência sustentáveis, evitando a atividade madeireira. A recuperação da mata aumentou o volume de chuvas, antes abundante, mas reduzido em anos recentes por causa da perda de cobertura vegetal.”
Disse uma das moradoras:
As árvores grandes que estavam aqui atraíam a chuva. Quando elas foram embora, descobrimos que não tínhamos (mais) água e que nossa área estava secando”, conta a moradora Yuth Thy, de 46 anos.”
Deu-se mudança na própria educação nas escolas que passaram a ensinar as crianças a preservarem as florestas e um modo é o incentivo ao cultivo de mudas que se ampliou muito. Um modo a preservar as matas que trazem chuva!
Linhas finais
Este “relatório”, creio, condensa o momento atual da política duvidosa de preservação ambiental que considero em risco pelas últimas ações do governo Bolsonaro.
Mas, estarei sempre neste “espaço”, apontando os abusos e as contradições que se apresentem no tema “ambiente”.
Temos que sair lutando pela preservação da grande Amazônia e no particular plantando mudas onde der, em cada espaço.
Porque os recursos finitos que os meios naturais colocam à disposição, são tratados pela linguagem do dinheiro, mesmo que seja uma linguagem irresponsável.
Irresponsável porque esses recursos, se escassos, afetarão as futuras (próximas) gerações. Se já não afetam imensas áreas.
DISCURSO DE JAIR M. BOLSONARO NO FÓRUM EM DAVOS
No seu discurso de 22.01.2019 no Fórum Econômico Mundial em Davos, disse o presidente Bolsonaro sobre a preservação ambiental:

Brasil é quem mais preserva o meio ambiente”

"Nenhum outro país do mundo tem tantas florestas como nós. A agricultura se faz presente em apenas 9% do nosso território e cresce graças a sua tecnologia e à competência do produtor rural", destacando que menos de 20% do solo é dedicado à pecuária: "Essas commodities, em grande parte, garantem superávit em nossa balança comercial e alimentam boa parte do mundo."
"Nossa missão agora é avançar na compatibilização entre a preservação do meio ambiente e da biodiversidade com o necessário desenvolvimento econômico, lembrando que são interdependentes e indissociáveis".
Essa foi parte do discurso. Por causa do tamanho das florestas é que há em seu governo defensores de sua drástica diminuição.
O discurso, de certo modo, foi dirigido ao que queria ouvir a comunidade internacional na questão ambiental, até pela sua ameaça inicial de renunciar ao acordo de Paris, posicionamento que pegou mal.
Fotos:
1ª foto: Cerrado calcinado
2ª foto: Amazônia em chamas
Referências:
(1) Neste blog, inserção do dia 12.10.2018 (“O General retrógrado. O derrubador de árvores”)
(2) Edição de 16.01.2019
(3) Edição de 13.01.2019
(4) Jornal o Estado de 14.01.2019
(5) G1 – Globo de 17.01.2019
(6) Veja de 09.06.2016
(7) Edição de 10.01.2019








domingo, 23 de dezembro de 2018

FINAL DE ANO. IDEOLOGIAS. O STF. NOVO GOVERNO E O AMBIENTE




O IDEÓLOGO E A IDEOLOGIA


Nestes tempos conturbados, especialmente, entre nós, o ano de 2018 foi repleto de revelações.

Tenho pensado muito sobre os ideólogos nascidos na era petista, especialmente, e a ideologia que professam, sem qualquer pudor.

Para esses, a ideologia à esquerda ou com timbres, digamos, marxistas, se sobrepõe aos próprios desvios das causas que defendem como zumbis.

Não importa se houve crimes em profusão ou se a corrupção foi o ensinamento que predominou.

A ideologia “pura” haverá que prevalecer.

Para o bem da ideologia, ignoram aqueles beneficiários do enriquecimento inescrupulosos que, descobertos, negam e mentem mesmo às evidências.

E ai daqueles que ousam discordar de sua ideologia, porque o mau humor os fazem até agressores morais.



Afinal, a ideologia haverá que prevalecer sobre tudo e sobre todos.


O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. IDEÓLOGOS

Seja por apadrinhamento, seja pela ideologia, o Supremo Tribunal Federal se revela há muito, uma lamentável instituição julgadora.

Há ministros flagrantemente despreparados, notórios corpos estranhos ou que não ostentam escrúpulos na hora do voto, porque, afinal, são “supremos”.

Um dos mais equivocados, que não percebeu que seu tempo já passou é Marco Aurélio Mello. Há pouco, em nome de sua “consciência”, tentou um golpe no dia já iniciado do Tribunal para deferir liminar cancelando a decisão do pleno do tribunal que mantivera a prisão após decisão de tribunal estadual ou da Justiça Federal em segunda instância.

Irresponsável, porque geraria tumulto nos múltiplos presídios do pais pelos mais de 160 mil presos (bandidos confessos, estupradores, assassinos) que seriam libertados, ao pretender a liberdade de Lula. Aliás, já dissera, em linha com sua mente distorcida, de que preso o ex-metalúrgico, não haveria paz social.

Na verdade, ele é um dos que contribui para o tumulto no País por seus arroubos de “consciência”.

Penso que o mais despreparado, verdadeiro corpo estranho no lamentável tribunal, é Ricardo Lewandowski que também é “supremo” em sua ideologia petista e que chegou ao limite do “teje preso” ao receber um elogio público de passageiro no mesmo avião, que confirmara ser o STF uma VERGONHA.

De Gilmar Mendes, basta lembrar os 'elogios' que ele recebeu do ministro Luiz Roberto Barroso, os quais foram recitados pela cantora Maria Bethania. Ele é um dos incidentes irrecuperáveis do governo FHC.
Ele se apresenta como a chave da cadeia.

E o quarteto se completa com Dias Tóffoli, subordinado no passado de José Dirceu e Lula, reprovado em exames à magistratura de São Paulo que lá está por indicação do último, ora presidindo o Tribunal, em vésperas de mudança de governo, pisando em ovos tentando não comprometer a si e ao próprio STF o que explica sua vacilação em suspender a liminar insana de Marco Aurélio.

No caso da liminar irresponsável de Marco Aurélio, fora "salvo" pelo parecer de Raquel Dodge da PGR que permitiu revogasse a medida em pouco tempo.


Mas, ele, Tóffoli tem um “dever de gratidão” com Lula, dai porque fixou o novo (mais um!) julgamento da prisão após condenação em segunda instância, para o dia 10 de abril, três dias após o primeiro aniversário de sua prisão que se deu no dia 07 de abril de 2018.

O STF sabe que se resolver favoravelmente libertando Lula, terá que assumir a libertação de bandidos perigosos e confessos, também já condenados em segunda instância.

Será a alegria dos criminalistas mas quanto ao País a responsabilidade assalta.


Distorção irreparável”

Foi uma “distorção irreparável” à Constituição não esperar o trânsito em julgado da sentença, até a última instância, passando a valer a prisão a partir do julgamento em 2ª Instância? Não há a presunção de inocência mesmo para o criminoso brutal, confesso?

Mas, não é o STF o “guardião” da Constituição e se trata do colegiado que a interpreta?

Ora, direis, mas no caso, fora um, digamos, excesso.

Mas, o casamento homossexual não foi, também, pelo STF, interpretação dos novos tempos?

Pois o artigo 226 da Constituição estabelece no seu §3º que,
Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento;

E que

§ 5º - Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher.

Sociedade conjugal é de homem e mulher, não homem como homem ou mulher com mulher… diz a Constituição


BOLSONARO E O NOVO GOVERNO
A PRESERVAÇÃO AMBIENTAL. AMEAÇAS

Há expectativa sobre o próximo governo Bolsonaro numa série de áreas, porque o PT deixou sequelas com intervenções na área educacional, política e de moralidade.

A vitória de Bolsonaro, que ninguém contava, se revelou em tudo, o antipetismo, o antilulismo, aquele discurso demagógico pesado, cheio de promessas, aquele populismo autêntico, do promete muito e realiza pouco.

Meu prognóstico é que a história pouco preservará desse período tão polêmico mas, queiram ou não os defensores de Lula e Dilma, deverão ser sempre lembrados os atos de corrupção, a tentativa da “ideologia de gênero” nas escolas, o escândalo da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras na Califórnia, com aval dela mesmo com suas desculpas esfarrapadas, os empréstimos com pose de “país rico” à Cuba, Venezuela, Bolívia, republiquetas na África… exportando corrupção enquanto sempre precária a assistência médica por aqui, isso para ficar no menos.


Pois bem, os críticos do governo que sequer começou veem o perigo da falta de um projeto econômico, do acúmulo de poderes do ministro da Justiça e também do da Fazenda, o fim do ministério do Trabalho – até ali se deu corrupção -, excesso de militares e por aí vai.

Esquecem que o governo tem que atuar perante o Congresso Nacional e nada indica, nestes tempos que algo seja diferente, isto é, que haja a emissão de decretos-leis…

O que deve ocorrer é um sentido maior de autoridade, não de autoritarismo.

É o que pressinto hoje.


Bolsonaro diz que pretende com mudança constitucional, diminuir o número de deputados (e por que não senadores?) num país pobre que suporta parlamentares em número superior, proporcionalmente, aos Estados Unidos. E a imensa mordomia que usam e abusam do modo mais inconsequente a custa do tesouro nacional, dos contribuintes.


Devastação ambiental (?)

Mas, um fato já transcende em manifestações várias: a intolerância com a política ambiental e sua fiscalização, que tenta mesmo de modo ineficaz hoje, conter a devastação que se dá especialmente nas florestas, a ponto de não ser preservada sequer a proteção às margens de rios importantes que vêm perdendo vazão ao longo dos anos.

Assim, não se pode abrir espaços além do permitido para a agricultura que por muitos meios avança sobre áreas de preservação ou que deveriam ser preservadas.

Há sinais de que a devastação ambiental pode ser ampliada. Confirmada essa "política" afetará cada vez mais o clima - queiram ou não os céticos - e a fauna que sobrevive nas florestas e que merece respeito.

Então, como política de governo que projeta a ampliação da produção agrícola, seria indispensável no mínimo mapear áreas degradadas com o objetivo de recuperá-las mas para reconstituição florestal.

Os dados estatísticos da devastação na Amazônia constituem-se piada de mal gosto porque revelam que ela teria diminuído em tantos por cento, como se isso significasse algo a ser comemorado. Ora, mesmo com diminuição porcentual de áreas devastadas a degradação grave nunca estancou e a Amazônia vai perdendo sempre território impunemente.



Ai reside, de plano, minha preocupação.

Outras poderão advir e neste meu canto denunciarei, porque não me proponho a ser o ideólogo que releva os abusos em nome de uma ideologia.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

DA “JURISPRUDÊNCIA PERVERSA”


Recentemente adveio a Lei n° 13728/2018, que acrescentou o artigo 12A à Lei nº 9099/95 para estabelecer que nos Juizados Especiais Cíveis todos os prazos não serão mais contados em dias corridos, mas em dias úteis, em linha com o que passara a estabelecer o Código de Processo Civil de 2015.
Essa questão, se nos Juizados Especiais os prazos eram contados em dias corridos e não úteis geravam dúvidas e não só, mesmo perplexidades.
O argumento é que a Lei nº 9099/95 seria “especial” não se subordinando ao Código de Processo Civil que seria uma lei geral.
Ora, os que defendiam e defendem a aplicação do CPC aos Juizados Especiais têm como argumento que o processo é “geral”, especialmente em situações relevantes pelo que haveria que ser aplicado de modo a integrar suas disposições, dando coerência ao todo.
Porque no processo é que se encaminha a busca pelo direito não podendo, então, estar subordinado a interpretações que o tolhem.
Nessa linha, a Associação dos Advogados de São Paulo divulgou há pouco, artigo do professor José Rogério Cruz e Tucci, sob título “A cruzada da AASP contra a perversidade da jurisprudência” do qual se extraem os trechos seguintes:
Reunidos em expressivo número, os atuais conselheiros da AASP e 11 de seus ex-presidentes, inclusive de seu ilustre decano, Mário Sérgio Duarte Garcia, a conclusão extraída, na mesma linha das premissas traçadas no já referido manifesto, foi a de que a denegação de justiça decorrente da incidência da “jurisprudência defensiva (rectius: perversa)” não ofende apenas o exercício profissional dos advogados, mas, na verdade, afronta diretamente o direito das partes e, assim, da sociedade como um todo. É dizer: o não conhecimento de um recurso fundado em premissa exclusivamente formal e estéril acaba fulminando, ex radice, as expectativas dos litigantes quanto à tutela jurisdicional que lhes é assegurada, com todas as letras, pelo artigo 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal: “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”.
Como já tive oportunidade de ressaltar em anterior estudo, para combater essa verdadeira vertente inescrupulosa dos tribunais pátrios, inexcedível sob a vigência do revogado Código de Processo Civil, o novo diploma processual contemplou três regras preciosas, em defesa da sociedade brasileira. Refiro-me aos artigos 932, 1.007 e 1.029, parágrafo 3º, que têm por precípua finalidade contornar o não conhecimento dos recursos por defeitos formais.”
O professor titular de direito da USP, chama essa “jurisprudência defensiva” de “perversa” porque “afronta diretamente o direito das partes”.
O Autor faz ressalvas a dispositivos processuais que amenizam essa “jurisprudência perversa”, como o artigo 1007 do CPC que permite que a parte que tenha realizado preparo de recurso (depósito a menor) tem a possibilidade de completá-lo no prazo de cinco dias de tal modo que não seja decretado deserto.
Mas, se essa faculdade é aplicável a todos os recursos, mesmo para as instâncias superiores, não vale para os Juizados Especiais porque a súmula 80 do FUNAJE – Fórum Nacional dos Juizados Especiais veda de modo peremptória a complementação.
O mesmo se dera com a contagem em dias corridos e não em dias úteis, vedada pela súmula 165 do mesmo FONAJE. Nesse caso, foi necessária uma Lei para alterar essa orientação unilateral e desprovida de sentido à luz do processo civil.
Pois bem, o que se dá com os recursos inominados decretados desertos nos JECs por preparo inferior sem possibilidade de complementação?
O valor insuficiente recolhido passa a se situar numa zona tributária incerta, amealhada pela Fazenda do Estado, sem que tenha se dado a prestação jurisdicional e sem a possibilidade de ressarcimento ou nada que seja fácil.
Ora, o inciso XXXV do artigo 5º da Constituição determina que a “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”.
Uma situação dessa natureza regulada pela súmula 80 da FUNAJE seria rejeitada até mesmo pelas disposições do CDC se aplicável fosse.