sábado, 15 de junho de 2013

MATA ATLÂNTICA EM MINAS VIRA CARVÃO PARA OS FORNOS DE SIDERÚRGICAS.

[Inclui salvamento de jaboticabeiras e notícia da extensão do desmatamento na Amazônia]

Ainda que escrevendo somente para mim, nos veículos restritos que tenho disponível, inclusive neste, escrevi, entre outros, dezenas de artigos revelando minha angústia com a devastação ambiental.
Essa devastação no Brasil é dolorosa e preocupante, mas a grande maioria dos povos se fecha num casulo principalmente por estas plagas, vibrando com novelas, com o futebol em particular, ficando ao “Deus dará” a providência para esses abusos ambientais inomináveis.
Afinal de contas, ouve-se – e há literatura de autoajuda recomendando isso -, “eu vivo o presente – o futuro a Deus pertence”; mas nesse futuro insondável há o conjunto familiar, filhos e netos.
Há dias voltei a me escandalizar, porque já estive revoltado antes, com esta notícia e mesma notícia:


“(...) É a quarta vez consecutiva que o Estado [Minas Gerais] lidera o ranking de perda da floresta [Atlântica].”
“Sozinho, o Estado foi responsável por metade do desmatamento do período, ali realizado principalmente para fazer carvão para abastecer fornos de siderúrgicas. Considerando somente as florestas (e não outros tipos de vegetação da Mata Atlântica), houve perda de 10.7512 ha. no Estado entre 2011 e 2013 – um crescimento de70% em relação ao ano anterior.”(Jornal “O Estado de São Paulo” de 05.06.2013).
É isso
Árvores nobres, de uma reserva diminuta, algo em torno de 8% de sua extensão original, sendo convertidas em carvão para sustentar, ainda hoje, com tanta tecnologia disponível, siderúrgicas mineiras. Trata-se de insanidade inacreditável, um crime que se mantem impune. Por quais interesses essa prática se mantem é bem fácil entender: a linguagem do dinheiro que a poucos beneficia.
E a impunidade é tanta que o governo federal comemora, no que se refere à Amazônia ainda cheia de elementos a desvendar, tantas vidas selvagens sendo ceifadas, os quantos quilômetros foram devastados de um ano para outro. Trata-se de postura enganosa porque de ano para ano, num mais noutro menos, a floresta vai desaparecendo mesmo que todos saibam que é ela que tempera o clima.
Há com efetividade um círculo de incompetência e irresponsabilidade porque os atos insanos se referem ao aqui de agora.
O futuro, ora, a Deus pertence.

No trajeto do estado de São Paulo para Minas Gerais, via Anhaguera e na sua continuação no território mineiro, são imensas as áreas devastadas, largas extensões abandonadas. Há um misto de plantação de cana e milho. Nessas áreas a perder de vista, não houve, de regra, a preservação pequena que fosse, da vegetação nativa ou replantio de árvores, de micro bosques.
Claro que não adentrei em tais áreas, mas nada me convence que minas foram levadas de roldão pela mesma devastação que aumenta a incidência da seca.

O que adianta se referir a tais omissões e insanidades? Se a ninguém, serve a mim. Não serei eu quem se conformará. Não sou omisso.


JABOTICABEIRAS REPLANTADAS E SALVAS


De vez em quando veem-se imagens como esta: árvores sendo salvas, no caso jaboticabeiras, o que não é pouco. Ações como esta são raras que viram notícia destacada na imprensa. Que sirva o exemplo (Gazeta de Piracicaba de 07.06.2013)



DESMATAMENTO


Amazônia perde área maior que São Paulo em 6 meses, aponta INPE



Os alertas de desmatamento na Amazônia Legal subiram 26,6% nos últimos seis meses, no intervalo entre 1º de agosto de 2012 e 28 de fevereiro de 2013, em comparação com o mesmo período anterior, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgadas na quinta-feira, 28 de março.


As informações, que incluem a degradação (desmatamento parcial) e o corte raso (desmatamento total) da floresta, foram registradas pelo Deter, sistema de detecção de desmatamento em tempo real do Inpe, que utiliza imagens de satélite para analisar a perda da mata em nove estados.

No total, 1.695 km² da floresta foram destruídos ou degradados nos últimos seis meses, área maior do que o tamanho da cidade de São Paulo (1.521 km²), de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já entre 2011 e 2012, foram perdidos 1.339 km² de mata, no mesmo intervalo de tempo.

Segundo o Inpe a cobertura de nuvens na região amazônica prejudica a análise do Deter. Em novembro de 2012, 34% da floresta estava coberta por nuvens; já em dezembro, a cobertura foi de 54%. Em janeiro, 67% da Amazônia estava coberta por nuvens, enquanto em fevereiro o índice foi de 64%.

"Campeões" indigestos

Os estados "campeões" em destruição da floresta foram: Mato Grosso (604 km²), Pará (300 km²) e Rondônia (232 km²) - eles tiveram mais desmatamento entre agosto de 2011 e fevereiro de 2012, conforme o Inpe.

Proporcionalmente, o aumento do desmate foi grande no Maranhão (crescimento de 121%) e no Tocantins (81%), aponta o Inpe.

Fiscalização e R$ 1,4 bilhão em multas

Segundo o diretor de proteção ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Luciano de Meneses, o órgão teve que encontrar novos métodos de fiscalização após constatar o aumento no número de alertas de desmate.

"Entramos com a Operação Onda Verde, ocupamos as seis áreas críticas que respondem hoje por 54% de todo o desmatamento da Amazônia. Colocamos bases móveis com autonomia. Essas bases tem agentes do Ibama, agentes da Força Nacional de Segurança, agentes da Polícia Rodoviária Federal", afirmou o diretor.

Fiscais do Ibama na Operação Onda Verde apreenderam mais de 65 mil m³ de madeira em toras que circulavam de forma clandestina pela floresta, entre 1º de agosto de 2012 e 25 de março de 2013. Desse total, quase 38 mil m³ de madeira foi encontrada no estado do Pará, e 15,7 mil m³, em Mato Grosso.

Além de madeira, o Ibama confiscou 110 tratores, 60 caminhões, 216 motosserras e 32 armas de fogo na Amazônia Legal.

No total, o órgão aplicou 3.180 autos de infração entre agosto de 2012 e março de 2013, cujo valor de multas, somadas, ultrapassa R$ 1,4 bilhão.

Balanço do INPE

O último balanço anual de desmatamento divulgado pelo Inpe apontou que 4.656 km² da Amazônia haviam sido perdidos entre agosto de 2011 e julho de 2012. A área, calculada pelo sistema Prodes, equivale a mais de três vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

O Prodes consolida dados coletados ao longo de um ano por satélites, capazes de detectar regiões desmatadas a partir de 6,25 hectares, e não pode ter suas informações comparadas com o sistema Deter. São computadas apenas áreas onde ocorreu remoção completa da cobertura florestal – característica denominada corte raso.

Fonte: EcoD -  28.03.2013

domingo, 19 de maio de 2013

RESOLUÇÃO DO CNJ SOBRE CASAMENTO HOMOSSEXUAL É INCONSTITUCIONAL. FICA O REGISTRO



ESCLAREÇO QUE A ESTA ABORDAGEM É DE NATUREZA JURÍDICA E NÃO DE OPOSIÇAO ÀS RELAÇÕES HOMOAFETIVAS QUE SEMPRE EXISTIRAM

“Republico” abaixo, com as datas respectivas, textos anteriores que escrevi neste blog “Artigos”, a propósito da evolução da decisão do Supremo Tribunal Federal sobre as relações homoafetivas.

Antes, porém, esta introdução:

A decisão do STF fora no sentido de reconhecer exatamente essa união entre homossexuais e direitos patrimoniais que decorrem dessa relação “homo-estável”, mas no meu entendimento, essa decisão não chegara a cogitar do próprio casamento civil, de papel passado, entre iguais de sexo.

A razão é de natureza constitucional e mesmo legal, se considerados dispositivos do Código Civil como explanei num dos textos abaixo.

Do ponto de vista constitucional, estabelece o artigo 226 da Constituição Federal se referindo à união entre homem e mulher:

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
(...)
§ 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento;
(...)
§ 5º - Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher.


Mesmo com projetos que discutem o casamento homossexual no Congresso Nacional, esse poder politico embora preguiçoso, reconheça-se, para Joaquim Barbosa presidente do STF, “seria um contrassenso esperar o Congresso analisar o tema para se dar efetividade à decisão do STF”.

E afirmou:

"Vamos exigir aprovação de nova lei pelo Congresso Nacional para dar eficácia à decisão que se tomou no Supremo? É um contrassenso."
 De acordo com Barbosa, a discussão sobre igualdade foi o "cerne" do debate no Supremo. "O conselho está removendo obstáculos administrativos à efetivação de decisão tomada pelo Supremo e que é vinculante [deve ser seguida pelas instâncias inferiores]." (1)

Depois de “considerandos” que se referem a decisões do próprio STF e do STJ, a Resolução n° 175 do CNJ de 14.05.2013 firmada pelo próprio Joaquim Barbosa estabelece:

Art. 1º É vedada às autoridades competentes a recusa de habilitação, celebração de casamento civil ou de conversão de união estável em casamento entre pessoas de mesmo sexo.
Art. 2º A recusa prevista no artigo 1º implicará a imediata comunicação ao respectivo juiz corregedor para as providências cabíveis.

Diante desses elementos todos, principalmente pelo teor dos dispositivos constitucionais supratranscritos, essa matéria decidida de modo assim precipitado por uma resolução, mesmo que do Conselho Nacional de Justiça, deveria ter passado, antes, pelo menos, pelo crivo do pleno do Supremo Tribunal Federal, o denominado “guardião da Constituição”

O citado dispositivo constitucional como acima transcrito estabelece, então:

§ 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.

Não está escrito que a família é constituída também pela união estável entre homossexuais.

O casamento homossexual de papel passado, pois, constitui-se liberação inconstitucional porque se contrapõe ao  texto expresso supratranscrito e também contra o texto do Código Civil brasileiro.

Referência no texto:

(1) Portal G1 de 14.05.2013

TEXTOS ANTERIORES QUE ESCREVI NESTE BLOG “ARTIGOS” SOBRE O TEMA COM BASE NA DECISÃO DO STF. PELA ORDEM CRESCENTE DE DATA.

“MISCELÂNEOS” de 10 de maio de 2011

A palavra “homoafetivo” – voto do Min. Ayres Brito

O Supremo Tribunal Federal como amplamente noticiado acaba de decidir, por unanimidade, a legitimação da relação homoafetiva para obtenção de inúmeros direitos civis entre companheiros do mesmo sexo.

Já se fala em casamento de homossexuais, um tema ainda a evoluir. Claro que as igrejas repudiam essa possibilidade porque reconhecem, por uma série de motivos religiosos, apenas o casamento entre homem e mulher.

E há como criticar essa posição religiosa? Entendo que não.

Do voto do Min. Ayres Brito separei a conceituação que deu para o termo homoafetivo:

Ainda nesse ponto de partida da análise meritória da questão, calha anotar que o termo “homoafetividade”, aqui utilizado para identificar o vínculo de afeto e solidariedade entre os pares ou parceiros do mesmo sexo, não constava dos dicionários da língua portuguesa. O vocábulo foi cunhado pela vez primeira na obra “União Homossexual, o Preconceito e a Justiça”, da autoria da desembargadora aposentada e jurista Maria Berenice Dias, consoante a seguinte passagem: “Há palavras que carregam o estigma do preconceito. Assim, o afeto a pessoa do mesmo sexo chamava-se 'homossexualismo'. Reconhecida a inconveniência do sufixo 'ismo', que está ligado a doença, passou-se a falar em 'homossexualidade', que sinaliza um determinado jeito de ser. Tal mudança, no entanto, não foi suficiente para pôr fim ao repúdio social ao amor entre iguais. (Homoafetividade: um novo substantivo).”

STF E SUAS DECISÕES POLÊMICAS de 28.06.2011

Que eu me lembre nunca esteve o Supremo Tribunal Federal tão em evidência como nestes últimos tempos por conta de temas polêmicos e, por conseguinte, produzindo decisões polêmicas.

A questão do reconhecimento da relação homoafetiva

A decisão do STF estava ainda sendo digerida por todos os segmentos sociais quando um juiz de 1ª Instância de Goiânia, Jerônymo Pedro Villas Boas, decidiu que na cidade não haveria autorização de contratos de união estável entre homossexuais proibindo que Cartórios de Notas os emitissem.
Afrontara, pois, a decisão do STF?

Diria depois diria que assim agira porque “Deus como que me impingiu a decidir”.

De lado a tragédia bíblica que se abateu sobre Sodoma e Gomorra, o juiz se valeu de mandamentos muito, mas muito mais presentes, como dispositivos da Constituição Federal:

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
(...)
§ 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento;
(...)
§ 5º - Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher.


Na Constituição, pois, a família se dá entre homem e mulher.

O mesmo no Código Civil de 2002:

Art. 1.514. O casamento se realiza no momento em que o homem e a mulher manifestam, perante o juiz, a sua vontade de estabelecer vínculo conjugal, e o juiz os declara casados.

Art. 1.565. Pelo casamento, homem e mulher assumem mutuamente a condição de consortes, companheiros e responsáveis pelos encargos da família.

Nessa conformidade, quem pode questionar, à luz desses dispositivos, a relutância do magistrado em atender à decisão do STF?

A Lei aí está claríssima! A relação de casamento é entre homem e mulher.

Nesse novo encaminhamento, já se fala em casamento entre iguais do mesmo sexo, constituindo-se um “casal”.

É complicado considerar tais relações entre “nubentes” do mesmo sexo como “casal”, até pelo que ensina o Aurélio, no referido vocábulo:

“Par composto de macho e fêmea, ou homem e mulher.”

Além das disposições constitucionais e civis que consagram o casamento entre homem e mulher, até o uso da palavra “casal” é inapropriado, pois. Melhor seria, “dupla”.

Mas, há no ar um sentido de festa, cores do arco-íris e tudo se aceita. E não venham com aquela de “posição moralista retrógrada”.

Estou no salão de corte de cabelo.

A moça ao iniciar o seu serviço
:

- Será que dois homens ou duas mulheres vão adotar crianças? O senhor já pensou como fica cabeça delas? E na escola?

Respondi:

- Rigorosamente, salvo se forem muito determinados e conscientes sua opção sexual estará em jogo...”


Mas, “o Supremo não deve se pautar pela opinião pública”, como fora dito.

MISCELÂNEOS (III) de 04.07.2011

Desvios da união homoafetiva
No nosso artigo anterior  (de 28.06.2011) fizemos comentários sobre as decisões polêmicas do STF, destacando o reconhecimento da relação homoafetiva.

Fizéramos um confronto dessa decisão com as disposições constitucionais e do Código Civil sobre o casamento que se referem á união entre homem e mulher.

Novos desdobramentos recentes se deram a partir daquela decisão:

a.) Novamente o juiz da 1ª Vara de Fazenda Pública de Goiânia Jerônymo Pedro Villas Boas anulou um contrato de união estável firmado por um casal de homens que declaram morar juntos há 22 anos. Complementa a notícia:
“É fato, anulei mesmo. Foi-me enviado o ato por ofício pelo tabelião e exerci o controle de legalidade do ato... Na decisão, o juiz afirma que, mesmo que a convivência homossexual seja “resguardada pela esfera privada de autonomia e liberdade de opção sexual”, não se configura união estável, “para efeito de obter a proteção do Estado e ver facilitada a sua conversão em casamento”.

b.) Enquanto o juiz de Goiânia a seu modo radicaliza rejeitando obediência à decisão do STF, em Brasília e Jacareí (SP) duas uniões estáveis de natureza homossexual foram convertidas em casamento, com “papel passado”, respectivamente, entre duas mulheres e dois homens.

Eram esperadas essas distorções, a rejeição e a exorbitância na “interpretação” da decisão do STF.

As disposições da Constituição? Ora essa, estamos vivendo as cores do arco-íris, das passeatas gays, alegres e festivas de preferência na avenida Paulista!

Vamos ver até aonde chegaremos.

domingo, 31 de março de 2013

31 DE MARÇO - 1° DE ABRIL: Dias do golpe contra João Goulart



Resolvi explanar de modo resumido sobre o golpe contra João Goulart em 1964 porque me parece que esse tema, que tem lá sua empolgação ainda não está de todo “resolvido”. Num recente documentário transmitido pelo Canal Discovery houve “apelos” para que o Brasil também libere arquivos sobre sua participação na “Operação Condor”, trágica, que foi aplicada contra os dissidentes que se opuseram aos regimes ditatoriais, na Argentina (daí “as mães da praça de Maio”), Bolívia, Paraguai e Chile.

A data precisa da deposição de João Goulart deu-se em 1° de abril de 1964 e não em 31 de março. Nesse dia precipitando o golpe, o Gal. Olímpio Mourão Filho, comandante da 4ª Região Militar, sediada em Juiz de Fora parte com suas tropas com destino ao Rio de Janeiro onde se encontrava João Goulart. 
Sem meios de reação, Jango parte para Brasília e no dia 1° de abril, deixa o governo, rumando para Porto Alegre.

Em 2 de abril, o presidente do Congresso Nacional, Auro de Moura Andrade declarou vaga a presidência da República, tomando posse o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazilli.

Bem, João Goulart desistiu da presidência e da resistência em 1° de abril e somente em 2 de abril foi formalizada a sua vacância.

E não se estranhe tal confusão de datas. O jornal “O Estado de São Paulo” de 02 de abril de 1964 num dos seus editoriais começa deste modo a sua análise:

“A grande vitória de ontem, conduzida pela mão segura do general Amauri Kruel a frente do II Exército, vem, como era inevitável, sendo interpretada das mais diversas maneiras. Para os que tendem a encarar os acontecimentos pelo seu lado superficial, ela surge como epílogo dos fatos que tiveram início na Semana Santa. Na realidade, porém, o significado do 1° de abril é muito mais profundo e complexo. Antes do mais, o triunfo alcançado está a dizer-nos que, finalmente, a democracia brasileira venceu a ditadura em cujas estruturas a nação vegetava.”

Em 1° de abril, a democracia brasileira venceu a ditadura... (!). Era uma vez o 1° de abril.
Mais tarde, o jornal, na "nova" democracia militar seria rigorosamente censurado.

Para trazer mais elementos “ao significado do 1° de abril, profundo e complexo”, mas sob a perspectiva da participação dos Estados Unidos no golpe, está em vias de estreia o documentário “Dia que durou 21 anos” de Camilo Tavares.
Na divulgação desse documentário são revelados novos documentos e informações obtidos nos arquivos americanos que ampliam a participação dos Estados Unidos no golpe.
Mas, se formos considerar indícios, eles são evidentes desde sempre. Na mesma edição do jornal “O Estado de São Paulo” de 02 de abril de 1964 num segundo editorial lá está assentado:

“Num recente documento, um relatório preparado para a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes o próprio Departamento de Estado norte-americano reconheceu que o Brasil se transformou no cenário principal da guerra fria na América Latina. (...) Aconteceu isso graças à irresponsabilidade e a cumplicidade criminosa do Sr. João Goulart...”

E mais a frente:

“A penetração comunista assumiu tais proporções, que os caudatários de Moscou nem se deram mais ao luxo de tentar esconder ou refrear seu júbilo diante da certeza da vitória final chegando o sr. Luiz Carlos Prestes, o “gaulettier” (espécie de líder local) de Kruchev no Brasil a reconhecer publicamente que seu melhor aliado era justamente o sr. João Goulart e que os comunistas já estavam no governo, mas não ainda no poder.”

Sobre essa declaração de Prestes, a saudosa deputada Ivete Vargas quando inquerida sobre quem dominava o movimento sindical à época de Jango, se ele próprio, a sua oposição dentro do PTB ou do PC, sustentou:

“Olhem, era tudo tão confuso e contraditório a briga dentro do movimento sindical era tão grande, que é muito difícil saber. Dou-lhes um exemplo. Um dia chego em casa, ligo a televisão e vejo que Luiz Carlos Prestes estava dando uma entrevista. Como não estava com vontade de ouvi-lo, mudei de canal. Também ele transmitia a entrevista. Mudei para outro canal e a mesma coisa. Aí minha curiosidade cresceu, pois Luiz Carlos Prestes numa cadeia de televisão era um fato digno de registro. Foi quando ele disse que os comunistas ainda não estavam no poder, mas já estavam no governo. No intervalo, a minha surpresa cresceu, porque o programa era patrocinado pela Willys Overland. Como veem, o governo Jango é cheio de mistérios e contradições.” (1)

Para quem não se lembra, fora a Willys Overland uma automobilística americana, adquirida pela Ford mais tarde que não se esgueirara em pagar espaço para o comunista Luiz Carlos Prestes.

Era clara a conspiração em andamento.

Qual o receio, inclusive dos americanos com interesses contrariados por políticas de Jango? Que o Brasil se transformasse numa grande Cuba na América Latina? Um satélite da União Soviética? Um regime comunista tipo chinês de Mao Tsé-Tung que arrasava, então, a China?

Quais forças dariam apoio a tal empreitada se o exercito se mobilizava na conspiração contra João Goulart e seus aliados?

Por via de dúvidas, os Estados Unidos, ressabiados com a crise dos mísseis (com ogivas nucleares) em Cuba instalados pela União Soviética apontados para a Flórida, em 1962 já se movimentavam em encaminhar forças para o país objetivando garantir o ‘status quo’ de sua área de influência na América do Sul, máxime pelo tamanho do Brasil.

E Goulart, mesmo com a gravidade real da crise dos mísseis não apoiou a ameaça americana de invadir Cuba para desmontar esse aparato soviético, na iminência de um conflito nuclear.

Penso de modo severo que se um dia algum biógrafo com tempo fizesse uma biografia do velho comunista Prestes constataria que se trata de uma figura desastrosa na “história” do Brasil, uma vida atrasada, infeliz que será uma ofensa até compará-lo a Dom Quixote, o herói de Miguel de Cervantes y Saavedra. Aliás, dado a incentivar condenações em tribunais de exceção, o “cavaleiro da desesperança”.

Claro que as impressões do jornal refletem o momento em que se deu o golpe – e não há outra palavra para qualificar a “renúncia” de Jango – a conspiração corria solta e a esquerda com cegueira crônica não percebia o que se dava, não nos bastidores, mas às claras.


No que se refere ao movimento sindical e o grevismo havia perante as forças armadas um forte grau de intolerância tanto que, em comunicado, o Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, general Castello Branco declararia ser uma ameaça “o desencadeamento em maior escala de agitações do ilegal poder do CGT.” [Comando Geral dos Trabalhadores].


Todas as agitações são conhecidas em especial a “Marcha da Família, com Deus pela Liberdade", havida em são Paulo no dia 19 de março protestando contras os rumos do governo, saindo da praça da República encerrando na praça da Sé. No trajeto a marcha foi sendo engrossada calculando que dela tenham participado 500 mil pessoas.



Meio fora da realidade, dissera Goulart sobre essa marcha: 

“Nas grandes passeatas os cartazes não eram dirigidos contra a pessoa do Presidente ou contra as reformas de base por ele preconizadas. Todos visavam a atingir o sentimento profundamente religioso do povo e mostrar o perigo iminente da tomada do poder pelos comunistas”. (2).

O jornal “O Estado” fez menção à mão segura do general Amauri Kruel na deflagração do golpe. Todavia, na véspera do seu início, à noite, o mesmo Amauri Kruel, ligou para Goulart comunicando que a sua permanência no governo ficava condicionada a ações suas no sentido de dissolver o CGT, prender seus principais líderes e ações no mesmo sentido contra a UNE. (3).

Goulart, lembrando suas origens, sempre ligado aos trabalhadores, recusou-se a executar quaisquer dessas medidas. Mas, Goulart, a esses dirigentes, pedia moderação, não sendo ouvido: “discutir métodos sim, recuar jamais.”

Manteve os anéis mas não os dedos...

O que sobra desse período empolgante, ocorrido há 49 anos, são estudos e interpretações de toda ordem, mas o que parece claro é que, salvo a propaganda que dava a falsa impressão da iminência da ascensão comunista ao poder, havia um presidente democrata indeciso, mal interpretado e mal tolerado, prejudicado por parte dos seus aliados intransigentes e míopes quanto ao momento político que se vivia então.

Mas, os arquivos, livros e filmes estão por aí, disponíveis, para prosseguir na interpretação daqueles dias.

Referências:

(1) Perdi a referência onde publicada a entrevista de Ivete Vargas, salvo engano no jornal “O Estado de São Paulo”. Esse trecho, porém, está transcrito no meu livro “Sindicalismo e Relações Trabalhistas”;
(2) Moniz Bandeira, obra citada na referência seguinte;
(3) Esse diálogo é citado nos livros de Moniz Bandeira (“O Governo João Goulart, As Lutas Sociais no Brasil (1961/1964”) e de Hércules Corrêa (“A Classe Operária e seu partido”). Quanto a este último, afirmou tê-lo ouvido, autorizado por Jango, numa extensão telefônica porque, naquele instante, se encontrava no Palácio das Laranjeiras.

Foto:

“Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, em São Paulo, repudiando o discurso de João Goulart de 13 de março de 1964, no Rio de Janeiro quando anunciou as reformas de base, incluindo a reforma agrária.




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AOS INTERESSADOS NO TEMA VER / LER TAMBÉM ARTIGO CORRELATO: "JANGO: Vacilações e a deposição" DE 14.11.2013

segunda-feira, 25 de março de 2013

LIÇÃO DE AMOR


Cão vai à missa todos os dias esperando encontrar sua dona que morreu 
As pessoas que frequentam a igreja de Santa Maria Assunta em San Donaci, Itália, receberam uma lição de amor e lealdade de um cão nos últimos dois meses. Ciccio, um pastor alemão de 12 anos, cuja dona faleceu há dois meses, visita diariamente a igreja que ela frequentava e onde seu funeral foi celebrado, esperando pacientemente que ela volte.
Cão vai à missa todos os dias esperando encontrar sua dona que morreu
Maria Margherita Lochi, 57 anos, adotou Ciccio um ano atrás depois que ele foi encontrado abandonado em um terreno baldio perto de sua casa. Ela era  amante dos animais e já havia adotado vários gatos e cães, mas sua ligação com Ciccio era especial. Aparentemente, ele sentia o mesmo, já que apesar da morte da dona há mais de dois meses, o cão continua a voltar para o lugar que a viu pela última vez.
Cão vai à missa todos os dias esperando encontrar sua dona que morreu
Dona Maria ia todos os dias à missa na igreja local e o padre permitia a entrada de Ciccio que esperava pacientemente a seus pés. Ele também esteve lá com os entes queridos da Dona Maria em seu funeral. Mas agora Ciccio parece ter dificuldade para entender que ela não vai mais voltar e continua indo à missa todos os dias no mesmo horário, assim que ouve os sinos chamando os fiéis. Ciccio simplesmente se senta ao lado do altar, em silêncio, na esperança de ver Dona Maria chegar...
Cão vai à missa todos os dias esperando encontrar sua dona que morreu
- "Ele está lá toda vez que eu celebro a missa e é muito bem comportado, não faz nenhum som, nenhum latido", diz o padre Donato Panna. "Ele vai a missa todos os dias, mesmo após o funeral da Dona Maria, ele espera pacientemente ao lado do altar e fica lá tranquilamente. Eu não tenho coragem de expulsá-lo."
Cão vai à missa todos os dias esperando encontrar sua dona que morreu
Todos em San Donaci ficaram tão impressionados com a fidelidade de Ciccio, que em conjunto decidiram adotá-lo e cuidar dele.
Cão vai à missa todos os dias esperando encontrar sua dona que morreu
Este tipo de fidelidade canina que faz o coração da gente doer, nunca deixam de me impressionar. como Capitán, que viveu no túmulo de seu dono por 6 anos, Leão, o cão que perdeu sua dona nos deslizamentos de terra no Rio, ou o cão russo que guardou o corpo de sua companheira por uma semana, depois que ela foi atingida por um carro. Histórias trágicas que fazem qualquer um amar ainda mais estas bolas de pelo que tanto amor nos dedicam..
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